O Vinho do Ano: 2011

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Que missão mais ingrata! Escolher um vinho, um único vinho, para representar este ano não é tarefa nada fácil. Mas como esse tipo de retrospectiva faz parte do “fechar o ano” faço questão de participar.

2011 foi pra mim um ano especial. Foi o ano em que o vinho ocupou um espaço muito mais intenso na minha vida, onde comecei a estudar e a me emaranhar pelos rótulos e rótulos… Foi o ano em que finalmente “fiz” e organizei minha adega. Foi o ano que mais comprei livros de vinho. Foi o ano que mais fiz cursos de vinho. Foi o ano que mais conheci apaixonados por vinho!

É… pra mim sem dúvidas 2011 foi o ANO do VINHO. Foi o ano que “fechei” dezembro criando o blog. Eu não poderia esperar 2012 para que o blog saísse do “mundo das idéias”…

Foram muitos rótulos bons neste ano. Brancos como o Doña Paula, tintos estupendos como o Barolo, o Brunello, os Bordeaux…. O Amarone, ah o Amarone, motivo de paixão eterna! Os chilenos Coyan e EPU. O Anima Vitis, a jóia brasileira…. Realmente são muitos rótulos que me vem a mente e que me fizeram brindar com paixão neste ano! Mas engraçado que quando pensei no vinho do ano pensei no início de tudo. No rótulo que me fez iniciar no vinho. Rótulo simples, mas motivo de muita nostalgia quando alguns (muitos!) anos atras me foi apresentado por um amigo que, envolvido pela cultura italiana, nos trouxe um vinho siciliano: o Corvo Rosso IGT.

O Corvo não é um grande vinho, não como os grandes clássicos italianos. Mas é o vinho deste ano de 2011. Porque foi o Corvo que me fez perceber o prazer proporcionado por uma singela garrafa de vinho. Porque foi com o Corvo que descobri que comer bebendo vinho é algo singular. Porque foi o Corvo que deu o nome ao blog tantos anos atras. Foi tomando Corvo, eu ainda universitária, que bradávamos “In Vino Veritas”!

Parece que no vinho realmente está a verdade, como diz a máxima italiana. A minha verdade este ano foi iniciada bastante tempo atras com o rótulo simples siciliano, porém carregado de curiosidade. E foi essa curiosidade “plantada” o motivo da sede atual por mais e novos vinhos! É este simples rotulo, que sou incapaz de avaliar pois tem o sabor do saudosismo, o meu vinho de 2011!

IN VINO VERITAS!

Por um 2012 de ótimos vinhos!

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* o Corvo tem no corte a predominancia da cepa siciliana Nero D’avola, custa R$ 35 (www.adegacuritibana.com.br) e tenho 2 garrafas na adega para garantir os momentos saudosistas. 😉

Pericó: O icewine brasileiro

Este post tem um peso especial. Além de tratar-se da avaliação do icewine brasileiro, que por sinal eu ainda não degustei (inveja mode on), o post foi escrito pelo amigo sommelier Edgar Fedrizzi, colaborando para o IN VINO VERITAS em grande estilo! Seja MUITO bem-vindo Edgar! 😉

O brinde com o primeiro “vinho do gelo” de um país tropical!

Com um terroir peculiar, a Pericó preparou com antecedência o solo, retardou a colheita, desbastou os cachos e com paciência franciscana esperou que El Ninho antecipasse o inverno e os tão esperados -7,5°C. Em Junho de 2009, Bacco intercedeu e na madrugada mágica se fez a colheita para a produção do primeiro icewine brasileiro. Daí pra frente começou o trabalho do enólogo no “aliar-se” à natureza, para produzir este vinho único, que descansou 12 meses em barricas.

Recentemente tive a oportunidade de degustar esta raridade, que se diferencia já pela apresentação. Uma embalagem elegante e funcional. Dentro uma cápsula metálica gravada em relevo, um livreto com a história, outra cápsula com uma taça de cristal personalizada, especial para vinhos licorosos, e uma reprodução de uma obra de arte de Tereza Martorano mostrando através da arte naif, a visão da artista do panorama da colheita. Uma apresentação primorosa.

