Espumante made in Brazil

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Muito se fala da competência nacional quando o assunto é vinhos espumantes, e verdade seja dita, o Brasil tem realmente excelentes rótulos. No exterior o vinho nacional virou sinônimo de espumante e junto aos nossos irmãos da América Latina, Argentina e Chile, saímos ganhando quando o assunto é este vinho festivo.

O vinho: Luiz Argenta Brut

Gosto muito da proposta visual dos vinhos da Argenta, numa idéia minimalista e clássica ao mesmo tempo. Este espumante é elaborado pelo método charmat longo com as uvas chardonnay e riesling itálico. Tem uma perlage bastante intensa e fina, aromas de frutas cítricas e mel mas com muitas notas da fermentação, casca de pão. Em boca acidez maravilhosa que se propõe à várias harmonizações, muito frescor, boa untuosidade e persistência. Um espumante de complexidade em prova, desses que a gente degusta já pensando em qual será a próxima oportunidade.

* R$ 33 www.boutiqueluizargenta.com.br

BRASIL

O Alma Negra de Ernesto Catena

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A apresentação desse vinho dispensa comentários. Aquela garrafa pesada, de rótulo totalmente preto onde se visualiza apenas uma mascara, que é o grande símbolo que Ernesto Catena usou para simbolizar esse vinho da Tikal. De corte desconhecido, essa é a sacada de marketing do rótulo, é um verdadeiro mistério…

O vinho: Alma Negra 2007

Eu já havia comprado esse vinho há uns 10 meses, mas os argentinos da minha adega andaram descansando por um tempo, afinal em restaurantes eles e os chilenos são sempre maioria. Mas esse vinho já me incomodava um pouco, medo de deixar um 2007 ficar sem graça. Eu ando com medo de vinhos do “novo mundo” com mais de 5 anos, medo que eles percam a potência da juventude, que muito me agrada. Foi quando encontrei a oportunidade de degustá-lo!

Em taça um vinho com bastante intensidade de cor e um esboço de halo de evolução. Aromaticamente muito rico em frutas vermelhas e pretas, pimenta preta, um pouco de tosta muito elegante e caramelo. Em boca uma acidez agradabilíssima, taninos potentes, vivos, e uma persistência fantástica. Agüentaria mais uns bons 5 anos de garrafa. E na minha desconstruçao experimentação de harmonização escolhi uma massa ao sugo. Sou dessas que desejo um prato e um vinho sem tanta correlação, mas no fim a harmonização foi muito boa. O molho temperado casou muito bem com a acidez vigorosa do vinho e sua nuance de especiarias.

Realmente um belo argentino, pra degustar sempre que possível!

*R$ 90 www.adegacuritibana.com.br

ARGENTINA

Um Chateauneuf-Du-Pape pra chamar de seu

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Esse Chateauneuf-Du-Pape foi um presente, daqueles de responsabilidade, onde quem presenteia diz: “Esse é o meu vinho!”. Nestas ocasiões lembro de uma das minhas aulas de sommelier onde aprendi que o “estilo” de cada um, aquilo que mais vai lhe aguardar num rótulo, é mostrado muito pela personalidade. E vice-versa. Bons e observadores sommeliers sabem usar disso com primor.

Desta vez mais uma tentativa de harmonização com pizza. Na Speciali que é pra não perder o costume da boa pizza e do bom serviço em Salvador.

O vinho: Chateauneuf-Du-Pape La Bernardine 2007

A famosa apelação do sul do Rhône traz o clássico corte de grenache, syrah e mourvedre com estágio de 12 a 15 meses em carvalho francês.

No nariz frutas negras maduras, tosta, fumo e especiarias. Álcool marcante, que nos fez baixar um pouco a temperatura de serviço. Em prova um vinho completamente diferente do padrão “novo mundo” e que os bordeaux tem reproduzido também. Muita complexidade, final persistente, elegante, taninos macios, boa acidez. No retrogosto além das frutas, um tanto de madeira e algo terroso.

Não é a toa que a melhor harmonização dele foi com a entrada, muito bem escolhida para este rótulo: brusqueta de funghi, shimeji e shitake. A pizza foi muito pouco para o vinho, que após a brusqueta reinou soberano e em grande estilo.

