Importado ou nacional? O menos subsidiado por favor!

Eu nem costumo citar aqui notícias de vinho, até pra não transformar o blog numa espécie de “clipping”, que muita gente já faz e existem portais com esse propósito. Agora esta noticia, que circulou esta semana, não teve como passar incólume:

Vinícolas brasileiras querem barrar importação

Não há como não se indignar. Isso é um completo absurdo!

Como um país pode trabalhar no seu “desenvolvimento econômico” fomentando políticas protecionistas? Todo mundo defende livre economia, mas na hora de “mexer no seu negócio” adora subsídios e mecanismos de proteção. Um paradoxo sem tamanho, que só favorece a estagnação da qualidade dos produtos “protegidos”. Que proteção é essa, que só desfavorece o consumidor?

Quem me conhece sabe que defendo com unhas e dentes o vinho brasileiro. Por sua QUALIDADE. Mas onde já se viu proteger o vinho nacional aumentando sobremaneira a carga tributária, propondo preço mínimo e cota aos importados?? Pra mim isso, além de injusto, favorece a acomodação do produtor nacional.

Porque os produtores não querem uma concorrência ao menos leal? Se a única estratégia que conseguem enxergar é deixar o produto importado cada vez mais caro me parece que há um desvio de valor. Deviam se esforçar em melhorar a qualidade do produto, logística, qualificar representações, baixar custos indiretos… Não é assim que se trabalha na livre concorrência?

Alegam que o produto importado sofre benefícios fiscais na origem. Então porque não buscar paridade por aqui? Brigar para classificar o vinho como alimento, assim como na Europa. Embora eu pessoalmente não concorde com essa visão romantizada, é um caminho de paridade.

Desculpem-me a franqueza e a irritação que este assunto me dá, mas é por pleitos como este que fica parecendo que o Brasil é mesmo um país sem vocação pra produção de vinho, que dependerá SEMPRE da “mão do estado” pra sobreviver.

Se for realmente necessário “barrar” cada vez mais o vinho importado para o nosso vinho fazer alguma cócega no mercado, das duas uma: ou nosso produto é mesmo fraco, de produção ineficiente, ou nosso empresariado é muito guloso e acomodado. Gostaria de não ficar com nenhuma das opções!

* imagem: gettyimages