“Poderia ser francês”


Após passar pela Austrália, e degustar dos seus shiraz, e quase três semanas após aterrizar novamente por terras neozelandesas (aka Aotearoa), volto ao blog.

Apesar de não ser mais principiante na Nova Zelândia, ainda estou meio que estarrecida por uma certa overdose de sauvignon blanc neozelandês. Ai meu Deus, tanto frescor!! 🙂 Desculpem os franceses mas os melhores do mundo de fato andam por estas terras aqui.

De certa forma encontro-me cada vez mais apaixonada por esse mundo do vinho, de como videiras de uvas francesas vieram parar, e igualmente se apaixonar, por estes países da Oceania e demostrar tão distinta expressão. Os pinot da Nova Zelândia são capítulo à parte.

Ouvi de um inglês numa degustação de syrah (prefiro o nome francês da casta) australianos em Hunter Valley: “Poderia ser francês!“. Não sei qual memória gustativa ele teve na hora, se pensou num Châteauneuf com aquele syrah no blend… Enfim! Fato é que nossas memórias gustativas interferem completamente nas nossas novas experiências meio que a balizar o que seria bom e o que seria ruim. Por vezes de maneira positiva, no sentido de agregar experiência, outras vezes nos podando de experiências distintas. 

Uma experiência “do gosto” realmente interessante foi o vinho “tipo Porto” à base de syrah: ruby e tawny. Efetivamente gosto muito de vinhos do Porto e fui à degustação bastante incrédula, até mesmo porque já havia provado uma tentativa de Porto na África do Sul que de fato era bem…. bem ruim! Na Austrália meu coração se abriu à um Porto, não “portista”. 🙂

Na Nova Zelândia, e novamente na Austrália, provas e degustações estão por vir. Como diz um novo amigo francês, que  largou a vida de empresário pra viajar, e como eu também está em “trânsito” por essas terras maoris: uma vida só vale ser vivida se for com paixão!

É por essas e outras que entendo um pouco da relação dos franceses e seus vinhos…

Cheers! Aos grandes vinhos made in Oceania. 😉

Em Santiago: Cousiño Macul

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Numa breve passagem por Santiago, na volta de Rapa Nui, marquei uma visita à Cousiño Macul que apesar de ser dentro de Santiago ainda não tinha visitado.

Vale muito a visita! Sendo menos label do que a Concha y Toro, o tour da Cousiño é menos institucional e mais sobre a história da vinícola e seus vinhos. Fiz o tour normal mas acredito que o tour que ele chamam premium valha a pena, não estava disponível no dia em que fui.

Ao preço de 9.000 pesos chilenos (em torno de 40 reais) são degustados três vinhos, com uma taça da vinícola de “regalo”.

O peculiar Gris, vinho rose de cabernet sauvignon, muito refrescante, rosado muito claro e que chama a atenção por usar a potente cabernet, com tão pouco tempo de presença das cascas na fermentação. Inovação ou subversão? Achei bem interessante. 🙂

Degustamos mais dois varietais, um syrah e um cabernet sauvignon. No entanto os vinhos de safras bastante antigas assim como o Lota, vinho ícone da vinícola, foram os que deixaram a curiosidade no ar.

O tour é interessante, especialmente aos pouco familiarizados com o mundo do vinho e aos que apreciam os vinhos da Cousiño. Para os já iniciados melhor mesmo o tour premium. Porém, e independente dos vinhos, o visual do lugar é encantador e reconfortante, nos fazendo crer que o mundo parou um pouco por ali, como que moldando ainda mais a singular beleza de Santiago.

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O excelentíssimo D.O.M. de Alex Atala

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Uma parada estratégica de um sábado em São Paulo é suficiente pra deixar qualquer um agoniado sem saber o que fazer! Uma saudade imensa do Brasil e vontade de fazer tudo em um dia só. Pena que é impossível… Porém a proposta do sábado foi bem atendida com um jantar no famosíssimo sexto melhor restaurante do mundo, segundo a revista inglesa Restaurant, o D.O.M. de Alex Atala.

