Dunamis Tom Rosé 2011

Recebi este vinho da assessoria de imprensa da vinícola Dunamis e realmente nao conhecia (aquela velha dificuldade em ter acesso aos vinhos daqui…).

O rosé é um vinho extremamente adequado ao calor que anda fazendo, e são vinhos que me agradam muito. Tanto pelas possibilidades de harmonização, quanto pelo clima que está propício a vinhos mais leves.

Este é sem dúvidas mais um bom rosé nacional que faz frente orgulhosamente aos famosos de provence. Elaborado com cabernet sauvignon, na taça tem uma cor que adoro: nem tão intensa quando alguns rosés do “novo mundo”, mas que nos diferencia dos franceses, que são mais para salmão do que verdadeiramente rosados. No nariz aromas de frutas brancas e um pouco de framboesa. O álcool (12 graus) apareceu um pouco no nariz, mas ele foi servido a uma temperatura ligeiramente mais alta (erro meu!). No geral os aromas são bastante elegantes. Já na boca tem um ótimo ataque, em nada se sente o álcool, o frescor é o mais marcante com a boa persistência final. Definitivamente um ótimo rosé, não só para harmonizações com frutos do mar mas, por que não, substituindo a cerveja sob o sol. É um vinho que, apesar da gradação considerável, se bebe muito fácil.

Minha crítica vai para a rolha, que nao consegui identificar o material sintético esponjoso do qual é feita e que fez vazar um pouco do vinho, guardado deitado em minha adega. Felizmente nao houve qualquer comprometimento. Talvez a screllcap funcione melhor. Fica a observação, quem sabe para as próximas safras.

Só posso terminar este post confessando que, até agora, os rosés nacionais me encantam muito mais do que os de Provence. E aí é opinião pessoal mesmo. Ponto pro Brasil! 😉

* R$ 25 em diversas lojas do Rio Grande do Sul

BRASIL

Um rosé de Provence

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Vou confessar que nunca havia degustado um verdadeiro rosé, de Provence. A oferta de rosés no Brasil é bem restrita e nós acabamos por restringir ainda mais as ocasiões para degustá-los.

Outro dia, de maneira inédita, um amigo defendeu seu gosto pelos rosés e fiquei refletindo sobre a vida ingrata que esses rótulos levam. Como verdadeiro meio termo, paradoxalmente acaba mais se restringindo do que se ampliando. Quem quer um tinto nunca vai abrir mão dele em favor de um rosé. Já quando o branco se adequa mais, poucos trocam ele por um rosé.

Eu gosto muito da cor e da complexidade que ele agrega ao que seria um branco, e é mesmo mais versátil nas harmonizações. O rótulo de hoje foi degustado sem comida e sob o sol. 😉

O vinho: Domaines Ott Chateau de Selle Rose 2010.

Elaborado com Cabernet Sauvignon, Grenache, Syrah e Cinsault (também conhecida como Hermitage), o vinho frustou um pouco. Na taça ele é um salmão, bastante límpido, diferente dos rosés de fato rosados. No nariz ele é muito elegante mas sem tanta persistência, bastante fruta branca e um pouco floral. Com 13 graus de álcool, na boca achei ele meio sem ataque, considerando tratar-se de um rose de Provence vinificado com castas tão robustas. Faltou a acidez mais marcante no final (estou com a sensação de que a acidez tem sido uma espécie de divisor de águas para o meu gosto pessoal). A persistência é média.

É um bom rosé para bebericar despretensiosamente, com comida leve, muito leve, sem grandes firulas. Só não sei se vale a pena pelo preço dele no Brasil, não o encontrei em nenhuma loja on-line nacional.

* $ 39 na www.wine.com (não vende para o Brasil)

FRANÇA

Rosé Luiz Argenta 2011

Sendo este o vinho da harmonização com sopinha do ultimo post, aproveitei enquanto cozinhava para degustar somente o vinho e perceber suas nuances.

Comprei esta garrafa na propria vinicola, na cidade de Flores da Cunha/RS. A visita a vinicola já valeria a pena só pela construção em si. Engenheira mode on. Encrustrada em rocha, a cave é belíssima realmente. Vinhos bem feitos, e até algumas surpresas: um “amarone” brasileiro estaria sendo “concebido” por lá? Vamos aguardar… Inclusive, na avaliação nacional dos vinhos deste ano (safra 2011) o Merlot Luiz Argenta ficou entre os 16 melhores vinhos.

Esse é o rosé “amostrado”, corte de Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot e Syrah. Tenho que confessar que a garrafa me chamou muito a atenção. Afinal o design também conta quando lembramos das garrafas padronizadas que dominam o mercado. Mostra uma preocupação extra. 🙂 O enologo da vinicola, Edegar Scortegagna, quando foi falar da vinificação frisou também o tempo de permanência das cascas para a obtenção da cor pretendida. Realmente a cor do vinho é rosada e não salmão como muitos rosés.

Mas vamos ao que realmente interessa. O vinho é bom? Muito aromático. Aroma de morango e também frutas cítricas, um pouco de flores também. Acidez maravilhosa, denunciando a pouca idade do vinho, mas especialmente mostrando a que veio: um rosé jovem, com frescor, sem firulas e que acompanharia muito bem os famosos frutos do mar mas também carnes menos condimentadas, grelhadas.

Vou falar a verdade, pra mim esse rosé tem algo bem especial: mostra que aqui no Brasil temos sim rosés de VERDADE. Sem essa necessidade de produzir vinhos roses doces e “maquiados” de cor-de-rosa sob o falso pretexto de que são vinhos “menos sérios”. E isso tem a ver com a qualificação do consumidor, além do visivel desenvolvimento das vinícolas da Serra Gaucha. Acredito que estamos num bom caminho!

* R$ 27 (www.luizargenta.com.br)

BRASIL