Espumante made in Brazil

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Muito se fala da competência nacional quando o assunto é vinhos espumantes, e verdade seja dita, o Brasil tem realmente excelentes rótulos. No exterior o vinho nacional virou sinônimo de espumante e junto aos nossos irmãos da América Latina, Argentina e Chile, saímos ganhando quando o assunto é este vinho festivo.

O vinho: Luiz Argenta Brut

Gosto muito da proposta visual dos vinhos da Argenta, numa idéia minimalista e clássica ao mesmo tempo. Este espumante é elaborado pelo método charmat longo com as uvas chardonnay e riesling itálico. Tem uma perlage bastante intensa e fina, aromas de frutas cítricas e mel mas com muitas notas da fermentação, casca de pão. Em boca acidez maravilhosa que se propõe à várias harmonizações, muito frescor, boa untuosidade e persistência. Um espumante de complexidade em prova, desses que a gente degusta já pensando em qual será a próxima oportunidade.

* R$ 33 www.boutiqueluizargenta.com.br

BRASIL

Um chenin blanc do sertão

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Esse chenin blanc foi degustado na minha ida à Petrolina num passeio de barco extremamente agradável. É daqueles vinhos simples e adequados à ocasiões como esta, onde se deseja uma bebida leve e de frescor.

O vinho: TerraNova Chenin Blanc 2010

Na taça um amarelo palha, bastante brilhante. No nariz muita fruta crítica porém com alguma doçura. Em boca boa acidez, retrogosto cítrico e mel conferindo ao vinho um caráter bastante interessante para harmonizações despretensiosas com peixes ou frutos do mar grelhados. Importante não descuidar da temperatura a fim de manter o frescor adequado.

Ótima opção para um dia de sol e calor no rio São Francisco.

* R$ 19 no bar à bordo

BRASIL

No Vale do São Francisco: Vinícola Ouro Verde

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Estive em Petrolina semana passada, antes de embarcar para a ExpoVinis, e aproveitei a viagem para conhecer a estrutura da Vinícola Ouro Verde, do grupo Miolo.

Primeiro é importante destacar o cenário, temperaturas em torno de 40 graus onde a caatinga predomina. Em meio àquela paisagem ninguém imagina encontrar vinhedos, muito menos vinho, mas é fato que os projetos irrigados ao longo do Rio São Francisco tem trazido muito desenvolvimento à região que também produz diversas outras frutas de excelente qualidade.

A estrutura da vinícola é bastante robusta e adequada ao enoturismo. Uma fachada imponente, loja e sala de degustação adequadíssimas. Lá se recebe visitantes todos os dias em horários previamente agendados.

Todo o processo de produção foi apresentado e soubemos que a TerraNova (marca dos rótulos de lá) deixará de ter o cabernet sauvignon por motivo de má adaptação da casta naquele vinhedo. Degustamos todos os rótulos da marca e também o brandy produzido em parceria com a Osborne. Foi lá que conheci o novo rótulo TOP, o Testardi. 100% syrah que agora é aposta em substituição à cabernet. No dia seguinte à esta visita o Testardi foi apresentado oficialmente na ExpoVinis e ganhou a premiação de melhor tinto nacional.

Estando em Petrolina e arredores vale muito a pena, não só aos apaixonados por vinhos, uma visita à vinícola. Conhecer os vinhedos, a produção, e degustar os vinhos é perceber o verdadeiro milagre que se faz em terras tão áridas.

Quando a essência do vinho se perde…

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Queria muito acordar e perceber que toda essa defesa retórica da famigerada ~salvaguarda~ não passou de um sonho ruim.

Voltar a ter certeza que o vinho nacional vai se destacar, e conquistar os brasileiros, por sua QUALIDADE e não por imposição de barreiras à concorrência LEAL.

Tenho medo de estar em meio a um pesadelo. Um pesadelo onde os vinhos tornam-se ainda mais inacessíveis e com prateleiras lotadas apenas das vinícolas brasileiras DOMINANTES e seus vinhos medíocres.

Monopólio ou ditadura do vinho “made in Brazil“, desejam esses senhores?