Me lembro bem de quando Alex Atala começou a bombar em revistas de gastronomia sendo eleito melhor chef, chef revelação, etc, etc… Num momento que o mundo passou a enxergar a cozinha autoral e regional sob uma outra ótica, Alex Atala deixou de ser simplesmente aquele chef excêntrico tatuado e passou a representar a “cozinha contemporânea brasileira”.

Quem um dia execrou, em prol da “brasilidade”, o foie gras e as trufas do seu restaurante, chamou atenção da mídia especializada, sendo ovacionado pelos “radicais” e criticado pelos puristas da escola francesa, hoje faz até propaganda de caldo industrializado… Ossos do ofício? Ossos da fama!

Reflexões a parte, vamos ao serviço. Vou começar pela maior frustração que veio exatamente no início: o couvert. Pífio. Duas pastas, uma a base de coalhada e outra a base de alho muito simples, manteiga aviação e dois tipos de pães brancos absolutamente sem gosto, praticamente iguais, e pães de queijo que sequer valiam as calorias. Eu que sou aficionada por pães imaginei encontrar versões em milho, erva doce, capim santo, rapadura… Alex definitivamente precisa de alguém que entenda de pães! 🙂

Daí pra frente foi só evolução. Escolhemos o menu degustação de oito pratos, e neste momento o maitre toma nota de alguma restrição alimentar. Antes mesmo de dar início à degustação recebemos o prato de boas vindas:

• Macaxeira frita na manteiga de garrafa, com catupiry e redução de vinho do Porto, acompanhado de um drink à base de espumante nacional e licor de jabuticaba.

A seqüência dos pratos e o tempo entre os pratos foi irretocável. Tempo suficiente pra conversar, falar do prato, dar boas risadas e degustar os ótimos vinhos. Capítulo à parte para o sommelier. Eu que normalmente tomo a frente com a carta de vinhos desta vez nem quis ver, pedi sugestões ao sommelier que, ao ver a cara de desprezo da maioria ao sugerir um branco ou espumante para iniciar, entendeu a demanda e sugeriu os dois vinhos que na seqüência acompanharam o jantar. Um bordeaux bastante evoluído e um vinho da casta guardiola, que nunca havia provado, realmente surpreendente aromaticamente e de corpo ligeiro. Foram os vinhos certos nos momentos certos da degustação.

Os vinhos:

• Chateau Le Puy 2005
• Tenuta delle Terre Nere Etna Rosso 2009

Os pratos:

• Ostra com sorbet de cupuaçu, whiskey e telha crocante de manga
• Ceviche de flores e mel de abelha
• Carpaccio de pupunha e vieiras, redução de coral e azeite de manjericão.
• Arroz negro levemente tostado com legumes verdes e leite de castanha do Pará.
• Cavalinha com salteado de cogumelo e palmito com molho de limão, azeite e mel de abelha silvestre.
• Bacalhau confitado no azeite, maionese de leite, couve e pele de bacalhau desidratada.
• Fettuccini de pupunha à carbonara
• Stinco de cordeiro, purê de cará, cogumelo Paris e castanha do pará ralada

Aligot: batata, queijo minas e gruyère

As sobremesas:

• Ravioli de limão recheado com banana, creme de pasiterie e caramelo de priprioca (o ravioli é translúcido)
• Torta de castanha do Pará, sorvete de whiskey, mini rúcula selvagem, calda de chocolate, sal, pimenta e curry.

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É difícil fazer uma avaliação dos pratos após uma experiência gastronômica tão intensa. É obvio que existem algumas produções mais clássicas porém a leitura que lhes é dada sempre surpreende, mesmo que não seja assim tão positiva. Pra mim, por exemplo, o carbonara de pupunha não é certamente a melhor experiência com o pupunha. O ceviche de flores surpreendeu, se critica muito o uso exagerado de flores na cozinha experimental mas pra mim foi um dos pontos altos. Assim como o arroz negro (que adoro) ao leite de castanha do Pará, e o cordeiro que apesar de clássico se destacou. O aligot é o nosso querido purê numa releitura saborosíssima e elástica. E como que pra fechar com chave de ouro a última sobremesa me derrubou, a mistura dos mais improváveis sabores numa experiência fantástica gustativa.

