Casa Valduga Premium Brut 2007

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Comprei esse vinho por um único motivo: era em meia garrafa! Brincadeira… Na verdade essa linha Premium da Valduga tem rótulos bem interessantes (inclusive um gewustraminer muito bem comentado e que nunca consegui encontrar) a preços convidativos.

Me chamou atenção um espumante meia garrafa, método tradicional e safrado!! No mínimo interessante. Ainda é bem complicado encontrar bons vinhos em versão 375ml e eles são uma mão na roda, seja quando a refeição cabe somente uma taça pra dois, ou quando pretende-se degustar mais rótulos.

Este espumante elaborado com chardonnay e pinot noir tem boa acidez, aromas cítricos com algum tostado, boa perlage porém não tão duradoura. Com bom corpo, é uma boa opção de espumante nacional para harmonizações que exige este tipo de vinho. Mas preciso confessar que pra mim faltou um pouco mais de acidez. Já estaria “velha” essa safra? Se em geral eu acabo sempre no foco de acidez, com espumantes então nem se fala.

Mas reitero: ótima opção em espumantes de meia garrafa. 😉

* R$ 50 (750ml) www.vinhosnet.com.br

BRASIL

Vira-lata até quando?

Há algum tempo fui convidada para uma ação do Ibravin que acontece agora na semana do carnaval (a qual infelizmente não vou poder participar) e no mesmo dia havia lido uns comentários de alguém, também do “mundo dos vinhos”, criticando um certo patriotismo exagerado com o vinho brasileiro. Me peguei refletindo sobre esses dois opostos.

Não acho que devemos ser complacentes com o vinho brasileiro, como se fossemos “cafe-com-leite”. Na verdade nem acho que isso exista de verdade. O vinho brasileiro historicamente sofreu muito mais crítica do que crédito. E deve-se à critica uma grande contribuição para a evolução dos vinhos que temos hoje no Brasil. E isso continua.

O que me angustia não é uma “possível” complacência. Me angustia justamente o contrário. É essa mania, ou culpa do passado colonial, do brasileiro em geral achar que tudo que é de fora é melhor, é mais importante, de melhor qualidade. A conhecida síndrome de vira-lata.

Eu acredito piamente no fomento daquilo que é bom e que é produzido próximo a nós como forma de contribuir para o desenvolvimento da região, dos seus negócios e do seu povo. O Ibravin tem feito seu trabalho de apoio, desenvolvendo a marca do vinho brasileiro, provendo crescimento. Mas infelizmente sinto que as vinícolas não estão fazendo seu ciclo completo. Essa seria a minha critica ao vinho brasileiro.

É preciso QUALIFICAR as representações. As vinícolas estão faltando justamente na ponta da cadeia. TODOS os meus rótulos nacionais eu comprei diretamente com as vinícolas ou pela internet. A gente tem mesmo que se esforçar pra ter acesso aos bons vinhos daqui. Quase nunca se consegue pedir um vinho nacional num restaurante, as cartas não representam o Brasil (falo especialmente do meu meio onde circulo: Recife e Salvador), que quando tem vinhos nacionais são aqueles de sempre, da vinícola de sempre, que não me enchem os olhos.

Porque se o objetivo é criar o costume no brasileiro em beber vinho daqui é preciso mostrar o que temos de bom. Porque temos MUITOS, muitos vinhos bons. Os reserva e gran reserva da Boscato, as linhas TOP da Valduga, os espumantes Cave Geisse, os ótimos roses nacionais, os Lidio Carraro, os Rio Sol… enfim.

Por que muitos continuam bebendo franceses medíocres se poderiam degustar bons nacionais? Ainda há falta de informação, mas o consumidor brasileiro, mesmo o eventual, tem andado mais criterioso e curioso. Falta mesmo oferta. Os “reservados” da Concha y Toro já saíram há muito das cartas de vinho dos bons restaurantes, enquanto os vinhos brasileiros não tem ocupado o seu merecido espaço.

Eu sempre me pego pensando nessas questões todas. Pois tem algo que ainda não se encaixa… Se há um órgão de fomento e apoio (Ibravin) e há bons produtos, está faltando o que para o vinho do Brasil estar no restaurante aqui do lado?

Champagne? Prosecco? Cava? Ou Espumante?

O fim do ano vai se aproximando e mesmo aqueles que não são muito fãs de vinho começam a pensar: qual será a “bebida borbulhante” para o brinde da virada?

Vamos dar nome aos bois! Para cada tipo segue uma sugestão minha. Perdoem a qualidade das fotos, mas são itens da minha própria adega. Com exceção do Cava que não tenho, realmente tendencio pelos franceses, italianos e nacionais.

Espumantes são TODOS os vinhos naturalmente gaseificados em uma segunda fermentação. Este termo é usado para os vinhos “gaseificados” produzidos em qualquer lugar do mundo com qualquer uva (vitis vinifera). Podem ser produzidos por dois métodos distintos Charmat e Champenoise (tradicional). PS: Não confundir com os frisantes.

Uma indicação de ótimo espumante “genérico” (não se enquadra nas definições abaixo) é o Premium Casa Valduga Brut, produzido pelo método tradicional (R$ 45, www.vinhosevinhos.com.br).

 

 

  • MOSCATEL: são os espumantes produzidos com uvas moscatéis (Moscato Branco, principalmente). O moscatel mais conhecido no mundo é o Asti Spumante (DOCG Italiana). No Brasil elaboram-se alguns excelentes Moscatéis. Como são espumantes naturalmente mais doces acompanham bem as sobremesas e frutas. Minha sugestão nacional: Terrasul Moscatel (R$ 17, comprado na própria vinícola na Serra Gaucha)

 

  • CAVA: são os vinhos espumantes produzidos na Espanha pelo método tradicional (champenoise) com uvas da região (Macabeo, Xarello e Parellada). Trata-se de uma marca “made in Spain”. Sugestão tradicional: Freixenet Cordón Negro Brut (R$ 50, www.vinhocracia.com)

 

  • PROSECCO: São espumantes originalmente produzidos na Itália com a cepa glera. Por tratar-se de uma uva “de segunda linha” nunca teve muito sucesso na Itália, já o Brasil foi infestado por rótulos de Prosecco. Sugestão com ressalvas (apesar de trata-se de um bom prosecco acredito que a virada do ano merece algo “mais”): Piera Martellozzo Prosecco (R$ 40, www.wine.com.br)

 

  • CREMANT: são os espumantes franceses produzidos FORA da região de Champagne. Sugestão mais do que merecida, realmente me surpreendi com a qualidade deste espumante rosé (produzido pelo método tradicional): Aimery Sieur D’arques Rose (R$ 55, Adega Tio Sam, Salvador/BA).

 

  • CHAMPAGNE: são os espumantes mais famosos do mundo, carregam a tradição, o peso e o terroir da origem dos vinhos espumantes. Produzidos na região de Champagne na França. Aqui vou ser clichê na sugestão: Moet Chandon Brut Imperial (R$ 190, www.wine.com.br). Deve ser a minha escolhida desde réveillon. 🙂

Importante dizer que um dos grandes espumantes que já experimentei foi o nacional Cave Geisse Nature. Não o tenho na adega mas vou tentar providenciar até o ano novo.

Pra começar 2012 bem! Bons brindes! 🙂