Mais um alentejano: Reserva do Comendador 2007

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Os vinhos alentejanos tem conquistado espaço significativo no mercado, deixando pra trás algumas regiões até mais famosas de Portugal. A região é grande e muito diversificada em termos de clima, distribuição geográfica e castas. É realmente difícil estabelecer um padrão do que esperar de um vinho alentejano.

No Alentejo a alicante bouschet participa em proporção importante em alguns dos melhores tintos da região e em nenhum outro lugar do mundo esta cepa tem tanto prestígio. Saiu da França, onde é lembrada pelos cortes e para aumentar carga de cor, para revelar-se no Alentejo. No vinho de hoje ela entra no corte juntamente com trincadeira e aragonês, também muito presentes no Alentejo.

O vinho: Reserva do Comendador 2007

Vinho em taça apresenta um granada com bastante profundidade de cor. Muito aromático, frutas vermelhas e negras maduras, geléia, e muitas notas empireumaticas. Em prova bastante elegante, acidez balanceada com taninos finos, untuoso, e retrogosto persistente com notas frutadas e de madeira. O vinho tem estágio de 18 meses em carvalho francês, apresentou depósito de sedimentos no ombro da garrafa e com os 14,5º de álcool em momento algum sobrou em prova, mesmo tendo sido servido à temperatura ambiente.

Trata-se de ótimo exemplar alentejano, que eu diria ter um estilo mais “novo mundo”, com a presença marcante do carvalho novo emprestando, alem do arredondamento dos taninos, carga aromática e untuosidade.

O vinho foi degustado às cegas e somente depois da prova, e ter atribuído nota, descobri ser um vinho assinado por Paulo Laureano. Realmente, mais que merecidas 4 taças e, a certeza da minha “previsibilidade”. 🙂

* US 70 em Luanda/Angola (não encontrei referencia de preço no Brasil)

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Do Alentejo para Angola: Esporão Reserva 2009

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Fazia um bom tempo que não tomava um vinho Herdade do Esporão, uma das minhas vinícolas portuguesas preferidas. Ando vivendo uma relação de amor e ódio pelos vinhos portugueses. Amor por possibilitarem praticamente 99% das minhas degustações deste lado de cá do Atlântico. Ódio justamente pelo mesmo motivo: acabam sendo sempre eles na taça.

A experiência do gosto, tão bem colocada por Jorge Lucki, requer mesmo variância para que as degustações não virem simplesmente eventos sociais, muito embora seja realmente preciso esquecer a técnica em (muitos!) momentos.

Em todo exercício de experimentação tudo muda o tempo todo, seja lentamente, seja drasticamente. Qual será a nossa disposição em aceitar estas mudanças é bem o cerne da questão. Desconstruções de harmonização, de ritual e até de preferências. Acho que nunca é tarde pra perceber o que ora passou despercebido, ou não avaliável, e o que hoje se impõe como realidade, ou o que desejamos de realidade.

Verdade que minhas degustações hoje em nada lembram aquelas de tempos atrás. Antes foco, hoje adorno. Peguei-me pensando em quão displicente estou sendo ao ritual, que outrora defini tão claramente. Mas percebi que não trata-se de displicência mas de olhar por outro ângulo, difuso. E deste novo ângulo o contexto e o vinho, embora desfocado, têm paradoxalmente uma intensidade nunca antes experimentada…

O vinho: Esporão Reserva 2009

Este corte de aragonês, trincadeira, cabernet sauvignon e alicante bouschet da Herdade do Esporão realmente me agrada. Aliado a isso minha saudade da cabernet me fez perceber que não posso ficar muito tempo sem ela! No nariz me confortou, sendo bastante aromático, em contraposição aos vinhos quase nada aromáticos que tenho degustado, com aromas de frutas vermelhas e um leve abaunilhado. Vinho de personalidade e complexidade, com bom corpo e taninos muito marcantes, vivos. A acidez também segura o vinho, só demonstrando no final persistente um leve desequilíbrio, uma discreta deselegância, que pra mim (um tanto cansada de vinhos tão redondos) foi a “cereja do bolo”. Sem duvida, um vinho na amplitude requerida.

* U$ 36, Casa dos Frescos, Luanda/Angola

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