Ao final todos extasiados restou-nos pedir um espresso, que esqueci completamente de avaliar. A brincadeira gastronômica custou a bagatela de R$ 890 por pessoa. Caro, caríssimo. Porém o que é bom (com tal nível de sofisticação) tem seu preço, assim como a fama tem sua outra grande parcela. Quem vai ao D.O.M. sabe que não pode lembrar dos cifrões, é condição precedente. Mas saindo de lá fiquei pensando quanto não chegará a custar essa “experiência” quando o D.O.M. for o eleito o melhor do mundo. Porque eu acho que isso não só vai acontecer, como não deve demorar tanto. Falta acertar os pães… 🙂

Herdade do Esporão, Quinta dos Murças e Quinta do Crasto

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Andava saudosista das degustações desde que passei a morar em Angola e foi na minha última viagem que consegui tirar o atraso de tanto tempo sem “eventos vínicos”. A passagem por Mendoza foi intensa, e no dia 28 de fevereiro enquanto estava em Recife, participei de uma degustação muito bacana organizada pela Licínio Dias e Casa dos Frios.

Degustação de vinhos portugueses! Eles que tem dominado completamente minha taça ainda arranjaram mais um “tempinho extra” na minha vida nesta degustação de vinícolas velhas conhecidas, porém com rótulos diferentes e numa proposta bem intimista de degustação.

A degustação, a convite de Jorgeane Meriguette da Licinio Dias, foi conduzida por Luis Patrão, enólogo da Herdade do Esporão, e João Palhinha da Qualimpor que importa os vinhos da Herdade do Esporão, Quinta dos Murças (de propriedade do Esporão) e Quinta do Crasto para o Brasil.

Luis Patrão apresentou seus “vinhos de autor”, num projeto além da Herdade do Esporão, mostrando seu apego à Bairrada e incansável busca pela melhor expressão deste terroir que a meu ver tem perdido um pouco do seu espaço. Inclusive Luis Pato, um ícone da Bairrada, tem deixado de usar a denominação de origem em alguns dos seus rótulos. Sem querer entrar na celeuma política que envolve as regras das DOCs portuguesas, gosto muito dos vinhos produzidos com a baga e gostaria muito de ter maior acesso a eles. Luis Patrão trouxe sua linha VADIO com espumante brut safrado (exigência da DOC Bairrada), o VADIO branco 2010, ambos produzidos com as cepas cercial e bical, e o meu destaque pessoal para o VADIO tinto, safra 2006, produzido com baga, extremamente elegante, ótima acidez e que evoluiu lindamente na taça até o fim da degustação.

Seguimos com os vinhos do Douro. Da Quinta dos Murças, o Assobio (touringa nacional, tinta roriz e touringa franca) em duas safras diferentes, 2009 e 2010, para avaliarmos a evolução. A seguir Quinta dos Murças 2009, um vinhão bastante estruturado. Depois os vinhos da Quinta do Crasto, Roquete e Cazes 2009 e o Xisto 2005, que arrancou o voto da maioria como o vinho da noite.

A degustação foi bastante leve no sentido de desenvolver a prova individual, e entendo ser fundamental aos importadores e exportadores promover esse tipo de ação. Percebe-se a cada dia o interesse do consumidor, muitas vezes eventual, em entender melhor desta bebida e especialmente em entender seu gosto individual, sua preferência de consumo. E é levando o consumidor pra dentro da adega que se desenvolve ativamente o consumo.

Avaliações afora, estive em casa e entre amigos neste evento. Matando a saudade deles, matando a saudade de Recife. Muitas risadas fecharam a noite na certeza de que bons vinhos são sem dúvida a melhor companhia para ótimas companhias.

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Em Mendoza: “The Vines of Mendoza”

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O “The Vines of Mendoza” é um espaço muito bacana dedicado especialmente ao fomento da experimentação dos vinhos de Mendoza. Conta com um sala pra degustação repleta de rótulos de vinícolas não tão famosas do publico geral. O enfoque é nas chamadas vinícolas boutique, de pequena, exclusiva e cuidadosa produção.

