Mais um curso: WSET

No último sábado em Recife participei do curso WSET, nível 1, da “The Wine School”. É um curso bastante reconhecido onde a maioria dos que vivem no âmbito dos vinhos já ao menos ouviu falar. Estava há tempos querendo participar mas somente agora consegui conciliar o curso com uma ida à Recife. O nível 1 é bastante básico, mas o primeiro passo pra mim que quero cursar até o nível 3, meta de médio prazo.

Já fiz o curso de sommelier internacional da FISAR (Federação Italiana) e estou cursando este semestre inteiro o curso de sommelier da ABS (seção Bahia) com a Wine Academy (Portugal). O WSET vem consolidar o aprendizado com um novo enfoque, mais uma escola do mundo do vinho: a inglesa.

Neste modulo foram degustados 12 vinhos de uma maneira bastante didática com os princípios básicos de harmonização. Eugenio Echeverria conduz o curso de uma maneira leve, fazendo o tempo passar rápido por demais! Ao final do curso é realizada uma prova com 30 questões e o resultado só sai 1 mês depois, pois são corrigidas na Inglaterra.

Para quem esta buscando educação na cultura do vinho é um curso muito bom e de formação continuada, não só na sommelierie como também no mercado dos vinhos em si.

De olho no WSET 2 agora. 😉

Como guardar os vinhos

Continuo inebriada numa estafante rotina de eletricista, instalador, limpezas, mudanças. Mas nem eu aguento mais esse assunto, que hoje parece dominar todos os espaços da minha agenda. Bem… menos na noite de ontem. 🙂

Mais uma aula do curso de sommelier (pelo menos lá consigo degustar algum vinho!) sobre manejo, vinhas, podas… Mas pra mim o ponto alto da aula de ontem (incrível como as aulas tem sido de intensidade ímpar!) foi sobre a guarda dos vinhos.

Todo mundo ouve falar para guardar as garrafas sempre deitadas, pra não ressecar as rolhas, evitar oxidação, etc, etc. Não é assim? Ontem essa regra foi quebrada. As rolhas são materiais elásticos e que sofrem dilatação e retração com as mudanças de temperatura e desde que não hajam grandes mudanças de temperatura ao longo do dia (como nas adegas climatizadas) pode-se sim acomodar as garrafas em pé. Com temperatura constante não haverá esse movimento de dilatação/retração e portanto não haverá risco de entrada de oxigênio, e consequente oxidação, nos vinhos. Caso contrário vale a regra da garrafa deitada, pois a rolha sempre úmida minimiza dos efeitos da temperatura na rolha.

Discutindo sobre guarda é engraçado perceber como as pessoas que gostam de vinho tem prazer em “guardar” e “esperar” os vinhos. Confesso que não é a minha. Talvez seja minha ansiedade, eterna e incorrigível. Minha curiosidade em experimentar é sempre maior do que a de guardar “grandes jóias”. As garrafas que estão na minha adega só estão lá porque ainda não tiveram oportunidade de serem bebidas. NENHUMA delas está “em guarda”, estritamente falando.

 

“A melhor forma de guardar vinhos é na LEMBRANÇA!”

Essa frase proferida por Santanita, nosso professor do curso, tem muito a ver comigo. Pois pra mim maior felicidade está em ver a rolha do vinho. Muito mais do que ver o vinho guardado na adega…

Novo curso: ABS/BA e Wine Academy

“O sommelier não precisa entender somente de vinhos, mas do serviço completo. Do aperitivo ao café.” José Santanita

Ontem teve início, em Salvador/BA, a primeira edição do curso de Sommelier Avançado, realizado pela ABS-Bahia e apoiado pela Wine Academy/Portugal. O curso tem duração de 6 meses, 120h de aulas teóricas e práticas.

Olha, se antes havia a apreensão, afinal de contas o aprendizado no mundo do vinho sempre gera aquela expectativa de “vou mesmo aprender?”, ontem ficou a sensação de que vai ser de fato uma grande experiência.

José Santanita conduz a turma com uma voz calma e carregada da sua experiência de vida ligada ao vinho, e uma didática ímpar. Sem qualquer afetação. Foca na história e no serviço do vinho com a mesma propriedade. E me pareceu gostar de questões polêmicas, o que sem dúvida aprimora o aprendizado!

A ABS-BA foi muito feliz ao escolher essa parceria para o curso de sommelier. Acredito que o respeito às tradições deve ser sempre o ponto de partida para qualquer aprendizado “progressista” no mundo dos vinhos.

Só posso resumir a noite de ontem com duas palavras: curiosidade e expectativa. E se existem duas palavras que fazem meus olhos brilhar são estas duas, juntas! 😉

Associações: SIM ou COM CERTEZA?

Outro dia diante de um “arranca-rabo” ocorrido entre instituições do vinho, refletimos no grupo de enófilos os verdadeiros motivos para tamanha vaidade das instituições em se
auto-denominarem as “melhores” ou “mais conceituadas”. Instituições, que também
disseminam o ensino de vinhos, brigando por quem tem mais ou menos legitimidade,
sem discutir essência, nem propostas aos associados. Não acredito que esse seja
o caminho, na verdade este tipo de disputa, seja em qualquer temática, só desfavorece a adesão de novos interessados.