* R$ 230 www.mistral.com.br

FRANÇA

Ótimo Shiraz Australiano

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A syrah é uma casta que muito me agrada. Tem a carga aromática que tanto adoro e personalidade em prova. Pensar em carnes na brasa sempre me levam a pensar num bom syrah jovem. A combinação é quase sempre muito boa.

O vinho: Heartland Shiraz – Langhorne Creek/Limestone Coast 2008

Este foi escolhido em meio a uma carta de vinhos (quilométrica!) do Figueira Rubaiyat (SP). Eu vi a carta e nao fiquei feliz, tive raiva. Separados por país, e não por tipo, tem até índice de tão grande. Uma enorme sacanagem com o consumidor em geral. Vários vinhos riscados, que nao estavam disponíveis, tornando o passar de folhas um martírio. Uma espécie de “livro de vinhos” totalmente despropositado para um restaurante tão bom. Mas enfim, pra mim foi fácil definir o país, mas imagino que em muita gente dar até preguiça…

A opção de carne ao ponto e suculenta casou perfeitamente com esse syrah de muita elegância. Uma profusão de aromas em taça, frutas negras e vermelhas maduras, chocolate, especiarias. Em boca taninos redondos e ótima acidez, bom corpo e uma certa complexidade no retrogosto que muito me agrada. Esse vinho é o estilo “novo mundo” dos que mais me agradam. Merecidas 4 taças!

* R$ 73, www.grandcru.com.br

AUSTRÁLIA

Pernambuco. São Paulo. Chianti.

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Um reencontro após mais de dez anos tem um peso importante. Ainda mais considerando tratar-se de alguém com quem a gente conviveu tanto, por muito tempo. Um misto de nostalgia e curiosidade.

Pois bem, São Paulo brindou esse reencontro com um chuva de canivetes. Parecendo querer adiar mais uma vez, mas isso felizmente não seria suficiente. O local para esse brinde foi o muito bom restaurante italiano Botta Gallo. Clima descontraído, de tratoria mesmo, petiscos simples que todo mundo adora e as clássicas, e não tão clássicas assim, massas.

O que mais me chamou a atenção lá foi a riquíssima carta de vinho com apenas rótulos italianos, minha perdição. Muito legal em respeito inclusive ao conceito cultural de terroir. Nada é melhor para harmonizar com comida italiana do que os vinhos italianos! Lá eles servem inclusive vinhos em taça, promovendo e estimulando uma maior experimentação.

O vinho: Chianti Clássico Tenuta Sant’ Alfonso 2007

Fui clássica, e talvez básica, na escolha do vinho para uma ocasião tão especial. Mas naquele dia nada além da conversa interessava tanto. Um bom chianti seria o suficiente para dar pano de fundo a tantas histórias…

O vinho, como são normalmente os italianos, chegou um pouco fechado mas não demorou muito para abrir seus aromas (mas nada próximo daquela profusão de aromas do “novo mundo”). Esse 2007 em boca estava ainda bastante vivo. Boa acidez, taninos domados mas bastante presentes, boa persistência. De corpo ligeiro harmonizou muito bem com o nhoque de batata ao sugo.

Mais um clássico da sangiovese e que deu ainda mais cor a um reencontro já tão cheio de “nuances” e “estrutura”.

* cerca de R$ 130 no Botta Gallo, em SP

ITÁLIA

Agora sim um riesling de verdade!

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Minha casta branca do momento é sem dúvida a riesling. Talvez até motivada pela imensa dificuldade em encontrar exemplares dela nas lojas (normais) de vinhos.

Gosto muito do caráter extremamente marcante e aromático, as notas minerais e o frescor de frutas cítricas típicas do riesling. Minha grande frustração é experimentar muito pouco desta casta pois, não tem jeito, somos bombardeados de vinhos de chardonnay (normalmente embarricados) e sauvignon blanc nos permitindo menos provas de vinhos diferentes com riesling, gewustraminer, malvasia, torrontés, viognier, etc…

Mas, naquela velha questão de experimentação, ando em busca de evitar as castas “arroz-de-festa” e me permitir o desfrute de diferentes sensações. E eu que pessoalmente gosto de raríssimos sauvignon blanc preciso mesmo buscar alternativas brancas à chardonnay.

