São Paulo. Seus encantos.

 

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Vir a São Paulo é quase que uma necessidade pessoal, suas mil e uma possibilidades é um sempre convite ao hedonismo gastronômico. Como boas companhias estão sempre presentes o convite à experimentação é ainda maior.

O lugar desta noite foi o restaurante A Bela Sintra, de pegada portuguesa porém bastante formal, tem um serviço impecável e boa carta de vinhos cujos rótulos portugueses não me chamaram a atenção. Como a pedida natural seria o bacalhau, e o tinto era mandatário entre os convivas, escolhi o único chianti clássico da carta. Foi uma pena a harmonização com lagostins, pedida de uma parte da mesa, um pouco sofrível com o tinto. Mas a boa companhia, e boa conversa, superou esse “detalhe”.

O vinho: Chianti Classico Poggio Selvale 2005

Na taça um vinho bastante translúcido com aromas um tanto fechados no início, mas com grande expressão de fruta, e madeira discreta e elegante. Em boca vinho fácil, de corpo ligeiro, ótima acidez, taninos macios, porém com a complexidade dos toscanos da casta sangiovese. Mais um bom, e versátil, italiano.

*R$ 150 no A Bela Sintra

ITÁLIA

Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2008

 

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Escolher um Montes Alpha é saber o que esperar e não ter medo de errar. Vinhos bem elaborados e corretíssimos são as marca da vinícola, que tem um syrah entre os meus preferidos.

Este cabernet sauvignon, com 10% de merlot no corte, foi aclamado como dos melhores cabernet do “novo mundo” e foi escolhido como o “melhor bordeaux chileno” pela conceituada revista Decanter.

No nariz pimentão, cassis e um herbáceo discreto. Em boca elegante, taninos bem presentes porém muito aveludados, ótima persistência e acidez potente mostrando seu grande potencial de guarda. Foi harmonizado com as massas do Speciali, evidenciando ainda mais o vinho em si. Um vinho potente porém muito fácil de beber, muito bem feito, e que agradaria até mesmo aqueles menos fãs dos cabernet. Pra ter sempre um na adega!

* R$ 100 www.costibebidas.com.br

CHILE

Espumante made in Brazil

 

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Muito se fala da competência nacional quando o assunto é vinhos espumantes, e verdade seja dita, o Brasil tem realmente excelentes rótulos. No exterior o vinho nacional virou sinônimo de espumante e junto aos nossos irmãos da América Latina, Argentina e Chile, saímos ganhando quando o assunto é este vinho festivo.

O vinho: Luiz Argenta Brut

Gosto muito da proposta visual dos vinhos da Argenta, numa idéia minimalista e clássica ao mesmo tempo. Este espumante é elaborado pelo método charmat longo com as uvas chardonnay e riesling itálico. Tem uma perlage bastante intensa e fina, aromas de frutas cítricas e mel mas com muitas notas da fermentação, casca de pão. Em boca acidez maravilhosa que se propõe à várias harmonizações, muito frescor, boa untuosidade e persistência. Um espumante de complexidade em prova, desses que a gente degusta já pensando em qual será a próxima oportunidade.

* R$ 33 www.boutiqueluizargenta.com.br

BRASIL

O Alma Negra de Ernesto Catena

 

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A apresentação desse vinho dispensa comentários. Aquela garrafa pesada, de rótulo totalmente preto onde se visualiza apenas uma mascara, que é o grande símbolo que Ernesto Catena usou para simbolizar esse vinho da Tikal. De corte desconhecido, essa é a sacada de marketing do rótulo, é um verdadeiro mistério…

O vinho: Alma Negra 2007

Eu já havia comprado esse vinho há uns 10 meses, mas os argentinos da minha adega andaram descansando por um tempo, afinal em restaurantes eles e os chilenos são sempre maioria. Mas esse vinho já me incomodava um pouco, medo de deixar um 2007 ficar sem graça. Eu ando com medo de vinhos do “novo mundo” com mais de 5 anos, medo que eles percam a potência da juventude, que muito me agrada. Foi quando encontrei a oportunidade de degustá-lo!

Em taça um vinho com bastante intensidade de cor e um esboço de halo de evolução. Aromaticamente muito rico em frutas vermelhas e pretas, pimenta preta, um pouco de tosta muito elegante e caramelo. Em boca uma acidez agradabilíssima, taninos potentes, vivos, e uma persistência fantástica. Agüentaria mais uns bons 5 anos de garrafa. E na minha desconstruçao experimentação de harmonização escolhi uma massa ao sugo. Sou dessas que desejo um prato e um vinho sem tanta correlação, mas no fim a harmonização foi muito boa. O molho temperado casou muito bem com a acidez vigorosa do vinho e sua nuance de especiarias.

Realmente um belo argentino, pra degustar sempre que possível!

*R$ 90 www.adegacuritibana.com.br

ARGENTINA

Um chenin blanc do sertão

 

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Esse chenin blanc foi degustado na minha ida à Petrolina num passeio de barco extremamente agradável. É daqueles vinhos simples e adequados à ocasiões como esta, onde se deseja uma bebida leve e de frescor.

O vinho: TerraNova Chenin Blanc 2010

Na taça um amarelo palha, bastante brilhante. No nariz muita fruta crítica porém com alguma doçura. Em boca boa acidez, retrogosto cítrico e mel conferindo ao vinho um caráter bastante interessante para harmonizações despretensiosas com peixes ou frutos do mar grelhados. Importante não descuidar da temperatura a fim de manter o frescor adequado.

Ótima opção para um dia de sol e calor no rio São Francisco.

