Espumante made in Brazil

20120501-001749.jpg

Muito se fala da competência nacional quando o assunto é vinhos espumantes, e verdade seja dita, o Brasil tem realmente excelentes rótulos. No exterior o vinho nacional virou sinônimo de espumante e junto aos nossos irmãos da América Latina, Argentina e Chile, saímos ganhando quando o assunto é este vinho festivo.

O vinho: Luiz Argenta Brut

Gosto muito da proposta visual dos vinhos da Argenta, numa idéia minimalista e clássica ao mesmo tempo. Este espumante é elaborado pelo método charmat longo com as uvas chardonnay e riesling itálico. Tem uma perlage bastante intensa e fina, aromas de frutas cítricas e mel mas com muitas notas da fermentação, casca de pão. Em boca acidez maravilhosa que se propõe à várias harmonizações, muito frescor, boa untuosidade e persistência. Um espumante de complexidade em prova, desses que a gente degusta já pensando em qual será a próxima oportunidade.

* R$ 33 www.boutiqueluizargenta.com.br

BRASIL

Um chenin blanc do sertão

20120428-211343.jpg

Esse chenin blanc foi degustado na minha ida à Petrolina num passeio de barco extremamente agradável. É daqueles vinhos simples e adequados à ocasiões como esta, onde se deseja uma bebida leve e de frescor.

O vinho: TerraNova Chenin Blanc 2010

Na taça um amarelo palha, bastante brilhante. No nariz muita fruta crítica porém com alguma doçura. Em boca boa acidez, retrogosto cítrico e mel conferindo ao vinho um caráter bastante interessante para harmonizações despretensiosas com peixes ou frutos do mar grelhados. Importante não descuidar da temperatura a fim de manter o frescor adequado.

Ótima opção para um dia de sol e calor no rio São Francisco.

* R$ 19 no bar à bordo

BRASIL

Casa Valduga Premium Brut 2007

20120313-132907.jpg

Comprei esse vinho por um único motivo: era em meia garrafa! Brincadeira… Na verdade essa linha Premium da Valduga tem rótulos bem interessantes (inclusive um gewustraminer muito bem comentado e que nunca consegui encontrar) a preços convidativos.

Me chamou atenção um espumante meia garrafa, método tradicional e safrado!! No mínimo interessante. Ainda é bem complicado encontrar bons vinhos em versão 375ml e eles são uma mão na roda, seja quando a refeição cabe somente uma taça pra dois, ou quando pretende-se degustar mais rótulos.

Este espumante elaborado com chardonnay e pinot noir tem boa acidez, aromas cítricos com algum tostado, boa perlage porém não tão duradoura. Com bom corpo, é uma boa opção de espumante nacional para harmonizações que exige este tipo de vinho. Mas preciso confessar que pra mim faltou um pouco mais de acidez. Já estaria “velha” essa safra? Se em geral eu acabo sempre no foco de acidez, com espumantes então nem se fala.

Mas reitero: ótima opção em espumantes de meia garrafa. 😉

* R$ 50 (750ml) www.vinhosnet.com.br

BRASIL

Dunamis Tom Rosé 2011

Recebi este vinho da assessoria de imprensa da vinícola Dunamis e realmente nao conhecia (aquela velha dificuldade em ter acesso aos vinhos daqui…).

O rosé é um vinho extremamente adequado ao calor que anda fazendo, e são vinhos que me agradam muito. Tanto pelas possibilidades de harmonização, quanto pelo clima que está propício a vinhos mais leves.

Este é sem dúvidas mais um bom rosé nacional que faz frente orgulhosamente aos famosos de provence. Elaborado com cabernet sauvignon, na taça tem uma cor que adoro: nem tão intensa quando alguns rosés do “novo mundo”, mas que nos diferencia dos franceses, que são mais para salmão do que verdadeiramente rosados. No nariz aromas de frutas brancas e um pouco de framboesa. O álcool (12 graus) apareceu um pouco no nariz, mas ele foi servido a uma temperatura ligeiramente mais alta (erro meu!). No geral os aromas são bastante elegantes. Já na boca tem um ótimo ataque, em nada se sente o álcool, o frescor é o mais marcante com a boa persistência final. Definitivamente um ótimo rosé, não só para harmonizações com frutos do mar mas, por que não, substituindo a cerveja sob o sol. É um vinho que, apesar da gradação considerável, se bebe muito fácil.

