Como guardar os vinhos

Continuo inebriada numa estafante rotina de eletricista, instalador, limpezas, mudanças. Mas nem eu aguento mais esse assunto, que hoje parece dominar todos os espaços da minha agenda. Bem… menos na noite de ontem. 🙂

Mais uma aula do curso de sommelier (pelo menos lá consigo degustar algum vinho!) sobre manejo, vinhas, podas… Mas pra mim o ponto alto da aula de ontem (incrível como as aulas tem sido de intensidade ímpar!) foi sobre a guarda dos vinhos.

Todo mundo ouve falar para guardar as garrafas sempre deitadas, pra não ressecar as rolhas, evitar oxidação, etc, etc. Não é assim? Ontem essa regra foi quebrada. As rolhas são materiais elásticos e que sofrem dilatação e retração com as mudanças de temperatura e desde que não hajam grandes mudanças de temperatura ao longo do dia (como nas adegas climatizadas) pode-se sim acomodar as garrafas em pé. Com temperatura constante não haverá esse movimento de dilatação/retração e portanto não haverá risco de entrada de oxigênio, e consequente oxidação, nos vinhos. Caso contrário vale a regra da garrafa deitada, pois a rolha sempre úmida minimiza dos efeitos da temperatura na rolha.

Discutindo sobre guarda é engraçado perceber como as pessoas que gostam de vinho tem prazer em “guardar” e “esperar” os vinhos. Confesso que não é a minha. Talvez seja minha ansiedade, eterna e incorrigível. Minha curiosidade em experimentar é sempre maior do que a de guardar “grandes jóias”. As garrafas que estão na minha adega só estão lá porque ainda não tiveram oportunidade de serem bebidas. NENHUMA delas está “em guarda”, estritamente falando.

 

“A melhor forma de guardar vinhos é na LEMBRANÇA!”

Essa frase proferida por Santanita, nosso professor do curso, tem muito a ver comigo. Pois pra mim maior felicidade está em ver a rolha do vinho. Muito mais do que ver o vinho guardado na adega…

Mudança!

Tenho desejado um belo vinho. Ou somente uma refeição decente.
Tenho desejado ler e escrever, como de costume.
Tenho desejado uma noite de sono.

Mas… esta semana, na sequência de uma semana tão cheia de vinhos, está e vai continuar sendo pesada. Um mudança para o apartamento da frente, com toda a dor de cabeça que isso pressupõe. Horários de almoço e horas de descanso e sono despendidas em transferir o todo, que não é tanto, mas é bastante coisa.

De certa forma esta mudança, que está sendo um belo transtorno, é também uma forma de repensar, de finalmente avaliar tudo que literalmente entulhamos sem nem perceber. Hora de jogar no lixo o que é lixo, e deixar aparecer aquilo que realmente tem valor.

A metáfora da mudança sempre me faz bem. Como em ciclos.
A adega já está em seu novo lugar, e espero que algumas mudanças nela também ocorram! Bem, pelo menos o vinho do open house já está escolhido! 😀

Um rosé de Provence

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Vou confessar que nunca havia degustado um verdadeiro rosé, de Provence. A oferta de rosés no Brasil é bem restrita e nós acabamos por restringir ainda mais as ocasiões para degustá-los.

Outro dia, de maneira inédita, um amigo defendeu seu gosto pelos rosés e fiquei refletindo sobre a vida ingrata que esses rótulos levam. Como verdadeiro meio termo, paradoxalmente acaba mais se restringindo do que se ampliando. Quem quer um tinto nunca vai abrir mão dele em favor de um rosé. Já quando o branco se adequa mais, poucos trocam ele por um rosé.

Eu gosto muito da cor e da complexidade que ele agrega ao que seria um branco, e é mesmo mais versátil nas harmonizações. O rótulo de hoje foi degustado sem comida e sob o sol. 😉

O vinho: Domaines Ott Chateau de Selle Rose 2010.