* R$ 19 no bar à bordo

BRASIL

Syrah argentino

 

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Esse vinho foi escolhido em meio à uma carta de vinhos bem enxuta, pra não dizer restrita, num restaurante em Trancoso. A escolha seria quase certa já que a syrah é sempre uma boa opção em grupos heterogêneos mas que espera um tanto a mais de corpo no vinho.

O vinho: Callia Magna Syrah 2009

A harmonização foi com massas e pizzas porém o vinho não acompanhou. Em taça uma bela cor púrpura mas já no nariz não mostrava muito a essência da syrah, aromas tímidos de frutas maduras e tostado da barrica, mas sem a “picância” e chocolate típicos da casta, havia também álcool sobrando no nariz. Baixamos um pouco a temperatura, escondendo o álcool, mas deixando o vinho ainda mais tímido aromaticamente. Em boca boa acidez, taninos em forma mas um amargor residual que incomodou e tirou-lhe qualquer elegância. O álcool também sobra na boca.

Não me parece uma boa pedida para um syrah, principalmente se comparado ao último australiano que degustei.

R$ 53, www.baccos.com.br

ARGENTINA

No Vale do São Francisco: Vinícola Ouro Verde

 

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Estive em Petrolina semana passada, antes de embarcar para a ExpoVinis, e aproveitei a viagem para conhecer a estrutura da Vinícola Ouro Verde, do grupo Miolo.

Primeiro é importante destacar o cenário, temperaturas em torno de 40 graus onde a caatinga predomina. Em meio àquela paisagem ninguém imagina encontrar vinhedos, muito menos vinho, mas é fato que os projetos irrigados ao longo do Rio São Francisco tem trazido muito desenvolvimento à região que também produz diversas outras frutas de excelente qualidade.

A estrutura da vinícola é bastante robusta e adequada ao enoturismo. Uma fachada imponente, loja e sala de degustação adequadíssimas. Lá se recebe visitantes todos os dias em horários previamente agendados.

Todo o processo de produção foi apresentado e soubemos que a TerraNova (marca dos rótulos de lá) deixará de ter o cabernet sauvignon por motivo de má adaptação da casta naquele vinhedo. Degustamos todos os rótulos da marca e também o brandy produzido em parceria com a Osborne. Foi lá que conheci o novo rótulo TOP, o Testardi. 100% syrah que agora é aposta em substituição à cabernet. No dia seguinte à esta visita o Testardi foi apresentado oficialmente na ExpoVinis e ganhou a premiação de melhor tinto nacional.

Estando em Petrolina e arredores vale muito a pena, não só aos apaixonados por vinhos, uma visita à vinícola. Conhecer os vinhedos, a produção, e degustar os vinhos é perceber o verdadeiro milagre que se faz em terras tão áridas.

Serrera Bonarda 2007

 

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A expectativa era grande para experimentar esse rótulo. Primeiro por ser 2007, tinha medo de já estar meio “morto”, segundo por tratar-se da Serrera, vinícola muito respeitada e cujo torrontes me agradou muito, e terceiro por ser um varietal da casta italiana bonarda, normalmente utilizada somente em cortes.

Pois bem, o vinho foi uma decepção. Na taça a cor chamou atenção por ser um vinho realmente retinto, nenhuma transparência praticamente. Um nariz bem fechado mas com aromas pouco elegantes como frutas passadas, velhas, herbáceo, bastante álcool e um pouco de petróleo também. Na boca o desastre se completou, um vinho extremamente pesado, sensação de estar tomando um suco externamente concentrado em termos de densidade, com alguma acidez, e na insistência da degustação a vontade não era engolir, mas cuspir. Partimos pra outro vinho.

O produtor fala no rótulo que por ser um vinho não totalmente filtrado era necessário decantar. Deixamos portanto o vinho em pé de um dia para o outro a fim de verificar alguma mudança com a precipitação dos sedimentos. Mas nada mudou, o vinho continuou sendo aquele da noite anterior. Como não havia o que fazer o destino dele foi mesmo o lixo.

Não sei o que houve a esta garrafa. Se houve problema no acondicionamento na loja (desde que comprei, há uns 6 meses, ele ficou em adega), ou problema neste lote. Mas a verdade é que o vinho não estava morto, nem estava avinagrado, nem com TCA, ou com sinais de ter passado por temperaturas inadequadas, nos pareceu problema no vinho mesmo, afinal ele demonstrava estrutura (muito duro, pesado).

Fico agora na esperança de experimentar uma nova garrafa e entender de fato esse rótulo, pois nesta prova o destino dele foi bem ingrato.

*R$ 78, www.sabormagazzino.com.br

ARGENTINA

E a estrela da festa foi… o vinho!

 

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Em meio à um cenário bastante turbulento em torno das salvaguardas, a ExpoVinis cumpriu seu papel: de só dar voz ao vinho.

Cada visitante exercendo seu direito individual de escolha e posicionamento. Como manda a boa discussão de idéias.

E sendo assim, o vinho reinou sob todas as vestimentas, de tipo, de estilo, de terroir, de país!

E que venha 2013!!!

Mais um dia de ExpoVinis

 

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Mais um dia muito intenso. E aquela sensação de que amanhã será pouco para dar conta de tudo…

Meus destaques de hoje:

  • Apresentação e degustação das castas típicas portuguesas: alvarinho, loureiro, arinto, touringa nacional, etc
  • Degustação de vinhos brasileiros elaborados com castas italianas
  • Degustação Vertical de treze Portos Colheita da Andresen, desde 1900 até 1998. Uma “viagem” realmente incrível e emocionante

    Agora é otimizar a agenda para o ultimo dia e não deixar faltar nada!