Abrindo a embalagem, somos brindados com um recipiente
elegante (200ml), digno dos mais sofisticados perfumes. Ainda na garrafa o vinho já mostra suas qualidades, o vidro branco permite a visão de um liquido rosa/castanho brilhante. Aguardo com ansiedade a temperatura de serviço indicada (9°C a 11 C). Sirvo. A luz transversal ressalta o brilho e a limpidez. No nariz uma profusão de aromas, frutas secas, nozes, ameixas negra, chocolate, que nem de longe lembram a sua origem: cabernet sauvignon. A ficha técnica anuncia 85gr de açúcar, que é completamente equilibrado pela acidez e temperatura de serviço. Com uma grande persistência, nos convida a beber mais. E depois de tudo os aromas de fundo de taça: figos secos e chocolate.

Nas dicas de harmonização, ele é classificado como vinho de sobremesa. Vou além, me alio a Karl Kaiser: um vinho do gelo é a própria sobremesa.

Evitei comparações (inclusive de preço) com outros icewines. Foi uma experiência com um vinho inusitado, pela sua origem fora da Alemanha e Canadá. Uma experiência positiva. Pena que não é possível comprar apenas o vinho, o que melhoraria a relação custo x beneficio. Porém, mais do que uma proposta comercial, me parece a realização de um sonho de seu produtor, o que deve ser respeitado, afinal sonho não tem preço. Já este nos custa R$ 180, a garrafa.

Por Edgar Luiz Fedrizzi Filho – Sommelier FISAR

A difícil sina dos espumantes

Se alguns bebedores de vinho são considerados esnobes, os “bebedores” de espumante só podem ser a “orkutizacao” deles. Eita! Fui muito polêmica? Explico.

Não tem jeito. Parece que quando se fala em popularizar e promover vinhos, os publicitários sempre tem em mente os cases dos espumantes nas boates ~adolescentes~ com os também ~adolescentes~ estourando as garrafas de espumante como sinal de glamour e poder. Poder adolescente.

O espumante sempre foi sinal de comemoração, sempre. Mas venhamos e convenhamos que a escolha dele ficou meio sem sentido entre a população em geral. Engraçado como a escolha de um vinho tinto e de um espumante tem motivações BEM distintas entre o público em geral…

Os champagnes, sempre inacessíveis, usados pelos ~adolescentes mentais~ nas baladas como sinal de “bom gosto” (imaginem muitas aspas) e dinheiro no banco: arma de conquista. Aí depois os famigerados proseccos que viraram febre por aqui como sinal de coisa-boa-importada. “Champagne é só uma marca” muitos diziam ao defender os proseccos. Na boa, difícil saber o que é pior.

Se o elitismo conferido ao vinho me incomoda deveras, afinal trata-se de uma bebida que pede compartilhamento de verdade, me incomoda ainda mais essa névoa psicótica de “glamour” em cima dos espumantes. Eu nao sei exatamente a origem disso: se a taça diferenciada, se as comemorações da formula 1 com os espumantes sendo sacudidos (destruindo a perlage) e DERRAMADOS… Mas realmente não consigo entender como ainda se confere “status pessoal”, através de uma bebida, em pleno século 21!

Só sei que precisamos voltar (ou iniciar na verdade!) a beber espumantes como vinhos que são. Carregados de essência, da uva, e da região onde foi produzido. E humildemente faço o apelo: neste réveillon vamos apreciar nossos espumantes, e não desperdiçá-los! 😀

Argentino no Natal Pernambucano

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Depois de algum tempo morando em Salvador/BA parece que voltar pra “casa” tem sempre aquele gostinho nostálgico como se estivesse tãoooooo distante. E o Natal é um momento de estar em família! Mas é engraçado como nestes momentos muita gente simplesmente “esquece” o motivo do feriado (não sou religiosa, mas agregar ao Natal um tanto das reflexões de Jesus Cristo seria o mínimo pra dar significado a esta data né?).

Voltemos ao foco. Em Recife, comidinha da mamãe. Ceia com peru e bacalhau. O meu desprendimento de Natal veio do vinho, logo o vinho! Não trouxe vinho da minha adega, aqui ninguém bebe vinho, e não tive coragem alguma de encarar lojas em dia de Natal. Tive que me contentar com o branco argentino que veio numa “cesta de Natal”. Expectativas mínimas. Mas que vem atender minha vontade didática de avaliar vinhos mais simples e analisar o famigerado “custo-beneficio”.

O vinho: Select Pampas del Sur – Chardonnay/Chenin Blanc 2010.

Trata-se de uma “segunda linha” do grupo argentino Trivento, com 50% chardonnay e 50% Chenin Blanc. A cor é um dourado bem claro com toques esverdeados. No nariz você tem que se esforçar bastante para sentir algum aroma. Na boca uma acidez desequilibrada, vinho agressivo com retrogosto amargo. Vinho deselegante. Nao seguiu a refeição, foi abandonado. E digo que não vale o preco, melhor comprar cervejas com o valor dele.