Sou uma sonhadora mesmo. Sonhava com o vinho nacional (e nosso terroir!) fazendo frente legitimamente aos clássicos. Mas agora já não sonho mais. Acordei.

E o vinho de garrafão?

Foi numa brincadeira entre amigos onde relembramos a presença do vinho de garrafão em nossas saídas de grana regrada (em Recife o mais famoso é, ou era, o Carreteiro) que surgiu este post.

O vinho chamado “de mesa”, de garrafão, difere do vinho chamado “fino” em diversos aspectos da vinificação em si, mas a grande diferença é que o vinho fino é produzido com uvas vitis vinifera, isto é, uva de se produzir vinho! Os vinhos de garrafão são produzidas com as chamadas uvas americanas, de mesa, isto é, uvas para se produzir suco de uva, afora isso existe também adição de açucar de cana ao fermentando dando aquele sabor adocicado (e enjoado!) dos vinhos de garrafão. Além da adição de água, aguardente, e demais adições e correções. Confesso que tenho imensa reticência em chamar de vinho essa “mistura fermentada” tamanhas diferenças na produção dos vinhos “de verdade”.

Há quem diga que existem produtores que fermentam não a uva mas o bagaço proveniente do suco extraído (e vendido como suco integral) para elaborar seus vinhos de garrafão. Se isto é verdade eu não sei, mas não tenho dúvidas de que para a produção desses vinhos devem ser utilizadas as uvas mais deterioradas, ou que não se prestam à produção de suco, tendo em vista o alto valor agregado ao suco de uva integral e o baixo valor do vinho de garrafão.

Fato é que os vinhos finos, objeto deste blog, representam não mais de 10% de todos os litros de produtos de uva (suco e vinho) produzidos no RS, enquanto os vinhos de garrafão representam mais de 60% desta produção.

A uva de mesa é de mais simples manejo, além de agregar mais valor em toda sua cadeia: fruta in natura, suco de uva, vinho de garrafão. Enquanto o vinho fino demanda muito mais investimento em linha de produção, tecnologia e complexidade no manejo pra produzir… vinho!!!

Muito se fala do papel do vinho de garrafão para o fomento do consumo do vinho fino. O consumidor deste vinho migraria gradativamente ao vinho “superior”, de verdade. Eu não sinto dessa forma, acredito que são produtos distintos e que não necessariamente um leva ao outro. Entendo que o mercado de uva e derivados busca sempre essa correlação mas o posicionamento de mercado dos dois produtos é bastante diverso. Entendo que o garrafão leva ao vinho fino assim como a cerveja ou a vodca, comportanto-se como uma bebida alcoolica como qualquer outra, de baixo custo e só.

Lembro que quando visitei uma vinícola antiga no RS, e hoje famosa pela produção dos seus vinhos finos, ouvi um dos responsáveis dizer que mantinham na sua linha o vinho de garrafão que foi o início de tudo, em gerações passadas. Que mantiveram porque o consumidor pediu. Achei romântica a escolha e de respeito à origem da vinícola, mas definitivamente o consumidor que hoje é o cliente daquela vinícola não se interessa pelo vinho de garrafão e o consumidor do vinho de garrafão não se interessa por aquela vinícola enquanto marca de qualidade. Talvez essa diversificação ainda haja entre os produtores por uma certa “insegurança” com a liquidez do vinhos finos, tão marcados por safras, mudanças climáticas, solo, terroir… afinal, verdade seja dita, o vinho de garrafão é um produto bem menos volátil.

Importado ou nacional? O menos subsidiado por favor!

Eu nem costumo citar aqui notícias de vinho, até pra não transformar o blog numa espécie de “clipping”, que muita gente já faz e existem portais com esse propósito. Agora esta noticia, que circulou esta semana, não teve como passar incólume:

Vinícolas brasileiras querem barrar importação

Não há como não se indignar. Isso é um completo absurdo!

Como um país pode trabalhar no seu “desenvolvimento econômico” fomentando políticas protecionistas? Todo mundo defende livre economia, mas na hora de “mexer no seu negócio” adora subsídios e mecanismos de proteção. Um paradoxo sem tamanho, que só favorece a estagnação da qualidade dos produtos “protegidos”. Que proteção é essa, que só desfavorece o consumidor?

