O bom filho à casa regressa

Gibbston Valley, Nova Zelândia.

Eu nem sabia com que vinho retornar: aquele pinot neozelandês maravilhoso, ou o português medalhado, quem sabe o californiano estrelado, ou até o tannat ~garrafas numeradas~ incrível, ou o que se tornou o vinho do dia a dia… Acontece que nestes mais de 2 anos ausentes muitas foram as garrafas compartilhadas, grandes amizades, grandes vinhos, mas nenhum que gerasse a vontade de novamente escrever, sobre vinhos.

“Eu sou eu e minha circunstância” – José Ortega y Gasset

A verdade é que as circunstâncias foram duras sem que houvesse autêntico interesse em transformar noites (e dias!) de muitas garrafas em degustações de verdade. É aí que se percebe a desmistificação do vinho, que é desejavel, o deixar de ser aquele velho ritual a que tanto já me referi e valorizei.

Porém pra mim precisa ser um pouco mais, ainda preciso do ritual. Como amo viagens vínicas, tão ritualizadas! Após uma degustação em taças ISO de espumantes sul-africanos em Stellenbosch, ganhei por coincidência um par de lindas taças ISO (portuguesas!) onde já degustei uma variedade de vinhos, na tentativa de reafirmar a mim mesma a versatilidade deste modelo, e sequer consegui que estas provas aparecessem aqui!

Fato é que não me esforcei. Acomodei. Vertendo palavras em versos e reflexões cada vez mais introspectivos, onde o vinho figurava como coadjuvante. Mesmo à contra-gosto.

Stellenbosch, África do Sul.

Inevitável o paralelo com a vida e aquela história besta do sapo na água aferventando. A gente vai assistindo a vida se esvaindo, sem se dar conta. Quando cai em si o caldo ferveu de maneira absorta. “Quando se vê, já é natal, quando se vê, já terminou o ano, quando se vê, passaram 50 anos! O que ficou pra trás no fervilhar não há mais volta, é seguir em frente de maneira mais autêntica e vigilante. Recomeçar é sempre uma nova chance de ser diferente, de ser melhor. É um presente, no presente. E confesso que a mim anima deveras!

“Nunca é tarde pra ser quem se é.” – Amigo, meu. 🙂

Canelones, Uruguai.

Esse post é mais uma retomada. Das rédeas desde “espaço internético”. E porque não da vida que segue, e que pode ser muito bem vertida, quando a gente tempera com um tanto de sonhos, pitadas de frescor e leveza, uma dose generosa de aconchego, pessoas em boa sintonia, e algumas garrafas!

Pra mim Amarone, por favor! 😉