No fim do jantar intimista a conclusão foi de que, na mesa pernambucana de hoje, o único argentino que se comportou a altura foi o alfajor Havanna, que veio de Mar del Plata, pra satisfazer minha fissura por este doce, e acompanhar o café! 😉

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*cerca de R$ 20

ARGENTINA

As inspirações para falar de vinho

Quando a gente finalmente resolve escrever (e publicar!) sobre algo que a gente gosta fica sempre aquela pergunta: mas por que? Qual o input decisivo?

Eu sempre acompanhei blogs, de diversos assuntos. Gosto de ler. E gosto também de escrever, pra dar vazão às tantas inquietudes que povoam minha mente. A sensação é de que quando se escreve se aliviam as “questões”…

Mas é obvio que a decisão de finalmente começar a publicar minhas impressões, totalmente pessoais, sobre um assunto como o vinho teve contribuições importantes. Não sei se pelo espirito natalino (ganhei taças pretas de presente! :D), senti vontade de agradecer hoje!

Minha turma do curso de sommelier sempre carregará muito dessa responsabilidade. Parece que quando se juntaram tantas pessoas, com o objetivo claro de aprender sobre vinhos, uma estrelinha a mais brilhou. Saí do Rio Grande do Sul com o blog na cabeça!

Já no “escrever” tive meus dois blogs “mentores”. Cada um com seu foco e importância. São dois blogs cuja palavra respeito seria muito pouco pra definir.

O Da cachaça pro Vinho me conquistou a princípio pela gastronomia. Aqueles passeios gastronômicos são incríveis! Uma forma leve e tão ilustrativa de expressar o prazer da comida e do vinho!

Já o Falando de Vinhos é a minha referência mor e que dispensa comentários. João Clemente fala de vinhos (com o perdão do trocadilho óbvio!) com propriedade e simplicidade, na mesma proporção. Impressionante.

Me sinto na obrigação de prestar esta pequena reverência a estes, que assim como os que bebem vinho comigo, são minha fonte inesgostável de pensamentos e reflexões sobre vinhos e tudo o mais!

E como diz o titulo do livro que estou lendo agora e que, SIM, comprei pela capa, afinal sou DE FATO cartesiana:

“BEBO, LOGO EXISTO!!!”

Terroir: O vale do São Francisco

Me lembro bem quando criança e viajámos de carro nas férias eu, dois primos e um tio, de Garanhuns (agreste pernambucano) a Petrolina (sertão pernambucano). Chegando em Petrolina avistávamos os vinhedos e tinham as paradas estratégicas para tomar o suco de uva e comprar geléias. Dentro deste contexto falar do Vale do Rio São Francisco tem uma pegada bem nostálgica pra mim, como boa pernambucana que sou!

O que acontece no Vale do São Francisco é que devido a ausência de inverno, as plantas estão sempre em atividade

João Santos, agrônomo da ViniBrasil (detentora da marca Rio Sol)

Pois bem, essa é a melhor forma de definir este terroir tão atípico. Fora das latitudes onde geralmente de produz vinhos, com sol o ano inteiro, é a única região do mundo onde se produz duas safras ao ano! A produção vitivinicola teve início na década de 70 e hoje o Vale do São Francisco só perde para o Rio Grande do Sul na produção de vinhos finos no Brasil.

Na serra gaúcha todos falam do Vale com alguma reticência. Com respeito, mas reticente. É de se entender: claro que uma videira que produz uma safra por ano “””deve””” conferir maior qualidade aos frutos do que aquela que produz duas vezes ao ano. Isso é um fato, mas nem por isso desmerece os vinhos do Vale. Tem que se entender os vinhos produzidos lá dentro desta particularidade local.

Grandes grupos nacionais e internacionais se estabeleceram por lá, trazendo a expertise, no manejo dos vinhedos e na enologia. Produzindo bons vinhos, inclusive uma boa parte já é exportada. Se produz Moscatel, Chenin Blanc, Sauvignon Blanc, Syrah, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Touringa Nacional entre outras castas. Fala-se muito bem do Rio Sol Reserva Syrah de 2005, infelizmente não tive oportunidade de experimentar.