Os flights (como eles chamam as degustações, notadamente focadas originalmente no público “gringo”) contam hoje com sommeliers que falam português, numa maneira bastante caprichosa de receber o enófilo brasileiro. Pois bem, havia marcado um flight dos chamados “ícones” e ganhado um flight dos varietais produzidos em Mendoza. Optei pela degustações às cegas e posso dizer: além de divertida, foi cheia de surpresas.

A degustação dos varietais é bem didática e indicaria a qualquer visitante. Um torrontes (Las Perdizes, 2011) que se não estivesse em Mendoza diria tratar-se um ótimo sauvignon blanc. Um pinot noir (Maula Oak, 2011) bastante descaracterizado com muito carvalho, que eu particularmente tiraria do flight pois não representa bem nem Mendoza, nem a cepa. Um bonarda (Mairena Reserve, 2008) meu preferido do flight, que imaginei tratar-se de um blend talvez com presença da merlot. Um blend (Quaramy Finca Blend, 2007) interessante didaticamente, nada excepcional. Um malbec (De Angeles, 2009) num estilo bem comercial e que agradaria a maioria. Fazer essa degustação às cegas é super interessante, em especial para os iniciantes, no sentido de aguçar a experiência do gosto.

Já o flight dos ícones foi um capítulo a parte. Toda uma concentração para desvendar, entre o que há de melhor em Mendoza, e conseguir escolher meu preferido. Considerando tratar-se de uma degustação de TOPs, e cortes em sua maioria, o desafio residia não em descobrir castas ou atribuir notas, afinal todos são grandes vinhos, mas experimentar. A degustação foi bem longa, com seis vinhos, onde o sommelier que me acompanhou degustou também em separado (dois rótulos foram incluídos fora do flight padrão) e depois juntos discutimos, vinho a vinho, minhas impressões sobre cada um. A degustação contou com: Caro 2007, Ave Memento 2007, Val de Fores 2006, e em especial:

  • Pulenta Estate Gran Cabernet Franc 2009: um cabernet franc bastante evoluído foi o instigante da noite, tinha o corpo e a pouca profundidade de cor típicos da pinot noir mas o nariz mostrava não ser.
  • Cheval Des Andes 2007: até o ultimo momento dividiu meu “pódio” num contraponto entre sua elegância e o mistério do “preferido”.
  • Tikal Amorio 2008: o rei da degustação, causou uma certa surpresa ao sommelier e me fez entender que a paixão pelos vinhos de Ernesto Catena é realmente pelo estilo. Vinho robusto, diria até “agressivo” para o apreciador padrão. É o vinho que me deixa com um sorriso a cada gole, um vinho a se desbravar a cada taça.

O resumo de uma ida ao “The Vines of Mendoza” é corroborar para a competência mendocina em produzir grandes vinhos, perceber a hospitalidade e profissionalismo da cidade (me desculpem os portenhos mas os mendocinos é que sabem receber!) e ter vontade de trazer na mala incontáveis vinhos. Só me restava espaço para três garrafas e foram três que vieram de lá. Além da lembrança da melhor degustação de toda a viagem. 😉

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Em Mendoza: Alta Vista, Bonarda e Single Vineyard

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Mais um medalhão argentino! Os vinhos da Alta vista são bastante conhecidos do público brasileiro, talvez os premium estejam menos presentes, pelos menos nas cartas de vinhos de restaurantes. A minha visita à Alta Vista contava também com a expectativa da degustação dos seus azeites, muito bons. Infelizmente haviam se esgotado todos ficando como consolo apenas as (lindas!) oliveiras carregadas que pudemos ver junto à entrada da vinícola.

A degustação proposta na visita foi bem interessante, contando com o espumante Atemporal (chardonnay e pinot noir), um Premium Torrontés, um Premium Bonarda, um Terroir Selection Malbec e o TOP de linha da vinícola o Alta Vista Alto. (PS: a falta das safras é pura falha, não anotei, e como só lembro de dois achei melhor não colocar a de nenhum).

O espumante e o torrontés bastante interessantes, só faltando um pouco mais de acidez (minha sempre fixação!). O bonarda muitíssimo elegante no nariz e na boca, vinho pronto e bastante versátil fugindo um pouco do “lugar comum” dos malbecs. O malbec Terroir Selection bastante vivo, estruturado, me agradou bastante, mas precisa de mais guarda para o consumidor médio (era ainda bastante jovem). Já o Alta Vista Alto é de fato um grande mendocino, não é vinificado em todas as safras, somente em anos destacados, redondo, taninos elegantes e ótima acidez, demonstrando sua longevidade.