Minha crítica vai para a rolha, que nao consegui identificar o material sintético esponjoso do qual é feita e que fez vazar um pouco do vinho, guardado deitado em minha adega. Felizmente nao houve qualquer comprometimento. Talvez a screllcap funcione melhor. Fica a observação, quem sabe para as próximas safras.

Só posso terminar este post confessando que, até agora, os rosés nacionais me encantam muito mais do que os de Provence. E aí é opinião pessoal mesmo. Ponto pro Brasil! 😉

* R$ 25 em diversas lojas do Rio Grande do Sul

BRASIL

Vira-lata até quando?

Há algum tempo fui convidada para uma ação do Ibravin que acontece agora na semana do carnaval (a qual infelizmente não vou poder participar) e no mesmo dia havia lido uns comentários de alguém, também do “mundo dos vinhos”, criticando um certo patriotismo exagerado com o vinho brasileiro. Me peguei refletindo sobre esses dois opostos.

Não acho que devemos ser complacentes com o vinho brasileiro, como se fossemos “cafe-com-leite”. Na verdade nem acho que isso exista de verdade. O vinho brasileiro historicamente sofreu muito mais crítica do que crédito. E deve-se à critica uma grande contribuição para a evolução dos vinhos que temos hoje no Brasil. E isso continua.

O que me angustia não é uma “possível” complacência. Me angustia justamente o contrário. É essa mania, ou culpa do passado colonial, do brasileiro em geral achar que tudo que é de fora é melhor, é mais importante, de melhor qualidade. A conhecida síndrome de vira-lata.

Eu acredito piamente no fomento daquilo que é bom e que é produzido próximo a nós como forma de contribuir para o desenvolvimento da região, dos seus negócios e do seu povo. O Ibravin tem feito seu trabalho de apoio, desenvolvendo a marca do vinho brasileiro, provendo crescimento. Mas infelizmente sinto que as vinícolas não estão fazendo seu ciclo completo. Essa seria a minha critica ao vinho brasileiro.

É preciso QUALIFICAR as representações. As vinícolas estão faltando justamente na ponta da cadeia. TODOS os meus rótulos nacionais eu comprei diretamente com as vinícolas ou pela internet. A gente tem mesmo que se esforçar pra ter acesso aos bons vinhos daqui. Quase nunca se consegue pedir um vinho nacional num restaurante, as cartas não representam o Brasil (falo especialmente do meu meio onde circulo: Recife e Salvador), que quando tem vinhos nacionais são aqueles de sempre, da vinícola de sempre, que não me enchem os olhos.

Porque se o objetivo é criar o costume no brasileiro em beber vinho daqui é preciso mostrar o que temos de bom. Porque temos MUITOS, muitos vinhos bons. Os reserva e gran reserva da Boscato, as linhas TOP da Valduga, os espumantes Cave Geisse, os ótimos roses nacionais, os Lidio Carraro, os Rio Sol… enfim.

Por que muitos continuam bebendo franceses medíocres se poderiam degustar bons nacionais? Ainda há falta de informação, mas o consumidor brasileiro, mesmo o eventual, tem andado mais criterioso e curioso. Falta mesmo oferta. Os “reservados” da Concha y Toro já saíram há muito das cartas de vinho dos bons restaurantes, enquanto os vinhos brasileiros não tem ocupado o seu merecido espaço.

Eu sempre me pego pensando nessas questões todas. Pois tem algo que ainda não se encaixa… Se há um órgão de fomento e apoio (Ibravin) e há bons produtos, está faltando o que para o vinho do Brasil estar no restaurante aqui do lado?

Um Cabernet nacional com Bode. Harmonizou?

Recife está “em polvorosa”. Faltando uma semana para o carnaval, com mil prévias acontecendo, andar de carro pela cidade pode ser um teste à paciência, nunca se sabe em qual ruazinha está saindo mais um estandarte. Eu já não me envolvo tanto nesse clima (tô velha), vou pra Recife mais pra matar outras saudades…

Sou pernambucana, e pernambucano que se preze gosta de bode! 😀 Em Salvador é meio complicado de achar bons lugares, realmente não faz parte da cultura local, já em Recife boas opções não faltam e eu naquela saudade do bode com feijão verde (de verdade!) sai com o objetivo claro de matar a vontade!

