“Bê a Bá” do Vinho

1) TIPOS:

Vinhos Tranqüilos:

  • Brancos: podem ser provenientes da vinificação de uvas brancas ou tintas, no entanto sem o contato com as cascas. As frutas são prensadas e o “suco” proveniente da presagem é fermentado
  • Tintos: as cascas participam da fermentação e são responsáveis pela cor e pelos taninos típicos dos tintos

Vinhos espumantes:

Podem ser vinificados com as mais espécies de uvas brancas e tintas produzindo espumantes brancos ou roses. A segunda fermentação, responsável pelo perlage (as borbulhas) que o diferencia dos vinhos tranquilos, pode acontecer em tanques (método Charmat) ou na garrafa (método tradicional ou Champenoise). Somente os espumantes produzidos na região de Champagne, pelo método champenoise e de acordo com as rígidas regras de produção da AOC (Denominação de Origem Controlada) de Champagne podem utilizar no rotulo a denominação Champagne.

Vinhos Fortificados:

São vinhos fortificados com adição de aguardente vínica. Esta categoria é vasta e cada vinho tem sua historia e peculiaridade. Tratarei com detalhes quando falar de cada um. Entram neste rol os vinhos do Porto, Jerez, Madeira, Marsala.

Vinhos especiais:

Vinhos com características próprias e especificas no processo de vinificação: vinhos Pasitos, Icewine, Sauternes,Tokaji. Tratarei com detalhes quando falar de cada exemplar.

2) AS TAÇAS

As taças são os veículos condutores dos vinhos. 🙂 Mas a imensa quantidade de tipos e tamanhos realmente dificulta a escolha pelo consumidor comum. A infinidade de taças é realmente assustadora e o que é pior: para degustação de QUALQUER vinho pode-se utilizar a MESMA taça. A conhecida taça ISO, em cristal, utilizada em degustações oficiais atende perfeitamente às avaliações organolépticas: visual, olfativa, tato, sabor. Portanto as características básicas de boas taças são:

  • Que tenha “haste”: para evitar que o calor da mão entre em contato com o vinho e assim esquentá-lo
  • Transparentes, de preferência fabricadas em cristal: a fim de garantir a perfeita visualização do vinho e as características típicas do tipo, cor e idade do vinho
  • Que tenham “bojo”: bojos grandes o suficiente para ser possível a agitação da taça e assim perceber a evolução dos aromas com a agitação. Realmente a diferença é enorme.
  • Bojo afinado na parte superior: para garantir a não dissipação e sim concentração dos aromas do vinho no exame olfativo.

Normalmente uso as mesmas taças para degustação de tintos e brancos, mas há quem prefira a utilização de taças menores para os brancos. Na verdade a regra de taças menores para os brancos é para facilitar o serviço quando são servidos os dois tipos numa mesma degustação. É uma diferença funcional neste caso.

Já os espumantes há de se servir em taças realmente especiais, as tipo flute.
Que favorecem a perfeita formação e liberação da perlage, típica destes vinhos. A taça de espumante desenvolvida no Brasil por meio de uma parceria entre Embrapa Uva e Vinho, Associação Brasileira de Enologia (ABE) e Cristallerie Strauss já é referencia no mundo como a taça ideal e que melhor demonstra as características dos vinhos espumantes.

Meu jogo de taças “ótimo” seria: 1 jogo de tipo ISO, 1 jogo para tintos, 1 jogo com bojo um pouco menor para brancos e 1 jogo para espumantes (de preferência o modelo brasileiro). No entanto, para quem está começando 1 jogo para tintos e 1 para espumantes está de ótimo tamanho!

3) ROLHAS DE CORTIÇA x SCREWCAP

Muita gente tem preconceito com os vinhos de screwcap (as tampas de rosca). Talvez por tirar aquele charme de utilizar o saca-rolhas ou por mudar o modus operandi tradicional dos vinhos, que sempre foram vedados utilizando as conhecidas rolhas de cortiça.

É importante desmistificar esse preconceito. A tampa de rosca veio atender uma demanda por vinhos jovens, para serem bebidos logo e tirar um pouco do sufoco o mercado da cortiça que tem uma oferta bastante limitada.

A rolha de cortiça é condição importantíssima no processo de envelhecimento do vinho, permitindo a micro oxigenação do liquido através da cortiça. Portanto vinhos idealizados para serem bebidos jovens não “precisariam” de rolhas de cortiça, pois não vão amadurecer na garrafa. Normalmente as vinicolas que usam essas tampas em alguns rotulos estão dando a mensagem de que realmente se tratam de vinhos para serem bebidos sem espera, que já estão “prontos” para beber.

Um vinho com tampa de rosca não deve jamais ser avaliado simplesmente por seu tipo de vedação. Pode-se tratar de grandes vinhos sem dúvidas, como ja esperimentei, mas reforço: eu não compraria vinhos com screwcap com mais de 4 anos, sob pena de beber um vinho “morto”.

4) TEMPERATURAS DE SERVIÇO:

Definitivamente não se trata de “preciosismo”. Tente beber um espumante a 18° e verá o purgante que ele se torna! Cada vinho exige uma temperatura de serviço adequada a diversos fatores: tipo do vinho, modo de vinificação, cepas utilizadas, envelhecimento, corpo, etc. O ideal seria cada enólogo definir no próprio rótulo a temperatura ideal para aquela garrafa, tendo em vista que é o enólogo o responsável por todo o processo de produção e quem melhor pode definir a temperatura ideal para demonstrar todas as qualidades do vinho. No entanto, não havendo indicação da temperatura no rotulo é só utilizar as temperaturas a seguir:

15°C: grandes tintos, encorpados, envelhecidos (ex: Bordeaux, Barolo, Amarone)

13°C: tintos leve e ligeiros, sao os tintos mais comuns (ex: nacionais, chilenos e argentinos)

10°C: os grandes brancos e espumantes de classe, amadeirados (ex: brancos da Borgonha, encorpados do novo mundo, champagne)

6°C: brancos e espumantes leves (ex: vinhos jovens do novo e velho mundo, vinhos verde, prosecco, moscatel)

 

PS: as temperaturas indicadas estão levemente mais baixas do que a temperatura “ideal”, devido ao nosso clima muito quente que faz com que o vinho ganhe calor muito rapidamente. Para dias mais frios (abaixo dos 20°C) podemos aumentar estas temperaturas em 2°C.