Confesso que quando abro uma garrafa do Vale sempre testo logo a acidez, é que se os produtores deixassem o vinho só pela ação da natureza as uvas seriam muito doces e pouco ácidas por conta da ação perene do sol na maturação. Seriam produzidos vinhos fortes, porém pouco ácidos, chatos. Mas a enologia utiliza o processo de acidificação para equilibrar os tintos (principalmente) e o brancos. Esse procedimento nao é aceito em todos as regiões mundo, mas em Bordeaux e Borgonha é utilizado nas regiões mais quentes, que sofrem com este mesmo problema.

Faço questão de tomar e propagar os vinhos do Vale, por que sou bairrista mesmo. 😛 Brincadeira… Na verdade acredito muito no desenvolvimento da economia local fomentada pela valorização daquilo de bom que esta sendo produzido próximo a nós!

Há bons vinhos do Vale que compensam a experiência. Especialmente para perceber as diferentes sensações dos vinhos produzidos em uma região vitivinicola desbravada em pleno sertão pernambucano, que certamente poucos apostariam, e que como por capricho hoje já ocupa posição de destaque no cenário dos vinhos brasileiros.

A propósito: gosto muito do label Rio Sol. Acho que conseguiu imprimir a metáfora perfeita para os vinhos do Vale: água do Rio São Francisco + Sol o ano inteiro!

Vinho? Não. Hoje é dia de cerveja.

Aniversário de amigo. Nada demais, só para não passar em branco. Afinal é quarta-feira e quase véspera de Natal. Eita data ingrata pra nascer! 😛

Eu fico sempre na expectativa de ao menos um vinhozinho em comemoração. Mas como é dificil! Ninguém pensa em vinhos para comemorações despretenciosas (depressão mode on). É sempre a boa e velha cervejinha. Confesso que me policio bastante para não virar uma especie de “catequizadora dos vinhos”, já que eu penso em vinhos para todas as ocasiões: sem comida, happy hour, almoço, jantar, sobremesa… A cada momento ou ocasião penso em qual seria uma boa escolha. Procuro sugerir, sem insistência. Nem sempre a sugestão é aceita e tenho que confessar que evito ser a única da mesa a tomar vinho, nessas horas é preciso compartilhar e é melhor quando bebemos da mesma bebida!

No aniversário de hoje eu nem cogitei a possibilidade de um vinho, afinal de contas o nascido em 21 de dezembro é um cervejeiro de carteirinha, e exigiria o brinde com a “geladíssima” (e lambreta, como bom baiano). Mas como aqueles belos paradoxos ele é quem mais “critica” (no bom sentido!) meus posts sobre —-> VINHOS!

Verdade mesmo esse post nem tem motivo. É OFF topic. Nem pra falar de vinho, nem de cerveja, é um post bem clichê mesmo. É somente um post de Feliz Aniversário! 😀

Um grande chileno: EPU 2008

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Foto de celular à noite é uma desgraça...

Eu adoro cozinhar. Na verdade adentrei ao mundo dos vinhos pela porta da  gastronomia. Por conta dos programas de Claude Troisgros e Atala, das aulas, dos livros e revistas de gastronomia. Mas tenho que confessar que tenho cozinhado quase nada! A preguiça me consome! O que é bem frustrante tendo em vista que cozinhar pra mim é um exercício de muito prazer. Mas outro dia discorro mais, muito mais, sobre este assunto que merece posts específicos, afinal comida e vinho é a mais completa combinação.

Tudo isso posto para dizer que a cozinha da minha casa agora fica na esquina da minha rua e atende pelo nome de Speciali! É uma pizzaria bem charmosa, com pizzas cheias de bossa e algumas entradinhas legais. O serviço e o ambiente são ótimos e a carta de vinhos do restaurante é muito boa, e feita corretamente, uma exceção ainda hoje!

Mas nesta noite de terça, a carta do Speciali foi deixada de lado e levamos o vinho! Compramos o EPU no lançamento da safra 2008 no www.wine.com.br. Trata-se do “segundo vinho” da vinícola boutique Almaviva, do enorme grupo Concha Y Toro. A expectativa era grande, afinal o Almaviva é um rótulo de imponência aos chilenos. No rótulo faz-se referencia ao corte bordalês com predominância da Cabernet, mas não informa quais outras cepas participariam. Eu acredito que tenha um pouco de carmenere, por fazer parte historicamente do corte bordalês embora não exista mais na França, só no Chile. Graduação alcoólica relativamente alta 14,5%, seria a presença de merlot?

