“Poderia ser francês”


Após passar pela Austrália, e degustar dos seus shiraz, e quase três semanas após aterrizar novamente por terras neozelandesas (aka Aotearoa), volto ao blog.

Apesar de não ser mais principiante na Nova Zelândia, ainda estou meio que estarrecida por uma certa overdose de sauvignon blanc neozelandês. Ai meu Deus, tanto frescor!! 🙂 Desculpem os franceses mas os melhores do mundo de fato andam por estas terras aqui.

De certa forma encontro-me cada vez mais apaixonada por esse mundo do vinho, de como videiras de uvas francesas vieram parar, e igualmente se apaixonar, por estes países da Oceania e demostrar tão distinta expressão. Os pinot da Nova Zelândia são capítulo à parte.

Ouvi de um inglês numa degustação de syrah (prefiro o nome francês da casta) australianos em Hunter Valley: “Poderia ser francês!“. Não sei qual memória gustativa ele teve na hora, se pensou num Châteauneuf com aquele syrah no blend… Enfim! Fato é que nossas memórias gustativas interferem completamente nas nossas novas experiências meio que a balizar o que seria bom e o que seria ruim. Por vezes de maneira positiva, no sentido de agregar experiência, outras vezes nos podando de experiências distintas. 

Uma experiência “do gosto” realmente interessante foi o vinho “tipo Porto” à base de syrah: ruby e tawny. Efetivamente gosto muito de vinhos do Porto e fui à degustação bastante incrédula, até mesmo porque já havia provado uma tentativa de Porto na África do Sul que de fato era bem…. bem ruim! Na Austrália meu coração se abriu à um Porto, não “portista”. 🙂

Na Nova Zelândia, e novamente na Austrália, provas e degustações estão por vir. Como diz um novo amigo francês, que  largou a vida de empresário pra viajar, e como eu também está em “trânsito” por essas terras maoris: uma vida só vale ser vivida se for com paixão!

É por essas e outras que entendo um pouco da relação dos franceses e seus vinhos…

Cheers! Aos grandes vinhos made in Oceania. 😉

Ótimo Shiraz Australiano

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A syrah é uma casta que muito me agrada. Tem a carga aromática que tanto adoro e personalidade em prova. Pensar em carnes na brasa sempre me levam a pensar num bom syrah jovem. A combinação é quase sempre muito boa.

O vinho: Heartland Shiraz – Langhorne Creek/Limestone Coast 2008

Este foi escolhido em meio a uma carta de vinhos (quilométrica!) do Figueira Rubaiyat (SP). Eu vi a carta e nao fiquei feliz, tive raiva. Separados por país, e não por tipo, tem até índice de tão grande. Uma enorme sacanagem com o consumidor em geral. Vários vinhos riscados, que nao estavam disponíveis, tornando o passar de folhas um martírio. Uma espécie de “livro de vinhos” totalmente despropositado para um restaurante tão bom. Mas enfim, pra mim foi fácil definir o país, mas imagino que em muita gente dar até preguiça…

A opção de carne ao ponto e suculenta casou perfeitamente com esse syrah de muita elegância. Uma profusão de aromas em taça, frutas negras e vermelhas maduras, chocolate, especiarias. Em boca taninos redondos e ótima acidez, bom corpo e uma certa complexidade no retrogosto que muito me agrada. Esse vinho é o estilo “novo mundo” dos que mais me agradam. Merecidas 4 taças!

* R$ 73, www.grandcru.com.br

AUSTRÁLIA

Shiraz autraliano e comida peruana

Esse foi mais um rótulo degustado em minha estada no Peru. Harmonizado com muitas conversas, risadas e a ótima comida do restaurante Central,de Lima.

O vinho: The Stump Jump 2008

Nosso TOP cicerone local reservou-nos uma mesa fantástica, praticamente dentro da cozinha, de onde acompanhávamos o desenrolar frenético de um grande restaurante peruano. Comida contemporânea mas com FORTE presença da tradição local. Fiz questão de pedir uma pastinha de aji pra acompanhar. Bela e completa carta de vinhos e até uma carta de piscos eles tem. Pães, manteigas, chocolates, etc, tudo produzido no restaurante onde à mesa nos apresentam uma “degustação de sais”, 4 tipos. Uma maravilha! Serviço impecável, apresentação dos pratos primorosa e uma “saideira” com pisco sour, chicha morada e piña colada em forma de sobremesa.

O vinho é bastante aromático em especiarias, como manda a syrah, e fácil, macio. A grenache entra com força no corte (50%), como os típicos do Rhone, que tem também mourvédre. Sem grande complexidade. Harmonizou também fácil com o prato de carneiro, mas verdade seja dita, o carneiro preparado em cocção lenta quase desmanchando na boca sobressaiu, e muito, ao vinho. Mas quem se importa? 😀

Falei pouco do vinho né? É porque naquele dia ele foi mesmo figurante. Diante de uma despedida de Lima, num restaurante como o Central, não havia mesmo como ele ser o protagonista!

* 120 soles (aprox. R$ 78) no Central, Lima

AUSTRÁLIA