A efervescência espanhola

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No Brasil a importação de vinhos espanhóis ainda é tímida, considerando que a espanha é o terceiro maior produtor mundial de vinhos, perdendo apenas para a Itália e França. E mais engraçado perceber que quando se fala em vinho espanhol vem sempre a tona o grande rótulo Vega Sicília. Clássico e imponente como manda a fama e tradição. Mas há tempos a Espanha é muito mais do que somente o Vega Sicília.

Neste contexto, preciso pontuar a classificação oficial dos vinhos espanhóis que é um caso a parte. Pois ao mesmo tempo que facilita pode criar alguns confusões de “qualidade”.

Os vinhos Crianza (não confundir com vinhos jovem, significa “criado” em madeira) devem estagiar por 6 meses em barricas e 18 meses em garrafa. Já os Reserva vão estagiar 12 meses em madeira e mais 24 meses em garrafa. Os Gran Reserva, que seriam o topo da pirâmide, estagiam 24 meses em carvalho e 36 meses em garrafa.

Importante lembrar a história vinícola mais antiga da Espanha, especialmente em Rioja, onde se produziam vinhos mais brutos com muita presença de madeira, neste caso barris reutilizados de carvalho americano, que descaracterizam a tempranillo e conferiam aos vinho um caráter pouco elegante com aromas de couro inclusive, desagradáveis. Era o velho estilo dos vinhos espanhóis e que ainda podem ser encontrados. Com a mudança e evolução enológica que o país passou, focou-se mais na extração em si, maturação adequada, fermentação controlada, onde conseguiu-se extrair o caráter frutado que vemos hoje, quase que tornando o vinho espanhol um meio termo entre os austeros do “velho mundo” e os potentes do “novo mundo”. E Robert Parker, grande admirador dos espanhóis, foi uma peça importante no crescimento do mercado vinícola espanhol ao conferir notas bastante altas aos rótulos de lá. Não vou entrar no mérito dos critérios dele, não agora.

Estes “novos” vinhos não necessariamente precisam de tanto carvalho e tempo de garrafa para mostrar seu auge, e é por isso que nem sempre a classificação “hierárquica” do modelo espanhol funciona como sinônimo de qualidade. Cada uva, cada safra e cada modelo de vinificação proposto pelo enologo vai demandar um tempo de espera diferente. E essa é uma das grandes questões da enologia. Foi-se o tempo em que maior estágio em carvalho era sinônimo de maior qualidade.

Todos os níveis da classificação tem bons vinhos e o embate entre eles é bem interessante, conforme minha ultima tentativa. Na verdade, nos vinhos de mais tempo de espera (Reserva e Gran Reserva) ainda há o risco de encontrar os “velhos tipos” de Rioja: excesso de madeira (velha) e pouca elegância. E para descobrir, sem conhecer a vinicola, só há uma coisa a fazer: degustar. O que não será esforço algum, afinal de contas a Espanha anda nos trazendo de fato grandes vinhos.