O “quanto” beber. Beber pra que?

Um confrate dos vinhos, com quem consegui ter conversas bem intensas, me disse na nossa formatura no curso de sommelier: “Gabi, quando a gente conhece alguém tem que ter em mente que aquela pessoa carrega muito mais do que aquilo que ela mostra ou diz. A gente precisa estar preparado, porque muitas vezes aquilo que ela esconde é a pior parte.”

Pensando num post sobre o “beber conscientemente”, que a tempos queria escrever, me lembrou esta frase. Não, não vou pagar uma de politicamente correta, mas acho sim que existe uma certa banalização e hipocrisia no consumo do álcool. Todos ficam chocados com os acidentes envolvendo pessoas alcoolizadas, mas há de certa forma uma conivência “socialmente estabelecida” com o se embriagar, com o drogar-se legalmente.

Quando me refiro ao consumo exagerado de álcool não estou falando somente do dirigir mas especialmente da questão social, e individual, imbuída aí.

Todos sabemos o qual sociável é o álcool, nos possibilita contatos, sensibiliza. Mas porque necessitamos de quantidades tão cavalares para que tenhamos a sensação de que a bebedeira valeu a pena?

No twitter, aos domingos, sempre lemos as mesmas postagens: “Ressaca é para os fortes“. Longe de mim querer parecer falsa moralista, afinal de contas quem nunca extrapolou projetando na bebida tantas outras coisas? Mas acho sim que essa dependência pelo estar-ébrio-para-estar-feliz deve ser ao menos refletida. Gente desejando o fim de semana para poder esbaldar-se e outras que fazem questão de esbravejar: “nao bebo durante a semana, só nos fins de semana”. Aí obviamente escancarando o caráter sem limites no consumo do álcool.

O vinho me trouxe muita coisa boa. Hoje vejo claramente a participação e importância deste agente alcoólico nos momentos, o que ele agrega. Momentos em qualquer dia da semana. Talvez por ser uma bebida menos óbvia, e cheia de nuances, tenha me conquistado e me levado ao divertir-me que transcende em muito o embriagar-se.

A felicidade deve estar nos momentos ébrios e sóbrios, no trabalhar e no ócio. Penso que tentar desvincular estes rótulos e classificá-los em PESAR versus DIVERSÃO, só traz dependência. Nao necessariamente dependência física, mas psicológica, de um agente que “””deveria””” agregar VIDA à VIDA, a vida sem classificação. Aquilo que esta acontecendo agora, independente de que dia da semana ou que horas são. Aquilo que está acontecendo agora, enquanto digito este post…

20111218-182336.jpg

2 ideias sobre “O “quanto” beber. Beber pra que?

  1. Perfeita a análise. Afinal, quanto de nossas crenças, padrões de comportamento e verdades foram frutos de uma ponderação sincera e profunda, e quanto foi somente o “Ctrl+c e Ctrl+v” de uma cultura vigente, hipócrita, auto-destrutiva, individualista e alienante?

Comentários encerrados.