Pericó: O icewine brasileiro

Este post tem um peso especial. Além de tratar-se da avaliação do icewine brasileiro, que por sinal eu ainda não degustei (inveja mode on), o post foi escrito pelo amigo sommelier Edgar Fedrizzi, colaborando para o IN VINO VERITAS em grande estilo! Seja MUITO bem-vindo Edgar! 😉

O brinde com o primeiro “vinho do gelo” de um país tropical!

Com um terroir peculiar, a Pericó preparou com antecedência o solo, retardou a colheita, desbastou os cachos e com paciência franciscana esperou que El Ninho antecipasse o inverno e os tão esperados -7,5°C. Em Junho de 2009, Bacco intercedeu e na madrugada mágica se fez a colheita para a produção do primeiro icewine brasileiro. Daí pra frente começou o trabalho do enólogo no “aliar-se” à natureza, para produzir este vinho único, que descansou 12 meses em barricas.

Recentemente tive a oportunidade de degustar esta raridade, que se diferencia já pela apresentação. Uma embalagem elegante e funcional. Dentro uma cápsula metálica gravada em relevo, um livreto com a história, outra cápsula com uma taça de cristal personalizada, especial para vinhos licorosos, e uma reprodução de uma obra de arte de Tereza Martorano mostrando através da arte naif, a visão da artista do panorama da colheita. Uma apresentação primorosa.

Abrindo a embalagem, somos brindados com um recipiente
elegante (200ml), digno dos mais sofisticados perfumes. Ainda na garrafa o vinho já mostra suas qualidades, o vidro branco permite a visão de um liquido rosa/castanho brilhante. Aguardo com ansiedade a temperatura de serviço indicada (9°C a 11 C). Sirvo. A luz transversal ressalta o brilho e a limpidez. No nariz uma profusão de aromas, frutas secas, nozes, ameixas negra, chocolate, que nem de longe lembram a sua origem: cabernet sauvignon. A ficha técnica anuncia 85gr de açúcar, que é completamente equilibrado pela acidez e temperatura de serviço. Com uma grande persistência, nos convida a beber mais. E depois de tudo os aromas de fundo de taça: figos secos e chocolate.

Nas dicas de harmonização, ele é classificado como vinho de sobremesa. Vou além, me alio a Karl Kaiser: um vinho do gelo é a própria sobremesa.

Evitei comparações (inclusive de preço) com outros icewines. Foi uma experiência com um vinho inusitado, pela sua origem fora da Alemanha e Canadá. Uma experiência positiva. Pena que não é possível comprar apenas o vinho, o que melhoraria a relação custo x beneficio. Porém, mais do que uma proposta comercial, me parece a realização de um sonho de seu produtor, o que deve ser respeitado, afinal sonho não tem preço. Já este nos custa R$ 180, a garrafa.

Por Edgar Luiz Fedrizzi Filho – Sommelier FISAR

2 ideias sobre “Pericó: O icewine brasileiro

  1. Caro Edgar boa tarde,
    Respeito sua opinião sobre o referido vinho, mas a minha impressão não foi nada boa sobre o mesmo. Já tive a oportunidade de prová-lo em duas ocasiões e nas duas tive o mesmo conceito. Se é Icewine acho que se deve compará-lo com outros que também o são. Achei que esse vinho está mais para um Moscatel que para Icewine. Sua apresentação é primorosa, mas no Brasil se produz de Pinot a “Porto” com a tendência de achar que são todos bons. Infelizmente não basta as uvas congelarem naturalmente para se fazer icewine, dificilmente conseguiremos a acidez dos canadenses e alemães, e na minha opinião, a falta de acidez é uma das falhas desse exemplar nacional, que é mais uma curiosidade que um verdadeiro icewine.
    Caso queira ver uma postagem que fiz sobre o mesmo acesse:
    http://www.decantandoavida.com/index.php?option=com_content&view=article&id=324%3Aprova-do-icewine-perico&catid=1%3Aartigos-posts&Itemid=1

    Forte abraço,

    Eugênio Oliveira

    • Boa tarde Eugênio!

      Vou me intrometer. 🙂
      Concordo contigo sobre como o “fazer algo novo” acaba assumindo um papel de café-com-leite quando falamos de vinho. Se a proposta é de um icewine deve ser avaliado assim.
      Eu nao provei este vinho, mas ja tinha lido a sua e outras opiniões sobre o mesmo. E neste texto de Edgar ficou muito claro pra mim que pra ele valeu a experiência de um rotulo inusitado. Nem nota ele deu.
      De toda forma acredito que é através dessas nossas experiências, boas e nao tão boas, que podemos fomentar o desenvolvimento de melhores rótulos aqui no Brasil.
      Confesso que prefiro quando se esmeram em melhorar o que já existe e nem é tão bom, ao invés de inventarem ~algo novo~ .
      Mas enfim…
      Abs,

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