Nesta degustação, individual, foi possível discorrermos não somente sobre os aspectos dos vinhos degustados, mas também conversar sobre o universo dos vinhos em geral, discutimos um pouco sobre terroir, as regiões vinícolas da Argentina, suas características em termos de temperatura, solo, altitude, castas… Eu não sabia, mas a bonarda, um tanto exótica no rol dos vinhos mais comerciais, é a segunda variedade mais plantada na Argentina (perdendo apenas para a malbec) e foi sem dúvida a casta que me brindou com mais surpresas durante toda a viagem. Se minha única experiência com a bonarda tinha sido um fiasco, após esta viagem a casta ganhou lugar de destaque no meu gosto pessoal. O Premium Bonarda da Alta Vista me encheu os olhos, por ser muito mais do que se espera de um bonarda: aromas elegantíssimos, corpo na medida, e um final bom, não tão curto como era de se imaginar. Realmente um exemplar pra sempre ser degustado, veio um na mala! 😉

Neste contexto, foi também possível discorrermos sobre o conceito de “Single Vineyard” (vinhedo único) tão disseminado em Mendoza. A meu ver há certo exagero no uso do termo, todas as vinícolas tratando de ter seu próprio rótulo single vineyard, o que deveria ser uma condição de exceção (ou não?). O conceito tão presente na França e Itália, países pais dos vinhos, trata normalmente de vinhos singulares, de vinhedos excepcionais, normalmente vinhas velhas, com os quais fazer blends com outros vinhedos seria quase um sacrilégio! A pergunta que restou depois de conhecer tantos single vineyard em Mendoza foi se realmente existem tantos vinhedos excepcionais assim por lá, ou se na verdade não estariam perdendo uma maior expressão, com assemblages bem feitos, em favor do apelo de marketing de exclusividade dos single vineyard. Fica a reflexão!

De fato a Argentina foi agraciada ao ter dado berço, e representatividade, a três castas sem tanta expressividade em outros terroirs. É como se Baco tivesse sentenciado: “Essas três castas terão origem em outro lugar, mas só mostrarão quem realmente são quando chegarem à Argentina.”  Desabrocharam muito bem, e verdade seja dita: Malbec, Bonarda e Torrontés são a cara da Argentina!

Em Mendoza: Catena Zapata

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Falar da Catena Zapata é chover no molhado e eu sei bem disso. É falar de tradição, de marca e da própria história do vinho na Argentina. Tenho dito e repito: se tivesse que, hoje, escolher uma única vinícola da qual beberia somente dos seus vinhos até o fim da vida, minha escolha seria a Catena.

Logo nos primórdios da descoberta me incomodava a presença massiva dos seus vinhos nas cartas de todo e qualquer restaurante do Brasil. “Puro investimento em marketing”, imaginava eu. É nesta hora, quando você realmente começa a degustar outras e superiores linhas da Catena que você entende o que é unir a qualidade e respeito ao vinho com o empresariar e alavancar a marca.

Foi assim. A Catena encheu o mercado brasileiro com seu “Catena Malbec”, muito correto e com preço justo. Desta forma, inclusive fomentando o mercado de vinhos como um todo, a vinícola cumpriu seu propósito alinhando vinhos corretos, de expressão, com marketing agressivo. Assim seus vinhos são sempre referência de qualidade para os bebedores eventuais que conheço. E isso é muito bom, os mantém longe dos famigerados Mouton Cadet! 😛

Ok! O tour pela vinícola é bem “enlatado” muito parecido com a Concha y Toro, vídeo institucional e tal… Coisas de vinícola com label a defender. Mas ainda assim é impossível estar em Mendoza e não visitar. A arquitetura chama a atenção e a degustação conta com os vinhos premium: Catena Alta Chardonnay, Catena Alta Cabernet Sauvignon e Angélica Zapata Malbec. Solicitei à parte a degustação do TOP da vinícola o Malbec Argentino Catena Zapata, que foi o ponto alto, realmente um Malbec ícone, e deve aparecer no blog em breve.

