Um Cabernet nacional com Bode. Harmonizou?

Recife está “em polvorosa”. Faltando uma semana para o carnaval, com mil prévias acontecendo, andar de carro pela cidade pode ser um teste à paciência, nunca se sabe em qual ruazinha está saindo mais um estandarte. Eu já não me envolvo tanto nesse clima (tô velha), vou pra Recife mais pra matar outras saudades…

Sou pernambucana, e pernambucano que se preze gosta de bode! 😀 Em Salvador é meio complicado de achar bons lugares, realmente não faz parte da cultura local, já em Recife boas opções não faltam e eu naquela saudade do bode com feijão verde (de verdade!) sai com o objetivo claro de matar a vontade!

Fomos ao Entre Amigos, “O Bode”. Importante frisar: meus companheiros de mesa não bebem vinho. Olhe, que triste sina de ter que ou beber refrigerante/suco ou ficar na água. Eu SEMPRE durante as refeições sinto necessidade de um vinho, força do hábito, mas pouquíssimos lugares tem opção de taça ou meia garrafa. Hoje, por sorte, havia uma opção em garrafa de 250ml e não pensei duas vezes. Por sinal, a carta do “Bode” é bem interessante, especialmente se levarmos em consideração o caráter mais “bar” que o lugar sempre teve.

É claro que não dá pra esperar muito de vinhos em garrafas menores. Normalmente as vinícolas (quando as tem) engarrafam apenas a versão de “entrada”, de vinhos pra serem bebidos jovens. Mas imagino que essa deva ser mesmo a proposta desses vinhos: tornar hábito o consumo cotidiano, saudável. Quem sabe um dia tirar os refrigerantes da mesa… O vinho de hoje tem tanto essa proposta que no rótulo não tem nem a safra. Fui buscar na garrafa o carimbo de data de fabricação, um vinho da colheita de 2011, de Flores da Cunha/RS.

O vinho: Oremus Cabernet Sauvignon 2011

Ele só tem 12 graus de álcool, mas chega a incomodar um pouco no nariz. Baixar a temperatura um pouco mais (em Recife está um calor senegalês) teria ajudado um pouco. É um vinho bem “aguado” na taça, mas bastante aromático, com frutas vermelhas maduras. Na boca é bem ligeiro, boa acidez, fácil de beber. Mas mostra de cara ser um cabernet, pois se fosse um merlot com tanta característica de maturação teria taninos quase que sem graça. Posso dizer que me surpreendi com o vinho, que afinal funcionou muito bem com o bode assado (e delicioso). Nada melhor do que poder harmonizar um almoço despretensioso, é tirar um pouco dessa pompa esnobe que costumam dar ao vinho. E foi essa a “despedida” de Recife desta vez.

Fica aqui o apelo aos restaurantes que tenham em suas cartas de vinhos algumas opções (sempre jovens!) dos vinhos em garrafas menores. Ajuda a fomentar o consumo responsável, especialmente quando o objetivo do vinho não é de “encontros sociais”, mas de simplesmente acompanhar (a altura) uma refeição.

Ah! E já que pra matar a saudade não dá pra trazer as pessoas, ao menos o bolo de rolo coube na mala. 😉

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* R$ 12,90 garrafa de 250ml no “Bode”

BRASIL

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