O vinho: Domaine Paul Blanck Riesling 2007

Um riesling da Alsácia, região que juntamente com a Alemanha, divide a soberania da melhor expressão da casta. Vinho elegante, frutado com maça verde e pêras (um tanto em caldas) e floral, aromático sem ser enjoativo e sem aromas de petróleo. Acidez na medida, bom corpo e persistência, com certa untuosidade e deixando a sensação: “Não estou bebendo mais do mesmo!”

Só sei que quero mais desse riesling! 😉

* R$ 100, www.boccati.com.br

FRANÇA

A Itália e um Brunello di Montalcino

Quanto mais rótulos a gente experimenta mais rótulos a gente quer experimentar. Cada garrafa é uma surpresa. E confesso que essa experimentação faz meus olhos brilharem. Uma nova casta, um novo produtor, um novo terroir, até uma safra diferenciada… me motivam absurdamente! Dificilmente compro mais de duas garrafas de um mesmo vinho…

Mas há dias em que a gente quer aquilo que costumo chamar de “vinho conforto”. Aquele vinho que a gente sabe que gosta, sabe o que esperar, sabe o que vai ter! Os vinhos italianos funcionam assim pra mim. Mesmo quando são de produtores que nunca provei sei o que quero quando escolho um Amarone, um Chianti, um Barolo, um Brunello.

O “estilo italiano” mais escondido me encanta, normalmente vinhos fechados aromaticamente mas que na boca surpreendem. Utilizam as uvas autóctones do país que fazem a experimentação ter sempre muita identidade: sangiovesenebbiolo, corvina, molinara… Tem a cara da Itália!! Por isso mesmo os chamados “super toscanos” nunca me despertaram tanto interesse. Acho fantástico o movimento em si, de contraponto à uma legislação fechada e caduca, propondo o novo. Dissidências normalmente evoluem o pensamento no mais diversos âmbitos e foi o que aconteceu na Itália com os super toscanos. Mas no caso desde movimento, como o foco foi muito na utilização das castas internacionais (cabernet sauvignon, especialmente), não me conquistou pelo produto, mas sim pela ideia progressista. Acredito que o melhor da Itália ainda está nas suas uvas próprias, que considero parte da expressão de terroir do país! 😉

O vinho: Brunello di Montalcino – Belpoggio 2004

Na taça demonstra um bastante visível halo de evolução, com uma cor já um tanto “atijolada”. Fechado, muito fechado no nariz. É preciso muito esforço e espera para sentir seus aromas. Na boca taninos elegantes, domados na medida, ótima persistência, acidez num bom equilíbrio com a complexidade que se espera desses vinhos: harmonia. É daqueles vinhos que nos entristece ver o fim da garrafa porque sem dúvida, degustá-los é ter a sensação de estar lhes desvendando…

* R$ 210, na www.superadegaexpress.com.br

ITÁLIA

Serrera Moments Torrontés 2008

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Esse vinho comprei praticamente às cegas sob indicação do sommelier de uma loja de vinhos daqui de Salvador. Não conhecia a vinícola, mas ele falou muito bem do rótulo e bons exemplares de torrontés não são tão disponíveis por aqui.

Um ótimo branco! Que vai para minha listinha de brancos a serem degustados sempre! Daqueles que num sol maravilhoso se comportam da melhor maneira possível. Aromático como manda a casta, persistente e com uma complexidade a mais dos que os brancos de “dia-a-dia”. Aroma de frutas brancas maduras e em calda (maça, pera), um tanto floral e algum toque de mel, amanteigado. Na boca um ataque elegante, com acidez maravilhosa convidando sempre a um novo gole.

Foi degustado sem comida alguma, mas é sem dúvidas um vinho gastronômico para acompanhar não só carnes brancas mas arriscaria também um bom camarão grelhado ou com algum queijo suave.

* R$ 45, www.espumantesweb.com.br

ARGENTINA

Acarajé e Abará com Vinho. Funciona?

