O ritual do vinho

O vinho significa pra mim um prazer muito intimista.

É uma bebida que pede compartilhamento, mas um compartilhamento introspectivo de certa forma. Uma bebida que pede reflexões e discussões, muitas vezes retóricas, muitas vezes sobre ela mesma.

Eu me lembro de pouquíssimas ocasiões na minha vida onde o vinho acompanhou “baladas”, ou festas onde o foco não era a conversa. Também não consigo beber vinho quando estou em ambientes “desconfortáveis”.

Me peguei refletindo se tudo isso é inerente à bebida mesmo, como sempre acreditei, ou se algo determinado por mim. Se dei ao vinho esse caráter meio sisudo e de certa forma “ritualizado”. Porque não consigo imaginar o vinho como uma bebida leve, “adaptável”, como a cerveja por exemplo, que se encaixa em praticamente qualquer contexto: de lugar e de espírito.

Talvez tenha levado o “in vino veritas” (no vinho a verdade) muito a sério. Tendo essa necessidade de grandes ~verdades~ em torno de qualquer garrafa.

Talvez um condicionamento. Talvez uma projeção. Não sei…