No Vale do São Francisco: Vinícola Ouro Verde

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Estive em Petrolina semana passada, antes de embarcar para a ExpoVinis, e aproveitei a viagem para conhecer a estrutura da Vinícola Ouro Verde, do grupo Miolo.

Primeiro é importante destacar o cenário, temperaturas em torno de 40 graus onde a caatinga predomina. Em meio àquela paisagem ninguém imagina encontrar vinhedos, muito menos vinho, mas é fato que os projetos irrigados ao longo do Rio São Francisco tem trazido muito desenvolvimento à região que também produz diversas outras frutas de excelente qualidade.

A estrutura da vinícola é bastante robusta e adequada ao enoturismo. Uma fachada imponente, loja e sala de degustação adequadíssimas. Lá se recebe visitantes todos os dias em horários previamente agendados.

Todo o processo de produção foi apresentado e soubemos que a TerraNova (marca dos rótulos de lá) deixará de ter o cabernet sauvignon por motivo de má adaptação da casta naquele vinhedo. Degustamos todos os rótulos da marca e também o brandy produzido em parceria com a Osborne. Foi lá que conheci o novo rótulo TOP, o Testardi. 100% syrah que agora é aposta em substituição à cabernet. No dia seguinte à esta visita o Testardi foi apresentado oficialmente na ExpoVinis e ganhou a premiação de melhor tinto nacional.

Estando em Petrolina e arredores vale muito a pena, não só aos apaixonados por vinhos, uma visita à vinícola. Conhecer os vinhedos, a produção, e degustar os vinhos é perceber o verdadeiro milagre que se faz em terras tão áridas.

Serrera Bonarda 2007

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A expectativa era grande para experimentar esse rótulo. Primeiro por ser 2007, tinha medo de já estar meio “morto”, segundo por tratar-se da Serrera, vinícola muito respeitada e cujo torrontes me agradou muito, e terceiro por ser um varietal da casta italiana bonarda, normalmente utilizada somente em cortes.

Pois bem, o vinho foi uma decepção. Na taça a cor chamou atenção por ser um vinho realmente retinto, nenhuma transparência praticamente. Um nariz bem fechado mas com aromas pouco elegantes como frutas passadas, velhas, herbáceo, bastante álcool e um pouco de petróleo também. Na boca o desastre se completou, um vinho extremamente pesado, sensação de estar tomando um suco externamente concentrado em termos de densidade, com alguma acidez, e na insistência da degustação a vontade não era engolir, mas cuspir. Partimos pra outro vinho.

O produtor fala no rótulo que por ser um vinho não totalmente filtrado era necessário decantar. Deixamos portanto o vinho em pé de um dia para o outro a fim de verificar alguma mudança com a precipitação dos sedimentos. Mas nada mudou, o vinho continuou sendo aquele da noite anterior. Como não havia o que fazer o destino dele foi mesmo o lixo.

Não sei o que houve a esta garrafa. Se houve problema no acondicionamento na loja (desde que comprei, há uns 6 meses, ele ficou em adega), ou problema neste lote. Mas a verdade é que o vinho não estava morto, nem estava avinagrado, nem com TCA, ou com sinais de ter passado por temperaturas inadequadas, nos pareceu problema no vinho mesmo, afinal ele demonstrava estrutura (muito duro, pesado).

Fico agora na esperança de experimentar uma nova garrafa e entender de fato esse rótulo, pois nesta prova o destino dele foi bem ingrato.

*R$ 78, www.sabormagazzino.com.br

ARGENTINA

E a estrela da festa foi… o vinho!

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Em meio à um cenário bastante turbulento em torno das salvaguardas, a ExpoVinis cumpriu seu papel: de só dar voz ao vinho.

Cada visitante exercendo seu direito individual de escolha e posicionamento. Como manda a boa discussão de idéias.

E sendo assim, o vinho reinou sob todas as vestimentas, de tipo, de estilo, de terroir, de país!

E que venha 2013!!!

Mais um dia de ExpoVinis

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Mais um dia muito intenso. E aquela sensação de que amanhã será pouco para dar conta de tudo…

Meus destaques de hoje:

  • Apresentação e degustação das castas típicas portuguesas: alvarinho, loureiro, arinto, touringa nacional, etc
  • Degustação de vinhos brasileiros elaborados com castas italianas
  • Degustação Vertical de treze Portos Colheita da Andresen, desde 1900 até 1998. Uma “viagem” realmente incrível e emocionante

    Agora é otimizar a agenda para o ultimo dia e não deixar faltar nada!

    Um mar de vinhos

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    Ainda é o primeiro dia de ExpoVinis mas já posso afirmar que a feira está demais! Muita novidade nas importações, e também nos vinhos nacionais, fazendo o dia passar rápido, sem nem sentir.

    Muitas degustações, o que me deixa um pouco perdida. Melhor “roterizar” para assim apreciar melhor os rótulos.

    Os destaques de hoje foram:

  • os novos vinhos da Boscato (pinot noir e touringa nacional) assim como o Anima Vitis
  • os espanhóis Inurrieta de Navarra com destaque para o sauvignon blanc, sem barrica, e o graciano varietal de uma potência ainda jovem demais, porém estupendo
  • vinhos madeira de grande expressividade da Cossart Gordon

    E amanhã tem mais!

    O que mais falta inventar?

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    Descobri recentemente o mais novo lançamento de um vinho…com OURO. O primeiro espumante das Américas com “ouro comestível” em sua fórmula.

    Eu leio esse tipo de notícia e realmente não entendo como esse tipo de coisa vira produto, e mais ainda, como vira notícia. E não se trata de purismo ou ojeriza à vanguarda, mas de curiosidade pra saber o que passa na cabeça de um produtor ao “inventar” um produto como esse.

    O ouro sempre ligado ao poder, à riqueza, vem agora entrar na formula de um espumante. Pra que? Ajudar a piorar ainda mais a sina dos vinhos espumantes? Confesso que não consigo nem ver graça nisto, afinal é energia, e investimento, que poderiam ser empregados em melhores vinhos. No entanto cada empresário põe à venda aquilo que quer.

    A meu ver faz parte do progressismo algumas pedras no caminho, e o bom delas é que ao menos nos ajudam a refletir um pouco mais. Já esse lançamento… esse eu “passo”.

    Voltando ao foco!

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    Por vezes é necessário, na vida e nos vinhos, uma oxigenação de idéias. Um período de reclusão faz-se necessário para reafirmar conceitos e valores. Nos últimos dias fomos bombardeados por notícias e discussões sobre as “salvaguardas”, que a meu ver nos fizeram esquecer um pouco o foco: o vinho.

    Sou contra as salvaguardas e contra o fomento do boicote ao vinho nacional. Sou a favor do consumo seletivo e individual: cada um ESCOLHE o que consumir num ambiente de concorrência legítima, sem a criação de barreiras e subsídios.

    Diante desse período de reclusão, e tantos outros acontecimentos, posso crer que dicotomias devam ser evitadas. Por vezes são essenciais, e a base das grandes revoluções, porém na maioria das vezes trazem apenas desgaste: a criação de dilemas vazios, sem evolução da essência, do pensamento e do ser humano.

    Às vésperas da ExpoVinis Brasil estou ansiosa pelas apresentações, pelo aprendizado, pelo compartilhamento, pela descoberta. E por trazer de volta a pauta gerada nesse período de hibernação.

    De volta aos pensamentos soltos sobre o vinho!
    Saúde!