Mas que grande Cabernet! Muito escuro (seria a Merlot?). Bastante aromático. Demos algum tempo de taça a ele mas nem era necessário tanto. Aromas típicos da cepa: pimenta do reino, pimentão. Muita fruta madura e também aromas terciários incluindo baunilha. O vinho em boca é um veludo (seria a Merlot novamente?), com o ataque típico da Cabernet. Discorremos sobre a diferença do “aveludado” em um cabernet e o “aveludado” de um Pinot Noir por exemplo, como o ataque e persistência posterior é diferente. É um vinho de bom corpo, que acompanhou bem a pizza de calabresa de javali, mas que com uma bela carne de churrasco seria perfeito! Taninos muito elegantes e acidez perfeita. Sem dúvida é um vinho equilibrado, harmônico.

Terminamos a garrafa do EPU com aquela sensação de querer mais que só os grandes vinhos proporcionam, e discutindo se seria um vinho que melhoraria com o tempo de guarda, daqui pra frente. Pra mim trata-se de um vinho PRONTO, que tem longevidade claro, mas não acredito que ganhará com o tempo na garrafa. Bem, acho que essa foi a única discordância da noite… 😉

Para o EPU 4 taças seria pouco. Mas 5 taças o colocaria como vinho perfeito, o que para os tintos especialmente, é bem complexo. Portanto além de didádico, as 4 taças e meia acabam por o defininir muito bem! A meia taça faltante é o misterio do que “ainda falta” neste grande rótulo!

*R$ 190 (www.wine.com.br)

CHILE

Bordeaux. Os sempre clássicos Crus…

Eu juro que evitei escrever este post. Mas não deu. Não queria falar de Bordeaux tão cedo no blog, mas convenhamos que é bem difícil deixar passar esses grandes clássicos, e como esta degustação aconteceu em novembro não poderia deixar “virar o ano” sem falar dela. Essa degustação foi organizada pela Adega Tio Sam (Salvador/BA) para a promoção dos rótulos Grand Cru Classé que eles estão importando agora com exclusividade. A degustação foi conduzida por Rafael Puyau de maneira bem didática e contou com a presença de membros da ABS-BA e enófilos.

A classificação oficial dos vinhos de Bordeaux aconteceu em 1855, quando foram classficados 58 châteaus (vinicolas) em 05 crus: Premiers Cru, Deuxièmes Cru, Troisièmes Cru, Quatrièmes Cru e Cinquièmes Cru. Esta lista sofreu pouquissimas alterações de lá pra cá, e hoje conta com 61 châteaus.

Para esta degutação foram quatro rótulos, só faltou um Premier Gran Cru:

  • Deuxième Crus: Château Gruaud Larose 2005 | Saint – Julien (R$ 430,00)
  • Troisième Crus: Château La Lagune 2005 | Haut – Médoc (R$ 590,00)
  • Quatrièmes Crus: Château Prieuré – Lichine 2007 | Margaux (R$ 210,00)
  • Cinquième Crus: Château Lynch-Bages 2007 | Pauillac (R$ 520,00)

Impressionante o padrão dos vinhos. Sejam os aromas, o ataque em boca, a elegância. Todos sofremos para classificá-los em ordem de preferência. A degustação foi bem pensada: pequena variação nas safras (2 rótulos 2005 e 2 rotulos 2007), quatro AOCs distintas, as porcentagens dos cortes variavam pouco dentro do corte bordalês (Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Petit Verdot). Eu jurava ter adivinhado o vinho com maior participação da Merlot (minha uva preferida, que vai merecer um post só dela), mas errei feio. 😛

Uma ponto que levantei, e que acredito ser uma boa discussão sobre os vinhos de Bordeaux, foi a facilidade no degustar. Infinitamente “mais fáceis” que os Barolos e Brunellos italianos de safras próximas. Muito aromáticos, mesmo sem tanto tempo de taça (apenas um deles sofreu mais) nos lembrou o padrão “Novo Mundo”, que foi de certa forma imposto por Robert Parker. Seriam os classudos Bordeaux se rendendo a “parkerização” na enologia?

Engraçado que no ranking (a degustação foi às cegas) o vinho que teve a última colocação foi justamente o mais caro, foi o que precisou de mais tempo na taça e tinha os taninos menos domados. Certamente deve ser o mais longevo. Mas verdade seja dita, o nível dos vinhos é muito equiparado.

Fato é que degustar bons Bordeaux é ser transferido imediatamente à França. É sentir em cada gole o terroir totalmente distinto de qualquer outro lugar que produza vinhos e que utilizem as proporções do corte bordalês. Não tem jeito: reverência à França e sua história enológica sempre!