Mendoza é um paraíso aos amantes dos vinhos. Estar neste lugar é não só respirar dos malbecs, bonardas e torrontés em sua expressão máxima, mas perceber a paixão dos seus tantos produtores, e dos mendocinos como um todo. Eles amam seus vinhos! Faltaram dias para viver um pouco mais disso tudo mas foi suficiente para boas surpresas e manter aquela imensa vontade de voltar. E logo! 😀

Californianos em foco

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Estar em São Paulo é passar por dúvidas cruéis: participo de uma degustação de rótulos franceses, italianos ou…americanos?

Escolhi o menos óbvio, claro! Na Smart Buy Wines fomos levados à Califórnia, especialmente Napa Valley, com seus vinhos e tipicidade. A loja, que é especializada em vinhos californianos, levou para esta degustação três rótulos de Napa: um chardonnay clássico da região, um cabernet em corte bordalês e um syrah.

Hoje os EUA são o quarto produtor mundial de vinhos, perdendo apenas para França, Itália e Espanha, o que justifica a importância que tem ocupado a cada dia neste mercado.

Os vinhos degustados, bem típicos do estilo americanos com muita extração e madeira, foram:

  • Chateau Montelena Chardonnay 2008: estágio de 10 meses em carvalho francês. O clássico chardonnay de Napa, R$ 160 (375ml)
  • Educated Guess Cabernet Sauvignon 2009: passagem de 12 meses em carvalho americano e francês. R$ 125
  • Novy Syrah 2009: estágio de 15 meses em carvalho francês. R$ 109

O sommelier da casa, Marcos Martins, também levou vários aromas naturais para o exercício das percepções olfativas em cada vinho. Didático e divertido. Engraçado como esse ambiente de vinhos propicia a integração das pessoas e como a identificação, através dos vinhos, é uma coisa forte.

Os vinhos da noite nem me encantaram tanto, mas trouxe de lá dois outros rótulos para experimentar, e novos companheiros de vinho para a posteridade!

No Peru: comida, pisco e um pouco de vinho

Um carnaval no Peru muito intenso. Cheio de experiências gastronômicas, vínicas (etílicas) e especialmente pessoais, que é difícil resumir. Poucos dias, mas que pela intensidade pareceram semanas. Difícil voltar ao cotidiano.

Duas coisas me impressionaram bastante no Peru, além dos objetivos óbvios da viagem: a comida, que já sabia da sua riqueza, e o serviço. Os peruanos são especialistas em receber bem. Sejam os serviços turísticos em si, seja em restaurantes, lojas, etc. Voltar pra lá é mais do que uma vontade, é a certeza de estar em ótimo lugar. Todos os dias comi e bebi o que se come e o que se bebe por lá. Claro que os vinhos não ficaram de fora mas os pontos altos da viagem foram:

  • degustação das ótimas cervejas cusqueñas com carpaccio de alpaca
  • pisco sour como drink de boas vindas em todos os lugares
  • ceviches, muitos ceviches, em várias versões.
  • choclos em todas suas versões possíveis: desde o milho de rua até o milho estourado por dentro, a pipoca ao avesso, e a chicha morada, mais ou menos um suco de milho roxo.
  • cuy com purê de papas locais
  • as mais variadas espécies de papas, em forma de chips, nos couverts dos restaurantes
  • todos os tipos de aji, pra esquentar até a alma.

Trouxe na mala uma garrafa de pisco, a famosa bebida peruana, e dois não tão famosos vinhos peruanos. Serão boas surpresas? Veremos!

Sendo este post um post meio off, ressalto que ele é mesmo pra matar um pouco a saudade. Saudade de um lugar tão cheio de cultura própria (e orgulho dela!), de nuances gastronômicas e especialmente cheio de cuidado e ritual com as pessoas e com aquilo que se põe à mesa. Como a companhia era das melhores não havia como esta viagem ser mais perfeita!

Hasta luego Peru!