Acredito muito no poder das associações, nos mais diversos ramos da sociedade civil. No entanto só acredito em associações legítimas: aquelas que defendem os associados enquanto grupo, e não o “corporativismo” em favor da instituição em si. Afinal isso é a essência de uma associação: existe associação sem os associados?

Quando a retórica migra desta forma percebemos o quão personificado (normalmente na figura da presidência) vira o discurso. É aí que a associação deixa de existir. Lembra-me as disputas dos partidos no movimento estudantil: se engalfinham tanto uns ao outros que no fundo só repelem os que deviam conquistar.

Enfim: por mais associações de idéias e menos imposições individuais! 

É Sommelier? E agora?

Vou me permitir um post absolutamente pessoal.

Muitas pessoas perguntam sobre fazer ou não os cursos de Sommelier. Há varias “escolas” hoje no Brasil, seja a própria ASB (Associação Brasileira de Sommeliers), ou organismos internacionais em parcerias com instituições locais. Mas o que todo mundo se pergunta é: quanto e qual o verdadeiro aprendizado?

Sou Sommeliere Internacional pela FISAR (Federação Italiana Sommelier) e não posso deixar de ressaltar o quão importante este curso foi pra mim. Foi lá que tive a oportunidade de conhecer as pessoas que mais de perto partilham as questões não só relativas a sommelierie, mas a paixão pelos vinhos. A eles, hoje meus amigos, meu muito obrigado! Mas voltemos ao foco. Foi neste curso que nosso professor, o italiano Roberto Rabaccino, nos disse em uma das primeiras aulas: “Um sommelier se faz por suas experiências diárias“.

A sommelierie é sem duvidas uma oficio (ou um prazer) PRÁTICO, mas não deixa de exigir embasamento teórico. Esse embasamento pode vir de maneira menos sistêmica, através do convívio e da absorção da experiência alheia, do trabalho: conhecimento advindo do próprio ato de trabalhar! É como aquele carpinteiro de anos de profissão versus o jovem carpinteiro que fez curso no SENAI e tem toda uma experiência pela frente, mas com a técnica afiada. São profissionais com níveis de maturidade distintos,
porém são ambos carpinteiros. Poderíamos citar também como exemplo, sem polemizar muito, o oficio de jornalista. É necessário ser diplomado?

Enfim, tudo isto posto para defender meu ponto máximo: aprender e estudar nunca é demais, e nem suficiente! Nunca! Um amigo que se formou comigo no curso da FISAR e que já era sommelier por profissão, foi quem mais me indicou bibliografia sobre o assunto e já estava se planejando para os próximos cursos…

Não se enganem, em todos os casos o mercado se encarrega de separar o joio do trigo. Enquanto isso, prefiro continuar sendo a “eterna aprendiz”! 🙂

Foto da formatura da 22ª Turma: Sommelier Internacional – FISAR

Degustação: Viña El Principal

Dia 28/11/11 aconteceu no Hotel Vila Galé, em Salvador/BA, uma degustação dos vinhos da vinícola chilena El Principal localizada no Vale do Maipo. A degustação foi organizada pela ABS, seção Bahia.

Na presença do diretor técnico da vinícola, Gonzaga Guzmán Cassanello, que discorreu um pouco sobre os processos utilizados na escolha das cepas, na colheita, na vinificação, assemblages, terroir, envelhecimento, etc, foi realizada a degustação de 4 rótulos da vinícola.

  • AUQUI: Sauvignon Blanc. Safra 2010. R$ 55(*)
  • CALICANTO: 56% Cabernet Sauvignon, 42% Carmenere, 1% Cabernet Franc, 1% Petit Verdot. Safra 2009. R$ 86(*)
  • MEMORIAS: 80% Cabernet Sauvignon, 20% Carmenere. Safra 2007. R$ 117(*)
  • EL PRINCIPAL: 83% Cabernet Sauvignon, 17% Carmenere. Safra 2006. RP: 92 pts. R$ 245(*)

O AUQUI pra mim foi o vinho da noite. Bastante frutado, boa acidez. Mostrou-se um bom exemplar da casta.

Os tintos são bastante potentes, o que é de se esperar em assemblages de CS e Carmenere, mas eu diria que faltou elegância. Muito alcoólicos, o que prejudicou bastante o olfato. Vinhos de corpo médio com taninos presentes, mas agradáveis. São melhores na boca do que no nariz. Ouso dizer que o EL PRINCIPAL decepcionou, não deixou “muito claro” por que é o vinho TOP da vinícola.

Percebemos nesta degustação que a vinícola tem um trabalho bastante sério, uma busca incansável por retirar o melhor daquele terroir, corroborando para a gama de boas vinícolas do Chile.

(*) Os vinhos degustados estão a venda na VINDE VINHOS (Salvador/BA).