Elaborado com Cabernet Sauvignon, Grenache, Syrah e Cinsault (também conhecida como Hermitage), o vinho frustou um pouco. Na taça ele é um salmão, bastante límpido, diferente dos rosés de fato rosados. No nariz ele é muito elegante mas sem tanta persistência, bastante fruta branca e um pouco floral. Com 13 graus de álcool, na boca achei ele meio sem ataque, considerando tratar-se de um rose de Provence vinificado com castas tão robustas. Faltou a acidez mais marcante no final (estou com a sensação de que a acidez tem sido uma espécie de divisor de águas para o meu gosto pessoal). A persistência é média.

É um bom rosé para bebericar despretensiosamente, com comida leve, muito leve, sem grandes firulas. Só não sei se vale a pena pelo preço dele no Brasil, não o encontrei em nenhuma loja on-line nacional.

* $ 39 na www.wine.com (não vende para o Brasil)

FRANÇA

APPs de vinhos, e voltando à antiga maneira…

Eu ando numa briga ferrenha com o iPhone. Uma bateria que não dura nada e que me deixa na mão quando mais preciso. E olhe que a última função dele tem sido telefonar! Há tempos queria falar dos apps, mas os estresses que andei passando com o telefone até me fizeram parar de baixar as novidades. Deixei de fotografar alguns vinhos interessantes por falta de bateria. Ontem finalmente recebi uma bateria extra, portátil, que comprei pra tentar minimizar esses eventos. Vamos ver!

Já baixei muita coisa sem sentindo e outras bem óbvias, como apps de revista e de importadora (o da Mistral para iPad é muito bom). Aqui preferi mostrar o que achei mais interessante.

Wine (free): É uma espécie de portal com notícias do vinho a nível global, produzido em Portugal. Acho bem legal pra saber as novidades e pautas sobre o assunto. Tem todo tipo de matéria, é uma boa forma de se atualizar sobre o mercado.

Vintage Chart (free): Essa é a tabela de safras da famosíssima Wine Spectator. Eu acho legal pra consultar, especialmente porque há a referência de guarda para as safras das mais diversas regiões produtoras do mundo e inclusive informando se já estaria na hora de degustar!

Wine Tag (free): Esse nunca usei porque simplesmente nunca vi um vinho seque com QRCode. 😛 Trata-se de um sistema de avaliação de rótulos e sei que muitos restaurantes em São Paulo usam ele para tornar a carta de vinhos mais iterativa, mas eu sinceramente ainda não achei muito uso pra mim. Confesso que essas avaliações em “nuvem” não me interessam muito. Qual a confiabilidade delas? Nenhuma. Ainda não deletei porque fico na expectativa de um dia conseguir usá-lo ou talvez entendê-lo melhor!

Corkbin (free): É uma rede social de vinhos. Lá o esquema é como no twitter: você segue as pessoas, as pessoas lhe seguem. A idéia é ir postando os vinhos, compartilhando com os seguidores. Tinha tudo pra ser ótimo mas a interface de publicação é muito restrita: só dá pra postar a foto do rótulo e alguns caracteres (não mais do que 200, imagino) na descrição.

S-Bordeaux (free): é um aplicativo que promete consolidar todos os vinhos de bordeaux. No entanto eu não consegui encontrar nada além de um Gran Cru Classe que tenho na adega. O legal seria se eles ampliassem para os bordeaux “não classificados”, que é a maioria no mercado.

Smart Cave (€ 3,99): comprei esse, após avaliações positivas na rede, para administrar minha adega até descobrir que ele é… em francês. Não entendo nada, aí foi logo abandonado. Não custava nada ter uma versão em inglês, né?

Vinos Repsol (free): Guia de vinhos espanhóis classificados por tipo, pontuação, safra, preço (em euros), região. Há uma breve descrição de cada vinho, indicação de guarda, de temperadura e de harmonização. As pontuações 0-100 são em duas cores (vermelha ou azul) não tem referência de autoria, de quem avaliou. Vale a pena para quem gosta dos rótulos espanhóis.

