Malbec: A “relegada”

Eu nem me lembro mais se um dia gostei de malbec. Mentira! Eu gostei sim, e muito, mas confesso que pego uma certa antipatia por aquilo que vira “arroz-de-festa”. 😛

A malbec coitada, originária da França mas que se consolidou e firmou na Argentina, foi vítima de muitos rótulos medíocres, tomados pela moda da casta “ressurgida” como patrimônio argentino! Virou até nome de perfume por aqui…

Eu peguei um certo abuso daqueles vinhos extremamente alcoolicos com aroma frutado, MUITO frutado e só. Taninos sem graça. Pareciam feitos em série. Criei até umas regras mentais de repúdio à “preterida”:

  • Não experimentar novos rótulos
  • Não pedir em restaurante
  • Não comprar nenhuma garrafa durante um ano

Ainda tenho 4 rótulos de malbec na adega, por influência exclusiva do comparsa de vinhos que nutre uma certa paixão pela dita cuja.

Mas claro que conheci os bons, e cansei da experimentação “às cegas” de rótulos duvidosos. A malbec realmente produz vinhos bastante aromáticos, alcoolicos, bem escuros, com taninos mais suaves e boa acidez. A passagem por madeira é inevitável para agregar mais complexidade ao vinho. Eu só não entendo porque não se produz mais assemblages com ela na Argentina, eu sinto que ela não é uma uva que nasceu pra ser só. Imagino que daria vinhos mais harmônicos e com mais personalidade junto à outras cepas… Viagem da minha imaginação “pretensa-enológica”?

Tudo isso posto pra na verdade justificar mentalmente a súbita vontade que me deu hoje de um malbec, de um bom malbec. Porque os bons são realmente muito bons!

Não sei… Mas parece que amanhã é o dia dela! Só escolher o rótulo, apagar as velinhas e quebrar o jejum.

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