Às vésperas do carnaval em Salvador a cidade respira isso: abadás, camarotes… Meu terceiro carnaval morando em Salvador, terceiro carnaval fugindo daqui nesse período. Definitivamente o carnaval daqui não faz “meu tipo”. No entanto a comida… é algo que me agrada até demais! Fazia algum tempo que não comia os corriqueiros quitutes daqui quando ontem, num desejo arrebatador, não pude fugir.

Eu não tenho conseguido mais ter uma refeição (almoço ou jantar) com refrigerante ou suco, pra mim ambos desfavorecem a comida. Tenho tentado colocar o vinho em mais ocasiões e quando não é possível a água tem funcionado. 😉 O acarajé e o abará são normalmente ótimos companheiros da cerveja mas por que não funcionaria também com vinho?

A escolha pra essa tentativa de harmonização foi um cremant rosé que conheci numa degustação realizada na Adega Tio Sam, aqui em Salvador. Achei que o rosé traria uma maior complexidade, do que um espumante normal, para acompanhar um alimento tão carregado em sabores: massa de feijão, camarão, vatapá. O frescor do espumante é imprescindível para a sensação do “limpar a boca” que precisamos após ingerir tamanha gordura, especialmente do dendê.

O vinho: Cremant de Limoux – Aimery Sieur D’arques Brut Rose

Trata-se de um corte de chardonnay, pinot noir e chenin. Aromas de frutas tropicais e um pouco de cereja. Perlage persistente. Ótima acidez e retrogosto com um tanto tostado, bastante elegante e harmônico, no nariz e na boca. Um ótimo espumante que agora, degustando pela segunda vez, percebo que nao fui complacente com ele.

Servimos o cremant bastante gelado e foi bebido fácil, fácil. Acompanhado da boa comida baiana, boa musica baiana (Gilberto Gil sempre!) e boa companhia baiana. Foi minha despedida de Salvador nesses dias de folia. 😉

* R$ 55 na Adega Tio Sam (Salvador/BA)

FRANÇA

Chianti Classico Le Ellere (Castello D’Albola) 2005

A ideia original pra hoje era um rosé. Mas para harmonizar com um filé de carneiro acompanhado de pure de mandioquinha (confort food total!) esse Chianti me pareceu uma melhor pedida, ou ao menos tentativa. Foi comprado numa ida à Perini e o preço foi o que chamou atençao à principio (R$ 45). Valeria a pena? Ou mais um barato que sai caro?

Chianti é uma DOCG italiana, da Toscana. Sao opçoes menos encorpadas aos potentes Brunellos di Montalcino, que também são elaborados com a casta sangiovese mas que tem alguns peculiaridades na vinificaçao como a passagem por mais tempo em carvalho.

Este chianti na taça é bastante límpido, lembrando um pinot noir visualmente. Muito aromático (dar um tempo de taça aos italianos é mandatário), aroma de frutas negras, um tanto de tostado (ele estagia 12 meses em madeira). Na boca taninos redondos com acidez média pra baixo, quase um perigo, ja demonstrando sua evoluçao. Acompanhou muito bem o carneiro, segurando a carga protéica sem se sobressair. Por sinal fiquei bastante curiosa por uma nova harmonização deste carneiro (rapidamente marinado no alho, pimenta, alecrim e vinho do porto) com um syrah jovem. Assunto para novos posts! 😉

O vinho é muito bom, e é sem sombra de dúvidas merecedor do selo “otima compra”, o primeiro do blog a receber o selo. Não achei lojas virtuais que os vendem mas existem outras linha de chiantis da mesma vinicola (www.albola.it), talvez mais fáceis de encontrar. Certamente vou vasculhar a Perini em busca de outros rótulos do mesmo produtor para experimentar.

Minha queda pelos italianos me faz adorar os duelos “Toscana vs Piemonte”. Brunellos vs Barolo. Chianti vs Barbaresco. Enfim… nessa peleja eterna nunca sai uma região vencedora, e isso é definitivamente o barato da experimentaçao.

* R$ 45 na Perini (Salvador/BA)

ITALIA