Enoblogs (free): o aplicativo do enoblogs está meio “caduco” mas é lá que que se encontram todas as postagens dos blogs brasileiros sobre vinhos, inclusive deste blog! 😉

 

Já o Wine Notes é o meu queridinho. Também é free e perfeito para administrar a adega. Dá pra colocar toda as informações dos vinhos, inclusive quantidade em estoque, e você pode classificar e escolher o que quer beber de acordo com vários critérios: país, uva, safra. Com ele você consegue visualizar bem o que tem. Não tem jeito, quanto mais rótulos a gente vai comprando mais vai perdendo a noção do que está em adega.

No Wine Notes é possível também catalogar todas as informações de degustação como aromas, sabores, taninos, acidez, nota… Realmente muito completo e achei que tinha resolvido minha vida, mas ele não funciona quando você está com outras pessoas degustando o vinho. A não ser que você queira parecer anti-social e geek ao telefone enquanto os outros socializam, a louca enochata. A solução que encontrei para completar meu wine notes, e não parecer tão anti-social, foi voltar à velha moda da caderneta. Como boa engenheira sempre tinha um caderninho na bolsa, agora o que carrego é o moleskine de vinho que ganhei de Natal e que já é peça fundamental no meu ritual dos vinhos. Recomendo! 😉

Muita pauta e pouca produção

Passar uma semana em São Paulo, mesmo que a trabalho, muda de maneira considerável a rotina de quem se julga muito disciplinada. 😛 Eu não consegui manter a sequência de postagens por pura falta de rotina. O tempo de escrever passou batido.

Nesta semana foram muitos vinhos, inclusive o Amarone já postado, e menos restaurantes do que gostaria. Ir a São Paulo é sempre a sensação de estar perdendo muita coisa. A cidade é repleta de opções para os amantes dos vinhos, da boa mesa, dos bons programas culturais, e minha lista de lugares a conhecer cresce mais rapidamente do que a lista de os lugares que conheci.

Como avaliações não faltam, espero voltar a colocar o blog em dia. Pelo menos até a próxima ida à São Paulo, que espero seja breve, muito breve.

A efervescência espanhola

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No Brasil a importação de vinhos espanhóis ainda é tímida, considerando que a espanha é o terceiro maior produtor mundial de vinhos, perdendo apenas para a Itália e França. E mais engraçado perceber que quando se fala em vinho espanhol vem sempre a tona o grande rótulo Vega Sicília. Clássico e imponente como manda a fama e tradição. Mas há tempos a Espanha é muito mais do que somente o Vega Sicília.

Neste contexto, preciso pontuar a classificação oficial dos vinhos espanhóis que é um caso a parte. Pois ao mesmo tempo que facilita pode criar alguns confusões de “qualidade”.

Os vinhos Crianza (não confundir com vinhos jovem, significa “criado” em madeira) devem estagiar por 6 meses em barricas e 18 meses em garrafa. Já os Reserva vão estagiar 12 meses em madeira e mais 24 meses em garrafa. Os Gran Reserva, que seriam o topo da pirâmide, estagiam 24 meses em carvalho e 36 meses em garrafa.

Importante lembrar a história vinícola mais antiga da Espanha, especialmente em Rioja, onde se produziam vinhos mais brutos com muita presença de madeira, neste caso barris reutilizados de carvalho americano, que descaracterizam a tempranillo e conferiam aos vinho um caráter pouco elegante com aromas de couro inclusive, desagradáveis. Era o velho estilo dos vinhos espanhóis e que ainda podem ser encontrados. Com a mudança e evolução enológica que o país passou, focou-se mais na extração em si, maturação adequada, fermentação controlada, onde conseguiu-se extrair o caráter frutado que vemos hoje, quase que tornando o vinho espanhol um meio termo entre os austeros do “velho mundo” e os potentes do “novo mundo”. E Robert Parker, grande admirador dos espanhóis, foi uma peça importante no crescimento do mercado vinícola espanhol ao conferir notas bastante altas aos rótulos de lá. Não vou entrar no mérito dos critérios dele, não agora.

Estes “novos” vinhos não necessariamente precisam de tanto carvalho e tempo de garrafa para mostrar seu auge, e é por isso que nem sempre a classificação “hierárquica” do modelo espanhol funciona como sinônimo de qualidade. Cada uva, cada safra e cada modelo de vinificação proposto pelo enologo vai demandar um tempo de espera diferente. E essa é uma das grandes questões da enologia. Foi-se o tempo em que maior estágio em carvalho era sinônimo de maior qualidade.