Quem me conhece sabe que defendo com unhas e dentes o vinho brasileiro. Por sua QUALIDADE. Mas onde já se viu proteger o vinho nacional aumentando sobremaneira a carga tributária, propondo preço mínimo e cota aos importados?? Pra mim isso, além de injusto, favorece a acomodação do produtor nacional.

Porque os produtores não querem uma concorrência ao menos leal? Se a única estratégia que conseguem enxergar é deixar o produto importado cada vez mais caro me parece que há um desvio de valor. Deviam se esforçar em melhorar a qualidade do produto, logística, qualificar representações, baixar custos indiretos… Não é assim que se trabalha na livre concorrência?

Alegam que o produto importado sofre benefícios fiscais na origem. Então porque não buscar paridade por aqui? Brigar para classificar o vinho como alimento, assim como na Europa. Embora eu pessoalmente não concorde com essa visão romantizada, é um caminho de paridade.

Desculpem-me a franqueza e a irritação que este assunto me dá, mas é por pleitos como este que fica parecendo que o Brasil é mesmo um país sem vocação pra produção de vinho, que dependerá SEMPRE da “mão do estado” pra sobreviver.

Se for realmente necessário “barrar” cada vez mais o vinho importado para o nosso vinho fazer alguma cócega no mercado, das duas uma: ou nosso produto é mesmo fraco, de produção ineficiente, ou nosso empresariado é muito guloso e acomodado. Gostaria de não ficar com nenhuma das opções!

* imagem: gettyimages

Dunamis Tom Rosé 2011

Recebi este vinho da assessoria de imprensa da vinícola Dunamis e realmente nao conhecia (aquela velha dificuldade em ter acesso aos vinhos daqui…).

O rosé é um vinho extremamente adequado ao calor que anda fazendo, e são vinhos que me agradam muito. Tanto pelas possibilidades de harmonização, quanto pelo clima que está propício a vinhos mais leves.

Este é sem dúvidas mais um bom rosé nacional que faz frente orgulhosamente aos famosos de provence. Elaborado com cabernet sauvignon, na taça tem uma cor que adoro: nem tão intensa quando alguns rosés do “novo mundo”, mas que nos diferencia dos franceses, que são mais para salmão do que verdadeiramente rosados. No nariz aromas de frutas brancas e um pouco de framboesa. O álcool (12 graus) apareceu um pouco no nariz, mas ele foi servido a uma temperatura ligeiramente mais alta (erro meu!). No geral os aromas são bastante elegantes. Já na boca tem um ótimo ataque, em nada se sente o álcool, o frescor é o mais marcante com a boa persistência final. Definitivamente um ótimo rosé, não só para harmonizações com frutos do mar mas, por que não, substituindo a cerveja sob o sol. É um vinho que, apesar da gradação considerável, se bebe muito fácil.

Minha crítica vai para a rolha, que nao consegui identificar o material sintético esponjoso do qual é feita e que fez vazar um pouco do vinho, guardado deitado em minha adega. Felizmente nao houve qualquer comprometimento. Talvez a screllcap funcione melhor. Fica a observação, quem sabe para as próximas safras.

Só posso terminar este post confessando que, até agora, os rosés nacionais me encantam muito mais do que os de Provence. E aí é opinião pessoal mesmo. Ponto pro Brasil! 😉

* R$ 25 em diversas lojas do Rio Grande do Sul

BRASIL

Vira-lata até quando?

Há algum tempo fui convidada para uma ação do Ibravin que acontece agora na semana do carnaval (a qual infelizmente não vou poder participar) e no mesmo dia havia lido uns comentários de alguém, também do “mundo dos vinhos”, criticando um certo patriotismo exagerado com o vinho brasileiro. Me peguei refletindo sobre esses dois opostos.

Não acho que devemos ser complacentes com o vinho brasileiro, como se fossemos “cafe-com-leite”. Na verdade nem acho que isso exista de verdade. O vinho brasileiro historicamente sofreu muito mais crítica do que crédito. E deve-se à critica uma grande contribuição para a evolução dos vinhos que temos hoje no Brasil. E isso continua.

