Decanter: muita bossa e pouca ação

Acredito que o uso do decanter é uma das grandes dúvidas quando se inicia no mundo dos vinhos. Eu sempre amei decanter, mesmo antes de beber vinho. 🙂 É que as mais diversas geometrias daquelas peças de cristal sempre me encantaram.

Mas vamos ao que interessa. Precisamos mesmo decantar um vinho? Devem existir na rede um milhão de posts dizendo a mesma coisa:

“Decantar somente vinhos velhos, onde a borra sedimentada fica na garrafa e o vinho é vertido no decanter. Para vinhos jovens o decanter serve para aerar o vinho e aumentar a superfície de contato com o ar e abrir os aromas”

Não é exatamente isso que se diz? Não que seja errado, mas a minha visão do decanter é um tanto diferente. Pra mim ele é…. DISPENSÁVEL.

Ok. Vinhos velhos, até alguns jovens (não filtrados ou filtrados inadequadamente), tem borra. E essa borra fica depositada na garrafa parada, que quando posta em pé com cuidado a borra vai ao fundo da garrafa sendo relativamente fácil controlar para que não caia na taça ao servir. O decanter “seria” para visualizar a borra que ainda passou e poder não passá-la à taça. Um funil com peneira atenderia melhor.

Já se o objetivo ~fosse~ aerar eu usaria o aerador de vinhos, que promove uma aeração realmente nítida. O aerador ainda vem com uma espécie de peneirinha, em caso de conter borra. Aerador: também dispensável.

Mas e os aromas que eu tanto falo meu deus!?! NADA, absolutamente NADA, substitui o tempo de taça que damos ao vinho. O uso do decanter seria pra acelerar a “liberação” dos aromas eventualmente presos. Mas poxa, porque eu perderia a graça de justamente acompanhar a liberação desses aromas na taça? De aerar o vinho girando a taça? Por que eu deixaria de perceber a evolução dos aromas no tempo de conversa entre a primeira e a última taça? Não sei… mas pra mim esse é um dos prazeres especiais do vinho. Perceber vinhos “mais fechados” é um convite a esperar um pouco mais, a girar novamente a taça, a degustar no ritmo que os aromas convidam ao beber!

Pra não dizer que estou desdenhando totalmente dos decanters acho que eles são essenciais em degustações às cegas, onde mesmo retirando-se os rótulos pode restar a lembrança das garrafas, especialmente quando se conhece a “seleção” dos vinhos da degustação. E também para nivelar a potência aromática dos vinhos do embate.

Enfim, acho que os decanters tem um uso “prático” bastante restrito. Se é pra investir, muito melhor investir em boas taças que de fato melhoram a percepção olfativa do vinho. Eu tenho dois decanters e um aerador, que adoro e não me desfaço. Mas verdade seja dita: na minha casa eles tem funcionado muito mais como peças de decoração…

2 ideias sobre “Decanter: muita bossa e pouca ação

  1. Po Gabi, você devia ter avisado isso antes. Ficou, eu e Priscila Valente Magalhães pesquisando como decantar um vinho sem decanters, em vez de apreciarmos o que ele tinha a oferecer!

Comentários encerrados.