Sobre

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O que leva alguém a beber vinho não é mistério pra ninguém. Afinal, quem nunca na adolescência bebeu os “famosos” vinhos Carreteiro, Sangue de Boi e tantos outros populares vinhos de garrafão?

Já quando se fala em despender tempo, uma boa dose de paixão, e algum dinheiro no assunto “vinhos”, esses são poucos ainda. Mas o que leva essa, ainda pequena, legião de enoapaixonados a crescer cada vez mais? Sem dúvida são muitas as respostas retóricas e talvez sejam exatamente elas o motivo deste blog.

O que leva tantas pessoas a escrever e descrever o indescritível? Será que é esse mistério em torno do mundo do vinho que causa tanto encantamento? Realmente não sei. E nem tenho a pretensão de um dia saber, mas faço questão de discorrer sobre tais questões.

Um dia um grande amigo meu (daqueles amigos que tem liberdade pra ser mais duro) me disse em meio a um “bate-boca” acirrado, com o intuito claro de me agredir: “Gabi, você escolheu muito bem seu hobby (tons claros de ironia)! Vocês todos que gostam de vinhos são uns chatos de galocha!”

Ele nem sabe, mas passado o furor da discussão, a reflexão ficou. Por que o mundo do vinho ainda é visto com tanta pedância, uma legião de segregados arrogantes? Os famosos enochatos existem, fato. Mas existem porque também existem aqueles desavisados ou mal-intencionados, que lhes creditam confiança. No entanto, a existência destes ou daqueles não justifica completamente o caráter elitista que a bebida ainda tem.

O vinho é uma bebida VIVA, no mais verdadeiro sentido da palavra. Agregadora, sociável, não pode ser subjugada como uma bebida de esnobes. Jamais!

Quando penso despretensiosamente em vinhos sempre penso em mesas postas, pessoas reunidas, em comemorações, em capricho! Capricho com a mesa, com a comida, com as taças. Capricho da vinícola ao engarrafar e rotular tal líquido, capricho do enólogo ao trabalhar nas cepas e nos blends perfeitos, no capricho do agrônomo ao prover o manejo do vinhedo, no capricho do lugar, do clima, do tempo, do solo, da topografia… e no capricho de cada videira, de cada uva, a cada ano, a cada lugar, a nos brindar com líquidos totalmente DISTINTOS… Será que é essa infinidade de possibilidades e sensações o que torna o vinho uma bebida com tantos adeptos apaixonados? Vai saber…

Gosto muito de uma frase de Clifton Fadiman, que a meu ver reflete bem o sentimento daqueles que bebem vinho:

‎”O vinho é uma bebida que implora por ser compartilhada. Eu nunca conheci um amante de vinho mesquinho.”

Convido-lhes a compartilhar e ajudar na popularização essa bebida que tem o verdadeiro dom de aguçar TODOS os sentidos.

In vino veritas!