APPs de vinhos, e voltando à antiga maneira…

Eu ando numa briga ferrenha com o iPhone. Uma bateria que não dura nada e que me deixa na mão quando mais preciso. E olhe que a última função dele tem sido telefonar! Há tempos queria falar dos apps, mas os estresses que andei passando com o telefone até me fizeram parar de baixar as novidades. Deixei de fotografar alguns vinhos interessantes por falta de bateria. Ontem finalmente recebi uma bateria extra, portátil, que comprei pra tentar minimizar esses eventos. Vamos ver!

Já baixei muita coisa sem sentindo e outras bem óbvias, como apps de revista e de importadora (o da Mistral para iPad é muito bom). Aqui preferi mostrar o que achei mais interessante.

Wine (free): É uma espécie de portal com notícias do vinho a nível global, produzido em Portugal. Acho bem legal pra saber as novidades e pautas sobre o assunto. Tem todo tipo de matéria, é uma boa forma de se atualizar sobre o mercado.

Vintage Chart (free): Essa é a tabela de safras da famosíssima Wine Spectator. Eu acho legal pra consultar, especialmente porque há a referência de guarda para as safras das mais diversas regiões produtoras do mundo e inclusive informando se já estaria na hora de degustar!

Wine Tag (free): Esse nunca usei porque simplesmente nunca vi um vinho seque com QRCode. 😛 Trata-se de um sistema de avaliação de rótulos e sei que muitos restaurantes em São Paulo usam ele para tornar a carta de vinhos mais iterativa, mas eu sinceramente ainda não achei muito uso pra mim. Confesso que essas avaliações em “nuvem” não me interessam muito. Qual a confiabilidade delas? Nenhuma. Ainda não deletei porque fico na expectativa de um dia conseguir usá-lo ou talvez entendê-lo melhor!

Corkbin (free): É uma rede social de vinhos. Lá o esquema é como no twitter: você segue as pessoas, as pessoas lhe seguem. A idéia é ir postando os vinhos, compartilhando com os seguidores. Tinha tudo pra ser ótimo mas a interface de publicação é muito restrita: só dá pra postar a foto do rótulo e alguns caracteres (não mais do que 200, imagino) na descrição.

S-Bordeaux (free): é um aplicativo que promete consolidar todos os vinhos de bordeaux. No entanto eu não consegui encontrar nada além de um Gran Cru Classe que tenho na adega. O legal seria se eles ampliassem para os bordeaux “não classificados”, que é a maioria no mercado.

Smart Cave (€ 3,99): comprei esse, após avaliações positivas na rede, para administrar minha adega até descobrir que ele é… em francês. Não entendo nada, aí foi logo abandonado. Não custava nada ter uma versão em inglês, né?

Vinos Repsol (free): Guia de vinhos espanhóis classificados por tipo, pontuação, safra, preço (em euros), região. Há uma breve descrição de cada vinho, indicação de guarda, de temperadura e de harmonização. As pontuações 0-100 são em duas cores (vermelha ou azul) não tem referência de autoria, de quem avaliou. Vale a pena para quem gosta dos rótulos espanhóis.

Enoblogs (free): o aplicativo do enoblogs está meio “caduco” mas é lá que que se encontram todas as postagens dos blogs brasileiros sobre vinhos, inclusive deste blog! 😉

 

Já o Wine Notes é o meu queridinho. Também é free e perfeito para administrar a adega. Dá pra colocar toda as informações dos vinhos, inclusive quantidade em estoque, e você pode classificar e escolher o que quer beber de acordo com vários critérios: país, uva, safra. Com ele você consegue visualizar bem o que tem. Não tem jeito, quanto mais rótulos a gente vai comprando mais vai perdendo a noção do que está em adega.

No Wine Notes é possível também catalogar todas as informações de degustação como aromas, sabores, taninos, acidez, nota… Realmente muito completo e achei que tinha resolvido minha vida, mas ele não funciona quando você está com outras pessoas degustando o vinho. A não ser que você queira parecer anti-social e geek ao telefone enquanto os outros socializam, a louca enochata. A solução que encontrei para completar meu wine notes, e não parecer tão anti-social, foi voltar à velha moda da caderneta. Como boa engenheira sempre tinha um caderninho na bolsa, agora o que carrego é o moleskine de vinho que ganhei de Natal e que já é peça fundamental no meu ritual dos vinhos. Recomendo! 😉