Espumante made in Brazil

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Muito se fala da competência nacional quando o assunto é vinhos espumantes, e verdade seja dita, o Brasil tem realmente excelentes rótulos. No exterior o vinho nacional virou sinônimo de espumante e junto aos nossos irmãos da América Latina, Argentina e Chile, saímos ganhando quando o assunto é este vinho festivo.

O vinho: Luiz Argenta Brut

Gosto muito da proposta visual dos vinhos da Argenta, numa idéia minimalista e clássica ao mesmo tempo. Este espumante é elaborado pelo método charmat longo com as uvas chardonnay e riesling itálico. Tem uma perlage bastante intensa e fina, aromas de frutas cítricas e mel mas com muitas notas da fermentação, casca de pão. Em boca acidez maravilhosa que se propõe à várias harmonizações, muito frescor, boa untuosidade e persistência. Um espumante de complexidade em prova, desses que a gente degusta já pensando em qual será a próxima oportunidade.

* R$ 33 www.boutiqueluizargenta.com.br

BRASIL

Casa Valduga Premium Brut 2007

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Comprei esse vinho por um único motivo: era em meia garrafa! Brincadeira… Na verdade essa linha Premium da Valduga tem rótulos bem interessantes (inclusive um gewustraminer muito bem comentado e que nunca consegui encontrar) a preços convidativos.

Me chamou atenção um espumante meia garrafa, método tradicional e safrado!! No mínimo interessante. Ainda é bem complicado encontrar bons vinhos em versão 375ml e eles são uma mão na roda, seja quando a refeição cabe somente uma taça pra dois, ou quando pretende-se degustar mais rótulos.

Este espumante elaborado com chardonnay e pinot noir tem boa acidez, aromas cítricos com algum tostado, boa perlage porém não tão duradoura. Com bom corpo, é uma boa opção de espumante nacional para harmonizações que exige este tipo de vinho. Mas preciso confessar que pra mim faltou um pouco mais de acidez. Já estaria “velha” essa safra? Se em geral eu acabo sempre no foco de acidez, com espumantes então nem se fala.

Mas reitero: ótima opção em espumantes de meia garrafa. 😉

* R$ 50 (750ml) www.vinhosnet.com.br

BRASIL

Argentino no Natal Pernambucano

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Depois de algum tempo morando em Salvador/BA parece que voltar pra “casa” tem sempre aquele gostinho nostálgico como se estivesse tãoooooo distante. E o Natal é um momento de estar em família! Mas é engraçado como nestes momentos muita gente simplesmente “esquece” o motivo do feriado (não sou religiosa, mas agregar ao Natal um tanto das reflexões de Jesus Cristo seria o mínimo pra dar significado a esta data né?).

Voltemos ao foco. Em Recife, comidinha da mamãe. Ceia com peru e bacalhau. O meu desprendimento de Natal veio do vinho, logo o vinho! Não trouxe vinho da minha adega, aqui ninguém bebe vinho, e não tive coragem alguma de encarar lojas em dia de Natal. Tive que me contentar com o branco argentino que veio numa “cesta de Natal”. Expectativas mínimas. Mas que vem atender minha vontade didática de avaliar vinhos mais simples e analisar o famigerado “custo-beneficio”.

O vinho: Select Pampas del Sur – Chardonnay/Chenin Blanc 2010.

Trata-se de uma “segunda linha” do grupo argentino Trivento, com 50% chardonnay e 50% Chenin Blanc. A cor é um dourado bem claro com toques esverdeados. No nariz você tem que se esforçar bastante para sentir algum aroma. Na boca uma acidez desequilibrada, vinho agressivo com retrogosto amargo. Vinho deselegante. Nao seguiu a refeição, foi abandonado. E digo que não vale o preco, melhor comprar cervejas com o valor dele.

No fim do jantar intimista a conclusão foi de que, na mesa pernambucana de hoje, o único argentino que se comportou a altura foi o alfajor Havanna, que veio de Mar del Plata, pra satisfazer minha fissura por este doce, e acompanhar o café! 😉

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*cerca de R$ 20

ARGENTINA

Viu Manent Reserva Chardonnay 2010

O calor senegalês que anda fazendo neste trópico que habito relembra todo o tempo que o verão está aí, e claro, desfavorece a escolha dos tintos.

O rotulo de hoje foi escolhido pra não errar. A gente sempre sabe que os vinhos da Viu Manent são boas pedidas. Como ainda não tinha experimentado o chardonnay considerei boa escolha para um almoço de fim de tarde e tendo em vista as “compactas” cartas de vinhos de restaurantes.

ADENDO. Preciso fazer um comentário OFF a respeito do restaurante: Risoteria Terra Brasil, em Salvador/Bahia. Lugar: agradável, clima de bistrô. Atendimento: bom, sem frescuras. Serviço: muito bom, mesa, taças, etc. Comida: muito boa. Preço: caro, mas dentro dos padrões para lugares similares. FRUSTRAÇÃO: as porções são muito pequenas. Donos de restaurantes têm que entender o princípio daquilo que vendem e principalmente adequar aquilo que é vendido ao preço que praticam. Sabemos que risoto na Itália é sinônimo de prato único (fora os antepastos) e que por isso devem servir bem. Eu sinceramente não entendo como um restaurante que fez tudo correto (o mais difícil, eu acho) erra em algo tão primário. As porções servidas não atenderiam os homens da mesa, ou seja…

Mas voltemos ao vinho! Trata-se de um Chardonnay com participação de Viognier no corte (4%). Vinho corretíssimo. Vivo, aromático. Banana sobressai, mas com toques dos cítricos e melão. Na boca tem inclusive um toque amanteigado que nos fez pensar em passagem por madeira, mas de fato não há estagio em barrica. Retrogosto mineral e acidez na medida, mostrando que foi ótima escolha para acompanhar os risotos de camarão experimentados: camarão com gengibre e camarão com nozes e gorgonzola. O vinho acompanhou bem as brusquetas de entrada, os tomates não estavam ácidos. Já a harmonização com o risoto de camarão com gengibre foi perfeita, vinho e prato em paridade na harmonização.

Esse chardonnay se mostra elegante para acompanhar a altura nossos pratos (e o calor!) de verão, não nos privando do prazer de degustar um bom vinho mesmo com o termômetro acima dos 30°C. 🙂

*R$ 40

CHILE

Doña Paula Selección de Bodega – Chardonnay 2006

Vou começar as avaliações do blog com um exemplar a altura do que espero deste espaço. Modéstia mode off 😀

Surpreendente. Só isso pra definir esse chardonnay argentino com passagem de 12 meses em barris de carvalho.

Sem dúvida um dos melhores brancos que já degustei. E olhe que o páreo da prova não foi nada fácil: foi degustado numa bateria de chardonnays que incluía, além de um brasileiro famoso, um Chablis. Nossos hermanos ganharam fácil, a léguas de distância. Este vinho realmente surpreendeu a todos.

Muito aromático, mas sem ser enjoado, aromas clássicos da casta: banana, abacaxi e o toque de madeira bem elegante na forma de baunilha. Na boca acidez perfeita e aí o toque principal da madeira: um retrogosto amanteigado maravilhoso.

Um ótimo branco, daqueles que “permitiria” guarda. “Permitiria” porque depois de degustá-lo passei tempos tentando encontrar algumas garrafas na internet, em vão. Safra esgotada. Agora é esperar por novas safras deste vinho, que sendo um exemplar TOP da vinícola, não é vinificado todos os anos, somente nas melhores colheitas, e de vinhas com mais de 30 anos de idade.

* Preço: R$ 134

ARGENTINA