Todos os níveis da classificação tem bons vinhos e o embate entre eles é bem interessante, conforme minha ultima tentativa. Na verdade, nos vinhos de mais tempo de espera (Reserva e Gran Reserva) ainda há o risco de encontrar os “velhos tipos” de Rioja: excesso de madeira (velha) e pouca elegância. E para descobrir, sem conhecer a vinicola, só há uma coisa a fazer: degustar. O que não será esforço algum, afinal de contas a Espanha anda nos trazendo de fato grandes vinhos.

E o riesling que deveria estar aqui?

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A grande questão nesse vinho foi se ele merecia duas ou apenas uma taça na avaliação. Tudo bem que ele veio na seqüência do Amarone, mas num outro contexto.

O vinho: Dönnhoff Riesling Trocken 2009

Seria um vinho pra acompanhar uma comida leve, e eu estava na pilha por um riesling. No restaurante Rascal esse era o único riesling da carta de vinhos, um riesling alemão. Nao tinha como duvidar. Mas… que fracasso. Como riesling ele era um razoável sauvignon blanc. Eu ainda insistia: “calma, vamos dar um tempo em taça para ele abrir”. Que nada! Apesar de aromático, e sem o aroma de querosene característico de muitos rieslings e que me desagrada (tem aquela questão de ser ou não um defeito), faltava a potência aromática tão típica e famosa dessa casta. Na boca era ligeiro, sem grandes atrativos. Ainda faltava um tanto de acidez, nem frescor suficiente ele trazia.

Pra mim esse vinho tem quase defeito na vinificação. Nao mostrou a característica do varietal. Mas como pode ser um blend com outras castas, nao tinha isso no rótulo, achei por bem lhe conceder 2 taças. E tenho certeza que fui boazinha, complacente, coisa que normalmente não sou. Talvez tenha sido a influência do Amarone anterior. 😉

* R$ 114 no Rascal (São Paulo)

ALEMANHA

E no domingo, um Amarone!

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Eu tenho uma relação de amor e ódio por São Paulo. Na mesma proporção. Nunca morei aqui, mas São Paulo sempre me trouxe aquela sensação de que é bom, mas só de vez em quando… Mas olha, esse domingo tive que abrir mão. Nunca fui tão bem “ciceroneada” como neste domingo.

É até difícil pra mim falar do vinho de hoje (na verdade houve um segundo vinho, que fica pro próximo post) porque quem me conhece sabe: é o meu vinho, meu estilo de vinho. Eu só ouvi: “Tenho um presente pra você. Acho que vai gostar”. De repente me vejo numa livraria, repleta de livros de vinhos e gastronomia, e com um Amarone de presente. Melhor impossível. Coisa de gente que me conhece…

O vinho: Amarone della Valpolicella Clássico Campo Casalin 2006

Bebemos a garrafa sem qualquer acompanhamento, só longas conversas sobre a vida, e sobre vinhos. Embora em vários momentos pensei numa carne suculenta, com muito molho, cozida lentamente, que acompanharia maravilhosamente. Pena que o autor do presente é vegetariano, porque esse vinho pede uma comida encorpada. 😛

O vinho é muito bom. 15,5% de gradação alcoólica, mais alta que os vinhos “normais”, tendo em vista que o Amarone é um vinho elaborados com uvas desidratadas após a colheita, concentrando o açúcar desta forma, e só então vinificadas. São elaborados com as castas italianas corvina, molinara e rodinella. O vinho é extremamente estruturado, de bom corpo, cor granada, taninos mais que presentes e acidez equilibrada. Esse 2006 ainda ficaria uns quatro anos na adega, fácil. É um vinho complexo. Aromas de frutas maduras, presença de baunilha e uma persistência instigante. Um presente que recebi e que só pude agradecer com a felicidade de quem degusta aquilo que melhor lhe representa.

