O “pulo do gato” de Robert Parker e sua “parkerização”

Falar de Robert Parker no ambiente dos vinhos é chover no molhado. Quem nunca ouviu falar do nobre senhor americano que tem seguro para as narinas e o palato?

Pois bem, esse senhor (eu não saberia dizer exatamente porque) ganhou uma notoreidade tão sem tamanho ao ponto de “reger” de maneira indireta a produção do que chamamos hoje “vinhos do Novo Mundo”. Tudo isto num contexto “pós Julgamento de Paris”, que colocou os EUA numa posição de player no mundo dos vinhos. Uma legião de produtores elaborando seus vinhos para agradar o gosto pessoal (isso mesmo, P-E-S-S-O-A-L) do famoso crítico e render boas vendas. Em tempos de literatura, e críticas, raras o consumidor buscava uma referência didática antes de comprar, e essa referência eram as notas de Parker, devidamente divulgadas.

Mas, oi? Por que me refiro a Parker no passado se tantas lojas ainda hoje fazem referências às notas dele para angariar vendas destes vinhos? Eu ainda hoje não entendo como notas de um único avaliador podem pesar mais do que notas de concursos sérios e sistemáticos, com avaliação de inúmeros críticos e avaliadores de vinho, justamente para evitar o efeito “GOSTO PESSOAL” nas availações. Mas enfim… Fato é que Parker não veio sozinho. Sempre junto dele está uma figura com o nome não tão massificado, mas que por coincidência ou não é um dos enólogos mais conhecidos no mundo. Não por sua maestria de trabalho mas porque todos os vinhos elaborados por ele recebem boas notas de Parker… Dizem que até água ele transforma em vinho! 😛

Aí a gente imagina aquele ~pan demônio~. Todas as vinícolas ensandecidas querendo a fantástica “consultoria” do enólogo de ouro: Michel Rolland. Ele assina um bom número de rótulos ao redor do mundo, alguns produtores o tratam como “salvador-da-pátria”. As participações dele no documentário Mondovino são hilárias, pra não dizer ridículas. Um verdadeiro fanfarrão. Ah! E a cereja do bolo: Michel Rolland e Robert Parker são amigos de longa data e fazem questão de divulgar isso.

Parker realmente mudou a forma como se produz vinho no globo. A “parkerizaçao” dos vinhos (leia-se pausterização, leia-se igualização, leia-se padronização) é tema recorrente em rodas de vinhos. Quando vamos nos recuperar dessa padronização tão danosa a um produto onde se pressupõe justamente a diferença? Da fruta, das estações, da vinificação, da cultura local, do terroir!

Não sei porque hoje acordei lembrando dessas “figuras” do mundo do vinho. Acho que foi porque ontem, numa discussão acirrada, mas bem positiva, sobre os problemas do “vinho brasileiro” eu tenha me dado conta do quão dura é a vida do consumidor final. Aquele que vive a desmembrar prateleiras cheias de garrafas de rótulos confusos, o quanto ele compra “o rótulo”, pelo rótulo, pelo label, pela nota de Robert Parker. É neste contexto que aparece o espaço para Parkers e Rollands da vida. É neste contexto que os Mouton Cadet lotam prateleiras sob a estirpe de ~grandes bordeaux de meia tigela~…

3 ideias sobre “O “pulo do gato” de Robert Parker e sua “parkerização”

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