Fomos ao Entre Amigos, “O Bode”. Importante frisar: meus companheiros de mesa não bebem vinho. Olhe, que triste sina de ter que ou beber refrigerante/suco ou ficar na água. Eu SEMPRE durante as refeições sinto necessidade de um vinho, força do hábito, mas pouquíssimos lugares tem opção de taça ou meia garrafa. Hoje, por sorte, havia uma opção em garrafa de 250ml e não pensei duas vezes. Por sinal, a carta do “Bode” é bem interessante, especialmente se levarmos em consideração o caráter mais “bar” que o lugar sempre teve.

É claro que não dá pra esperar muito de vinhos em garrafas menores. Normalmente as vinícolas (quando as tem) engarrafam apenas a versão de “entrada”, de vinhos pra serem bebidos jovens. Mas imagino que essa deva ser mesmo a proposta desses vinhos: tornar hábito o consumo cotidiano, saudável. Quem sabe um dia tirar os refrigerantes da mesa… O vinho de hoje tem tanto essa proposta que no rótulo não tem nem a safra. Fui buscar na garrafa o carimbo de data de fabricação, um vinho da colheita de 2011, de Flores da Cunha/RS.

O vinho: Oremus Cabernet Sauvignon 2011

Ele só tem 12 graus de álcool, mas chega a incomodar um pouco no nariz. Baixar a temperatura um pouco mais (em Recife está um calor senegalês) teria ajudado um pouco. É um vinho bem “aguado” na taça, mas bastante aromático, com frutas vermelhas maduras. Na boca é bem ligeiro, boa acidez, fácil de beber. Mas mostra de cara ser um cabernet, pois se fosse um merlot com tanta característica de maturação teria taninos quase que sem graça. Posso dizer que me surpreendi com o vinho, que afinal funcionou muito bem com o bode assado (e delicioso). Nada melhor do que poder harmonizar um almoço despretensioso, é tirar um pouco dessa pompa esnobe que costumam dar ao vinho. E foi essa a “despedida” de Recife desta vez.

Fica aqui o apelo aos restaurantes que tenham em suas cartas de vinhos algumas opções (sempre jovens!) dos vinhos em garrafas menores. Ajuda a fomentar o consumo responsável, especialmente quando o objetivo do vinho não é de “encontros sociais”, mas de simplesmente acompanhar (a altura) uma refeição.

Ah! E já que pra matar a saudade não dá pra trazer as pessoas, ao menos o bolo de rolo coube na mala. 😉

20120212-203106.jpg

* R$ 12,90 garrafa de 250ml no “Bode”

BRASIL

20120212-201617.jpg

Pericó: O icewine brasileiro

Este post tem um peso especial. Além de tratar-se da avaliação do icewine brasileiro, que por sinal eu ainda não degustei (inveja mode on), o post foi escrito pelo amigo sommelier Edgar Fedrizzi, colaborando para o IN VINO VERITAS em grande estilo! Seja MUITO bem-vindo Edgar! 😉

O brinde com o primeiro “vinho do gelo” de um país tropical!

Com um terroir peculiar, a Pericó preparou com antecedência o solo, retardou a colheita, desbastou os cachos e com paciência franciscana esperou que El Ninho antecipasse o inverno e os tão esperados -7,5°C. Em Junho de 2009, Bacco intercedeu e na madrugada mágica se fez a colheita para a produção do primeiro icewine brasileiro. Daí pra frente começou o trabalho do enólogo no “aliar-se” à natureza, para produzir este vinho único, que descansou 12 meses em barricas.

Recentemente tive a oportunidade de degustar esta raridade, que se diferencia já pela apresentação. Uma embalagem elegante e funcional. Dentro uma cápsula metálica gravada em relevo, um livreto com a história, outra cápsula com uma taça de cristal personalizada, especial para vinhos licorosos, e uma reprodução de uma obra de arte de Tereza Martorano mostrando através da arte naif, a visão da artista do panorama da colheita. Uma apresentação primorosa.