O que me angustia não é uma “possível” complacência. Me angustia justamente o contrário. É essa mania, ou culpa do passado colonial, do brasileiro em geral achar que tudo que é de fora é melhor, é mais importante, de melhor qualidade. A conhecida síndrome de vira-lata.

Eu acredito piamente no fomento daquilo que é bom e que é produzido próximo a nós como forma de contribuir para o desenvolvimento da região, dos seus negócios e do seu povo. O Ibravin tem feito seu trabalho de apoio, desenvolvendo a marca do vinho brasileiro, provendo crescimento. Mas infelizmente sinto que as vinícolas não estão fazendo seu ciclo completo. Essa seria a minha critica ao vinho brasileiro.

É preciso QUALIFICAR as representações. As vinícolas estão faltando justamente na ponta da cadeia. TODOS os meus rótulos nacionais eu comprei diretamente com as vinícolas ou pela internet. A gente tem mesmo que se esforçar pra ter acesso aos bons vinhos daqui. Quase nunca se consegue pedir um vinho nacional num restaurante, as cartas não representam o Brasil (falo especialmente do meu meio onde circulo: Recife e Salvador), que quando tem vinhos nacionais são aqueles de sempre, da vinícola de sempre, que não me enchem os olhos.

Porque se o objetivo é criar o costume no brasileiro em beber vinho daqui é preciso mostrar o que temos de bom. Porque temos MUITOS, muitos vinhos bons. Os reserva e gran reserva da Boscato, as linhas TOP da Valduga, os espumantes Cave Geisse, os ótimos roses nacionais, os Lidio Carraro, os Rio Sol… enfim.

Por que muitos continuam bebendo franceses medíocres se poderiam degustar bons nacionais? Ainda há falta de informação, mas o consumidor brasileiro, mesmo o eventual, tem andado mais criterioso e curioso. Falta mesmo oferta. Os “reservados” da Concha y Toro já saíram há muito das cartas de vinho dos bons restaurantes, enquanto os vinhos brasileiros não tem ocupado o seu merecido espaço.

Eu sempre me pego pensando nessas questões todas. Pois tem algo que ainda não se encaixa… Se há um órgão de fomento e apoio (Ibravin) e há bons produtos, está faltando o que para o vinho do Brasil estar no restaurante aqui do lado?

Um Cabernet nacional com Bode. Harmonizou?

Recife está “em polvorosa”. Faltando uma semana para o carnaval, com mil prévias acontecendo, andar de carro pela cidade pode ser um teste à paciência, nunca se sabe em qual ruazinha está saindo mais um estandarte. Eu já não me envolvo tanto nesse clima (tô velha), vou pra Recife mais pra matar outras saudades…

Sou pernambucana, e pernambucano que se preze gosta de bode! 😀 Em Salvador é meio complicado de achar bons lugares, realmente não faz parte da cultura local, já em Recife boas opções não faltam e eu naquela saudade do bode com feijão verde (de verdade!) sai com o objetivo claro de matar a vontade!

Fomos ao Entre Amigos, “O Bode”. Importante frisar: meus companheiros de mesa não bebem vinho. Olhe, que triste sina de ter que ou beber refrigerante/suco ou ficar na água. Eu SEMPRE durante as refeições sinto necessidade de um vinho, força do hábito, mas pouquíssimos lugares tem opção de taça ou meia garrafa. Hoje, por sorte, havia uma opção em garrafa de 250ml e não pensei duas vezes. Por sinal, a carta do “Bode” é bem interessante, especialmente se levarmos em consideração o caráter mais “bar” que o lugar sempre teve.

É claro que não dá pra esperar muito de vinhos em garrafas menores. Normalmente as vinícolas (quando as tem) engarrafam apenas a versão de “entrada”, de vinhos pra serem bebidos jovens. Mas imagino que essa deva ser mesmo a proposta desses vinhos: tornar hábito o consumo cotidiano, saudável. Quem sabe um dia tirar os refrigerantes da mesa… O vinho de hoje tem tanto essa proposta que no rótulo não tem nem a safra. Fui buscar na garrafa o carimbo de data de fabricação, um vinho da colheita de 2011, de Flores da Cunha/RS.