O Amarone é meu vinho. Descobri através um amigo sommelier, que numa bateria de prova me disse com toda a certeza do mundo: “Gabi, esse é o teu vinho. Prove.” Certo ele. Hoje quem me conhece sabe. Quer me deixar perdida numa degustação? Me dê um Amarone. É um vinho que me perturba num grau altíssimo. Não consigo ser imparcial perante ele. É um caso de paixão a primeira vista, e que jamais será superado!

* embora tenha sido presente achei por R$ 227 na www.vinhocracia.com.br

ITÁLIA

No sábado, a velha carmenere

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Nada como um sábado de sol para arrebatar uma noite de sexta ingrata. Tudo bem que nem foi um dia de sol e ainda teve trabalho. Mas um almoço tardio num dos lugares que mais adoro em Salvador já foi suficiente para levantar o dia.

E eu fui clássica. Clássica e simples. Fui sem medo de errar na casta que pra mim significa uma palavra: conforto! Devotei durante muito tempo uma paixão intensa pela carmenere. E há bastante tempo não a trazia pra mesa, meio que evitando aquela presença que foi tão massante nas minhas escolhas.

Mas hoje era o dia dela voltar a tona, de maneira singela.
Vinho conforto.
Lugar conforto.
Companhia conforto.

O vinho: Carmen Carmenere 2009.

A Carmen foi a primeira vinícola a trazer de volta a carmenere, que hoje é a casta símbolo do Chile. Esse é o vinho de entrada deles. Selado com screwcap denotando o caráter jovem, pra ser bebido jovem.

Cheirei o vinho incansavelmente meio que lembrando daquele aroma tão frutado, frutas vermelhas maduras especialmente, dos vinhos do “novo mundo”. Quando finalmente bebi o primeiro gole, sorri. Sorri e brindei como quem reencontra um velho conhecido. Na boca é um vinho ligeiro, taninos macios, acidez equilibrada e aquele retrogosto que conhecia bem. Este é um vinho fácil, correto, sem grande complexidade. Acompanhou bem as entradinhas mas com o beef de tira no ponto, do Baby Beef da Gamboa, foi perfeito.

Tem dias que tudo que a gente precisa é isso. Se recuperar. Nada de grandes pretensões. E este Carmen de hoje se encaixou mais que perfeitamente. Voltei pra casa depois de conversas leves, amenidades, risadas e 3 porta-vinhos que ganhei de presente. Nada mal… 😉

* R$ 40 na www.adegacuritibana.com.br

CHILE

Na sexta, embate com tempranillos

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A sexta foi de dois espanhóis potentes, cheios de vida. Um belo embate entre Rioja e Ribera del Duero, um de 2001 e o outro de 2006. Ambos os cortes com predominância da típica espanhola: tempranillo. Importante lembrar que a tempranillo é a mesma casta que em Portugal chama-se Tinta Roriz e também Aragonês.

– Beronia Reserva 2001
– Condado de Haza Crianza 2006

A noite prometia MUITO. Saída do trabalho, belos vinhos, ótimo lugar (o querido Speciali), boa comida, excelentes companhias. Mas como diz a máxima do twitter “a sexta sempre promete… mas nunca cumpre“. Foi o que aconteceu. Eu imaginando curtir ótimos rótulos, e pensando no material pro blog, percebendo todas as nuances do belíssimo embate cujas diferenças, perante as semelhanças, são bem claras: a diferença aromática, persistência, carga tânica, retrogostos, o terroir. Quando de repente a noite… desandou, perdeu todo o sentido, perdeu o embate.

Nao tem jeito. Vinho é isso. É estar confortável. É estar de bem. Parafraseando Ortega y Gasset: “Somos nós e nossas circunstâncias”.

Em respeito aos vinhos da noite fiz questão de não avaliá-los. Eles não mereciam qualquer reticência do meu ~estado de espírito~.

Esta foi a noite de dois grandes vinhos. Sem notas porque não estive à altura deles. Só posso deixar aqui, como forma de me redimir, minha reverência a eles na expectativa de uma nova e melhor oportunidade!

* R$ 100, o Beronia Reserva na www.wine.com.br (safra 2006)
* R$ 116, o Condado de Haza Crianza na www.mistral.com.br (safra 2007)