Defeitos do vinho

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Quem nunca pensou “Mas que pedante!” ao ver alguém cheirando a rolha do vinho num restaurante? Clichês e cenas a parte, os defeitos dos vinhos realmente existem. Aquela sensação de que o “teste” do vinho na mesa (quando e servida a primeira “dose”) não passa de encenação deve deixar de ocorrer.

Graças às melhorias nos padrões de produção e armazenagem é mais difícil hoje em dia precisarmos devolver um vinho, mas é possível que ocorra.

A rolha é o começo de tudo. Por ela podemos ver se houve por exemplo vazamento do ar/vinho e consequente oxidação do mesmo. Já tive este desprazer de experimentar um vinho oxidado. Neste caso trata-se um defeito na vedação.

Os defeitos podem ser de consequência visual apenas (cristais na garrafa, vinho turvo) que normalmente são evitados nas filtrações após a vinificação. E existem os defeitos que comprometem os aromas e paladar do vinho:

1) cheiro de mofo: provém do vinhedo. Ocorre quando uvas infectadas sao vinificadas acidentalmente. Um controle de qualidade rígido na separação dos cachos evita este defeito.

2) ácido acético (vinagre): o vinho “avinagra” por acao de bactérias remanescentes da ultima fermentação. Estas bactérias deteriorantes degradam o açúcar residual do vinho agregando-lhe o aroma acético.

3) aroma de madeira “enjoada”, desagradável: devido a contaminação por leveduras das barricas e tanques de carvalho não esterilizados corretamente.

4) bouchonée ou “gosto de rolha”: o TCA é uma substancia química proveniente da reação de fungos presentes na cortiça com alguns produtos desinfectantes. O TCA ofusca os verdadeiros aromas do vinho dando-lhe cheiro de papelão molhado. Considera-se que 5% dos vinhos vedados com rolha estejam contaminados pelo TCA.

Não gostar do vinho não é motivo para devolve-lo. Precisamos identificar os reais defeitos, e para isto poder contar com a ajuda de profissionais que possam atestar tratar-se de um vinho defeituoso.

Ah! Que estes vinhos sejam raros nas nossas degustações! 😀