O vinho: Oremus Cabernet Sauvignon 2011

Ele só tem 12 graus de álcool, mas chega a incomodar um pouco no nariz. Baixar a temperatura um pouco mais (em Recife está um calor senegalês) teria ajudado um pouco. É um vinho bem “aguado” na taça, mas bastante aromático, com frutas vermelhas maduras. Na boca é bem ligeiro, boa acidez, fácil de beber. Mas mostra de cara ser um cabernet, pois se fosse um merlot com tanta característica de maturação teria taninos quase que sem graça. Posso dizer que me surpreendi com o vinho, que afinal funcionou muito bem com o bode assado (e delicioso). Nada melhor do que poder harmonizar um almoço despretensioso, é tirar um pouco dessa pompa esnobe que costumam dar ao vinho. E foi essa a “despedida” de Recife desta vez.

Fica aqui o apelo aos restaurantes que tenham em suas cartas de vinhos algumas opções (sempre jovens!) dos vinhos em garrafas menores. Ajuda a fomentar o consumo responsável, especialmente quando o objetivo do vinho não é de “encontros sociais”, mas de simplesmente acompanhar (a altura) uma refeição.

Ah! E já que pra matar a saudade não dá pra trazer as pessoas, ao menos o bolo de rolo coube na mala. 😉

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* R$ 12,90 garrafa de 250ml no “Bode”

BRASIL

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Pericó: O icewine brasileiro

Este post tem um peso especial. Além de tratar-se da avaliação do icewine brasileiro, que por sinal eu ainda não degustei (inveja mode on), o post foi escrito pelo amigo sommelier Edgar Fedrizzi, colaborando para o IN VINO VERITAS em grande estilo! Seja MUITO bem-vindo Edgar! 😉

O brinde com o primeiro “vinho do gelo” de um país tropical!

Com um terroir peculiar, a Pericó preparou com antecedência o solo, retardou a colheita, desbastou os cachos e com paciência franciscana esperou que El Ninho antecipasse o inverno e os tão esperados -7,5°C. Em Junho de 2009, Bacco intercedeu e na madrugada mágica se fez a colheita para a produção do primeiro icewine brasileiro. Daí pra frente começou o trabalho do enólogo no “aliar-se” à natureza, para produzir este vinho único, que descansou 12 meses em barricas.

Recentemente tive a oportunidade de degustar esta raridade, que se diferencia já pela apresentação. Uma embalagem elegante e funcional. Dentro uma cápsula metálica gravada em relevo, um livreto com a história, outra cápsula com uma taça de cristal personalizada, especial para vinhos licorosos, e uma reprodução de uma obra de arte de Tereza Martorano mostrando através da arte naif, a visão da artista do panorama da colheita. Uma apresentação primorosa.

Abrindo a embalagem, somos brindados com um recipiente
elegante (200ml), digno dos mais sofisticados perfumes. Ainda na garrafa o vinho já mostra suas qualidades, o vidro branco permite a visão de um liquido rosa/castanho brilhante. Aguardo com ansiedade a temperatura de serviço indicada (9°C a 11 C). Sirvo. A luz transversal ressalta o brilho e a limpidez. No nariz uma profusão de aromas, frutas secas, nozes, ameixas negra, chocolate, que nem de longe lembram a sua origem: cabernet sauvignon. A ficha técnica anuncia 85gr de açúcar, que é completamente equilibrado pela acidez e temperatura de serviço. Com uma grande persistência, nos convida a beber mais. E depois de tudo os aromas de fundo de taça: figos secos e chocolate.

Nas dicas de harmonização, ele é classificado como vinho de sobremesa. Vou além, me alio a Karl Kaiser: um vinho do gelo é a própria sobremesa.

Evitei comparações (inclusive de preço) com outros icewines. Foi uma experiência com um vinho inusitado, pela sua origem fora da Alemanha e Canadá. Uma experiência positiva. Pena que não é possível comprar apenas o vinho, o que melhoraria a relação custo x beneficio. Porém, mais do que uma proposta comercial, me parece a realização de um sonho de seu produtor, o que deve ser respeitado, afinal sonho não tem preço. Já este nos custa R$ 180, a garrafa.

Por Edgar Luiz Fedrizzi Filho – Sommelier FISAR