Abrindo a embalagem, somos brindados com um recipiente
elegante (200ml), digno dos mais sofisticados perfumes. Ainda na garrafa o vinho já mostra suas qualidades, o vidro branco permite a visão de um liquido rosa/castanho brilhante. Aguardo com ansiedade a temperatura de serviço indicada (9°C a 11 C). Sirvo. A luz transversal ressalta o brilho e a limpidez. No nariz uma profusão de aromas, frutas secas, nozes, ameixas negra, chocolate, que nem de longe lembram a sua origem: cabernet sauvignon. A ficha técnica anuncia 85gr de açúcar, que é completamente equilibrado pela acidez e temperatura de serviço. Com uma grande persistência, nos convida a beber mais. E depois de tudo os aromas de fundo de taça: figos secos e chocolate.

Nas dicas de harmonização, ele é classificado como vinho de sobremesa. Vou além, me alio a Karl Kaiser: um vinho do gelo é a própria sobremesa.

Evitei comparações (inclusive de preço) com outros icewines. Foi uma experiência com um vinho inusitado, pela sua origem fora da Alemanha e Canadá. Uma experiência positiva. Pena que não é possível comprar apenas o vinho, o que melhoraria a relação custo x beneficio. Porém, mais do que uma proposta comercial, me parece a realização de um sonho de seu produtor, o que deve ser respeitado, afinal sonho não tem preço. Já este nos custa R$ 180, a garrafa.

Por Edgar Luiz Fedrizzi Filho – Sommelier FISAR

Terroir: O vale do São Francisco

Me lembro bem quando criança e viajámos de carro nas férias eu, dois primos e um tio, de Garanhuns (agreste pernambucano) a Petrolina (sertão pernambucano). Chegando em Petrolina avistávamos os vinhedos e tinham as paradas estratégicas para tomar o suco de uva e comprar geléias. Dentro deste contexto falar do Vale do Rio São Francisco tem uma pegada bem nostálgica pra mim, como boa pernambucana que sou!

O que acontece no Vale do São Francisco é que devido a ausência de inverno, as plantas estão sempre em atividade

João Santos, agrônomo da ViniBrasil (detentora da marca Rio Sol)

Pois bem, essa é a melhor forma de definir este terroir tão atípico. Fora das latitudes onde geralmente de produz vinhos, com sol o ano inteiro, é a única região do mundo onde se produz duas safras ao ano! A produção vitivinicola teve início na década de 70 e hoje o Vale do São Francisco só perde para o Rio Grande do Sul na produção de vinhos finos no Brasil.

Na serra gaúcha todos falam do Vale com alguma reticência. Com respeito, mas reticente. É de se entender: claro que uma videira que produz uma safra por ano “””deve””” conferir maior qualidade aos frutos do que aquela que produz duas vezes ao ano. Isso é um fato, mas nem por isso desmerece os vinhos do Vale. Tem que se entender os vinhos produzidos lá dentro desta particularidade local.

Grandes grupos nacionais e internacionais se estabeleceram por lá, trazendo a expertise, no manejo dos vinhedos e na enologia. Produzindo bons vinhos, inclusive uma boa parte já é exportada. Se produz Moscatel, Chenin Blanc, Sauvignon Blanc, Syrah, Cabernet Sauvignon, Alicante Bouschet, Touringa Nacional entre outras castas. Fala-se muito bem do Rio Sol Reserva Syrah de 2005, infelizmente não tive oportunidade de experimentar.

Confesso que quando abro uma garrafa do Vale sempre testo logo a acidez, é que se os produtores deixassem o vinho só pela ação da natureza as uvas seriam muito doces e pouco ácidas por conta da ação perene do sol na maturação. Seriam produzidos vinhos fortes, porém pouco ácidos, chatos. Mas a enologia utiliza o processo de acidificação para equilibrar os tintos (principalmente) e o brancos. Esse procedimento nao é aceito em todos as regiões mundo, mas em Bordeaux e Borgonha é utilizado nas regiões mais quentes, que sofrem com este mesmo problema.

Faço questão de tomar e propagar os vinhos do Vale, por que sou bairrista mesmo. 😛 Brincadeira… Na verdade acredito muito no desenvolvimento da economia local fomentada pela valorização daquilo de bom que esta sendo produzido próximo a nós!

Há bons vinhos do Vale que compensam a experiência. Especialmente para perceber as diferentes sensações dos vinhos produzidos em uma região vitivinicola desbravada em pleno sertão pernambucano, que certamente poucos apostariam, e que como por capricho hoje já ocupa posição de destaque no cenário dos vinhos brasileiros.

