Serrera Moments Torrontés 2008

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Esse vinho comprei praticamente às cegas sob indicação do sommelier de uma loja de vinhos daqui de Salvador. Não conhecia a vinícola, mas ele falou muito bem do rótulo e bons exemplares de torrontés não são tão disponíveis por aqui.

Um ótimo branco! Que vai para minha listinha de brancos a serem degustados sempre! Daqueles que num sol maravilhoso se comportam da melhor maneira possível. Aromático como manda a casta, persistente e com uma complexidade a mais dos que os brancos de “dia-a-dia”. Aroma de frutas brancas maduras e em calda (maça, pera), um tanto floral e algum toque de mel, amanteigado. Na boca um ataque elegante, com acidez maravilhosa convidando sempre a um novo gole.

Foi degustado sem comida alguma, mas é sem dúvidas um vinho gastronômico para acompanhar não só carnes brancas mas arriscaria também um bom camarão grelhado ou com algum queijo suave.

* R$ 45, www.espumantesweb.com.br

ARGENTINA

Argentino no Natal Pernambucano

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Depois de algum tempo morando em Salvador/BA parece que voltar pra “casa” tem sempre aquele gostinho nostálgico como se estivesse tãoooooo distante. E o Natal é um momento de estar em família! Mas é engraçado como nestes momentos muita gente simplesmente “esquece” o motivo do feriado (não sou religiosa, mas agregar ao Natal um tanto das reflexões de Jesus Cristo seria o mínimo pra dar significado a esta data né?).

Voltemos ao foco. Em Recife, comidinha da mamãe. Ceia com peru e bacalhau. O meu desprendimento de Natal veio do vinho, logo o vinho! Não trouxe vinho da minha adega, aqui ninguém bebe vinho, e não tive coragem alguma de encarar lojas em dia de Natal. Tive que me contentar com o branco argentino que veio numa “cesta de Natal”. Expectativas mínimas. Mas que vem atender minha vontade didática de avaliar vinhos mais simples e analisar o famigerado “custo-beneficio”.

O vinho: Select Pampas del Sur – Chardonnay/Chenin Blanc 2010.

Trata-se de uma “segunda linha” do grupo argentino Trivento, com 50% chardonnay e 50% Chenin Blanc. A cor é um dourado bem claro com toques esverdeados. No nariz você tem que se esforçar bastante para sentir algum aroma. Na boca uma acidez desequilibrada, vinho agressivo com retrogosto amargo. Vinho deselegante. Nao seguiu a refeição, foi abandonado. E digo que não vale o preco, melhor comprar cervejas com o valor dele.

No fim do jantar intimista a conclusão foi de que, na mesa pernambucana de hoje, o único argentino que se comportou a altura foi o alfajor Havanna, que veio de Mar del Plata, pra satisfazer minha fissura por este doce, e acompanhar o café! 😉

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*cerca de R$ 20

ARGENTINA

Vinhos do Brasil, para o Brasil

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Como de costume, fui à livraria cultura este domingo e me deparei com o “Anuário Vinhos do Brasil”, realização da Baco Multimídia (Marcelo Copello) e Ibravin.

Fato é, que os cursos de formação na área de vinhos tem tido uma participação ativa das vinícolas nacionais em busca de imprimir aos “formadores de opinião” a qualidade dos vinhos do Brasil. Chamaríamos em outros tempos de lobby, mas devido o desgaste da palavra chamaremos somente de “marketing positivo”. Este trabalho das vinícolas é importantíssimo no sentido de se aproximar do público que pode de fato influenciar na escolha de um rótulo, e até mesmo na adequação das cartas de vinhos dos restaurantes.

A importância do Ibravin neste contexto também é clara, muito embora sofra algumas críticas pelo foco exacerbado dado à exportação dos vinhos nacionais. Acredito ser primordial sim fomentar o consumo interno do vinho, mas exportar faz parte do processo de evolução do vinho nacional aos padrões de outros conhecidos produtores do “Novo Mundo”, significa abrir mercado.

O vinho brasileiro tem passado por uma revolução. Os números só confirmam isto. Inclusive o reconhecimento de nossos rótulos em avaliações internacionais. Este anuário vem coroar todo um progresso que esta sendo vivido pelo mercado nacional de vinhos. Foi bastante feliz ao falar nao só dos números como também dos terroirs que transformam o vinho brasileiro numa excelente oportunidade de experiências. Só mudaria a capa do anuário, embora ele seja bilingüe e o objetivo deve ser de leva-lo ao exterior, acho foto do Rio demasiadamente clichê…

Leio este anuário com a sensação de que se ainda nao temos “substitutos” aos Brunellos, Barolos e grandes Bordeaux certamente temos alternativas de sobra aos Chilenos e Argentinos que dominam as cartas de vinho no nosso país.

O exercício de escolher rótulos nacionais deixou a muito de tratar-se de “nacionalismo”, hoje é sem dúvida uma questão de bom gosto. 😉

Doña Paula Selección de Bodega – Chardonnay 2006

Vou começar as avaliações do blog com um exemplar a altura do que espero deste espaço. Modéstia mode off 😀

Surpreendente. Só isso pra definir esse chardonnay argentino com passagem de 12 meses em barris de carvalho.

Sem dúvida um dos melhores brancos que já degustei. E olhe que o páreo da prova não foi nada fácil: foi degustado numa bateria de chardonnays que incluía, além de um brasileiro famoso, um Chablis. Nossos hermanos ganharam fácil, a léguas de distância. Este vinho realmente surpreendeu a todos.

Muito aromático, mas sem ser enjoado, aromas clássicos da casta: banana, abacaxi e o toque de madeira bem elegante na forma de baunilha. Na boca acidez perfeita e aí o toque principal da madeira: um retrogosto amanteigado maravilhoso.

Um ótimo branco, daqueles que “permitiria” guarda. “Permitiria” porque depois de degustá-lo passei tempos tentando encontrar algumas garrafas na internet, em vão. Safra esgotada. Agora é esperar por novas safras deste vinho, que sendo um exemplar TOP da vinícola, não é vinificado todos os anos, somente nas melhores colheitas, e de vinhas com mais de 30 anos de idade.

* Preço: R$ 134

ARGENTINA