Terroir: O vale do São Francisco

Me lembro bem quando criança e viajámos de carro nas férias eu, dois primos e um tio, de Garanhuns (agreste pernambucano) a Petrolina (sertão pernambucano). Chegando em Petrolina avistávamos os vinhedos e tinham as paradas estratégicas para tomar o suco de uva e comprar geléias. Dentro deste contexto falar do Vale do Rio São Francisco tem uma pegada bem nostálgica pra mim, como boa pernambucana que sou!

O que acontece no Vale do São Francisco é que devido a ausência de inverno, as plantas estão sempre em atividade

João Santos, agrônomo da ViniBrasil (detentora da marca Rio Sol)

Pois bem, essa é a melhor forma de definir este terroir tão atípico. Fora das latitudes onde geralmente de produz vinhos, com sol o ano inteiro, é a única região do mundo onde se produz duas safras ao ano! A produção vitivinicola teve início na década de 70 e hoje o Vale do São Francisco só perde para o Rio Grande do Sul na produção de vinhos finos no Brasil.

Na serra gaúcha todos falam do Vale com alguma reticência. Com respeito, mas reticente. É de se entender: claro que uma videira que produz uma safra por ano “””deve””” conferir maior qualidade aos frutos do que aquela que produz duas vezes ao ano. Isso é um fato, mas nem por isso desmerece os vinhos do Vale. Tem que se entender os vinhos produzidos lá dentro desta particularidade local.

Grandes grupos nacionais e internacionais se estabeleceram por lá, trazendo a expertise, no manejo dos vinhedos e na enologia. Produzindo bons vinhos, inclusive uma boa parte já é exportada. Se produz Moscatel, Chenin Blanc, Sauvignon Blanc, Syrah, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Touringa Nacional entre outras castas. Fala-se muito bem do Rio Sol Reserva Syrah de 2005, infelizmente não tive oportunidade de experimentar.

Confesso que quando abro uma garrafa do Vale sempre testo logo a acidez, é que se os produtores deixassem o vinho só pela ação da natureza as uvas seriam muito doces e pouco ácidas por conta da ação perene do sol na maturação. Seriam produzidos vinhos fortes, porém pouco ácidos, chatos. Mas a enologia utiliza o processo de acidificação para equilibrar os tintos (principalmente) e o brancos. Esse procedimento nao é aceito em todos as regiões mundo, mas em Bordeaux e Borgonha é utilizado nas regiões mais quentes, que sofrem com este mesmo problema.

Faço questão de tomar e propagar os vinhos do Vale, por que sou bairrista mesmo. 😛 Brincadeira… Na verdade acredito muito no desenvolvimento da economia local fomentada pela valorização daquilo de bom que esta sendo produzido próximo a nós!

Há bons vinhos do Vale que compensam a experiência. Especialmente para perceber as diferentes sensações dos vinhos produzidos em uma região vitivinicola desbravada em pleno sertão pernambucano, que certamente poucos apostariam, e que como por capricho hoje já ocupa posição de destaque no cenário dos vinhos brasileiros.

A propósito: gosto muito do label Rio Sol. Acho que conseguiu imprimir a metáfora perfeita para os vinhos do Vale: água do Rio São Francisco + Sol o ano inteiro!

3 ideias sobre “Terroir: O vale do São Francisco

  1. É to achando que isso foi um recado para mim…FOI MAL! De novo né…mas dexei essa tarefa para Priscila Valente Magalhães e sei que ela não vai falhar! Bjs.

  2. Claro que eu, a eficiencia em pessoa (risos) consegui trazer os vinhos para abastecer a nossa enófila predileta!!!! Como pode uma pernambucana legítima, não opinar sobre os vinhos produzidos no Pernambuco!?!? Só falta colocar a mão na massa, ou melhor a mão na taça!!!! Beijo

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