A propósito: gosto muito do label Rio Sol. Acho que conseguiu imprimir a metáfora perfeita para os vinhos do Vale: água do Rio São Francisco + Sol o ano inteiro!

Um espumante e uma tarde de sábado

20111218-103344.jpg

Dom Cândido Brut. Esse foi o espumante de um sábado lindo, céu azul, almoço num lugar maravilhoso (Baby Beef Gamboa, em Salvador/BA), vista pra baía de todos os santos, comida impecável e o melhor: na companhia de amigos!

A entradinha de paes e pastas, assim como o bom tempo, pediram um espumante. Escolhi o Dom Cândido pois queria um nacional, e já conhecia os bons tintos da vinícola. Ninguém quis me acompanhar. “Ah Gabi… Espumante só pra brindar no ano novo, prefiro uma boa Baden Baden agora”. Ok, segui sozinha na degustação na expectativa de surpreender.

Decepção. Eu insisti mas realmente este é um espumante para um brinde e só! Perlarge grosseira, o rótulo nao informa se charmat ou champenoise mas quando aberta a garrafa pensei tratar-se de um refrigerante. Aromas altamente escondidos tinha que fazer um esforço monstro pra aspirar e sentir algo, e o pior de tudo: acidez fraquíssima, o que tornou o espumante chato, muito chato. A sensação nao era a de estar tomando um espumante brut, a doçura, sem acidez, se sobressai. Enjoei. Eu só vejo esse espumante em brindes ou como aperitivo, logo substituído, sem acompanhar comida.

Acompanhou muito mal a entrada e foi completamente desconsiderado na escolha do prato principal, nao valia o esforço. Fomos de carne vermelha e a companheira mais acertada: a Baden Baden.

Tem dias que você nao acerta no vinho, ossos da experimentação. Amigos certos, vinho errado. O vinho a gente troca. Já os amigos… ah os amigos, se forem “errados” estragam ate o Chateau Petrus que tinha na adega do restaurante! 🙂

* R$ 34 (www.meuvinho.com.br), R$ 82 no Baby Beef.

BRASIL

Vinhos do Brasil, para o Brasil

20111211-153127.jpg

Como de costume, fui à livraria cultura este domingo e me deparei com o “Anuário Vinhos do Brasil”, realização da Baco Multimídia (Marcelo Copello) e Ibravin.

Fato é, que os cursos de formação na área de vinhos tem tido uma participação ativa das vinícolas nacionais em busca de imprimir aos “formadores de opinião” a qualidade dos vinhos do Brasil. Chamaríamos em outros tempos de lobby, mas devido o desgaste da palavra chamaremos somente de “marketing positivo”. Este trabalho das vinícolas é importantíssimo no sentido de se aproximar do público que pode de fato influenciar na escolha de um rótulo, e até mesmo na adequação das cartas de vinhos dos restaurantes.

A importância do Ibravin neste contexto também é clara, muito embora sofra algumas críticas pelo foco exacerbado dado à exportação dos vinhos nacionais. Acredito ser primordial sim fomentar o consumo interno do vinho, mas exportar faz parte do processo de evolução do vinho nacional aos padrões de outros conhecidos produtores do “Novo Mundo”, significa abrir mercado.

O vinho brasileiro tem passado por uma revolução. Os números só confirmam isto. Inclusive o reconhecimento de nossos rótulos em avaliações internacionais. Este anuário vem coroar todo um progresso que esta sendo vivido pelo mercado nacional de vinhos. Foi bastante feliz ao falar nao só dos números como também dos terroirs que transformam o vinho brasileiro numa excelente oportunidade de experiências. Só mudaria a capa do anuário, embora ele seja bilingüe e o objetivo deve ser de leva-lo ao exterior, acho foto do Rio demasiadamente clichê…

Leio este anuário com a sensação de que se ainda nao temos “substitutos” aos Brunellos, Barolos e grandes Bordeaux certamente temos alternativas de sobra aos Chilenos e Argentinos que dominam as cartas de vinho no nosso país.

O exercício de escolher rótulos nacionais deixou a muito de tratar-se de “nacionalismo”, hoje é sem dúvida uma questão de bom gosto. 😉