Acarajé e Abará com Vinho. Funciona?

Às vésperas do carnaval em Salvador a cidade respira isso: abadás, camarotes… Meu terceiro carnaval morando em Salvador, terceiro carnaval fugindo daqui nesse período. Definitivamente o carnaval daqui não faz “meu tipo”. No entanto a comida… é algo que me agrada até demais! Fazia algum tempo que não comia os corriqueiros quitutes daqui quando ontem, num desejo arrebatador, não pude fugir.

Eu não tenho conseguido mais ter uma refeição (almoço ou jantar) com refrigerante ou suco, pra mim ambos desfavorecem a comida. Tenho tentado colocar o vinho em mais ocasiões e quando não é possível a água tem funcionado. 😉 O acarajé e o abará são normalmente ótimos companheiros da cerveja mas por que não funcionaria também com vinho?

A escolha pra essa tentativa de harmonização foi um cremant rosé que conheci numa degustação realizada na Adega Tio Sam, aqui em Salvador. Achei que o rosé traria uma maior complexidade, do que um espumante normal, para acompanhar um alimento tão carregado em sabores: massa de feijão, camarão, vatapá. O frescor do espumante é imprescindível para a sensação do “limpar a boca” que precisamos após ingerir tamanha gordura, especialmente do dendê.

O vinho: Cremant de Limoux – Aimery Sieur D’arques Brut Rose

Trata-se de um corte de chardonnay, pinot noir e chenin. Aromas de frutas tropicais e um pouco de cereja. Perlage persistente. Ótima acidez e retrogosto com um tanto tostado, bastante elegante e harmônico, no nariz e na boca. Um ótimo espumante que agora, degustando pela segunda vez, percebo que nao fui complacente com ele.

Servimos o cremant bastante gelado e foi bebido fácil, fácil. Acompanhado da boa comida baiana, boa musica baiana (Gilberto Gil sempre!) e boa companhia baiana. Foi minha despedida de Salvador nesses dias de folia. 😉

* R$ 55 na Adega Tio Sam (Salvador/BA)

FRANÇA

Champagne? Prosecco? Cava? Ou Espumante?

O fim do ano vai se aproximando e mesmo aqueles que não são muito fãs de vinho começam a pensar: qual será a “bebida borbulhante” para o brinde da virada?

Vamos dar nome aos bois! Para cada tipo segue uma sugestão minha. Perdoem a qualidade das fotos, mas são itens da minha própria adega. Com exceção do Cava que não tenho, realmente tendencio pelos franceses, italianos e nacionais.

Espumantes são TODOS os vinhos naturalmente gaseificados em uma segunda fermentação. Este termo é usado para os vinhos “gaseificados” produzidos em qualquer lugar do mundo com qualquer uva (vitis vinifera). Podem ser produzidos por dois métodos distintos Charmat e Champenoise (tradicional). PS: Não confundir com os frisantes.

Uma indicação de ótimo espumante “genérico” (não se enquadra nas definições abaixo) é o Premium Casa Valduga Brut, produzido pelo método tradicional (R$ 45, www.vinhosevinhos.com.br).

 

 

  • MOSCATEL: são os espumantes produzidos com uvas moscatéis (Moscato Branco, principalmente). O moscatel mais conhecido no mundo é o Asti Spumante (DOCG Italiana). No Brasil elaboram-se alguns excelentes Moscatéis. Como são espumantes naturalmente mais doces acompanham bem as sobremesas e frutas. Minha sugestão nacional: Terrasul Moscatel (R$ 17, comprado na própria vinícola na Serra Gaucha)

 

  • CAVA: são os vinhos espumantes produzidos na Espanha pelo método tradicional (champenoise) com uvas da região (Macabeo, Xarello e Parellada). Trata-se de uma marca “made in Spain”. Sugestão tradicional: Freixenet Cordón Negro Brut (R$ 50, www.vinhocracia.com)

 

  • PROSECCO: São espumantes originalmente produzidos na Itália com a cepa glera. Por tratar-se de uma uva “de segunda linha” nunca teve muito sucesso na Itália, já o Brasil foi infestado por rótulos de Prosecco. Sugestão com ressalvas (apesar de trata-se de um bom prosecco acredito que a virada do ano merece algo “mais”): Piera Martellozzo Prosecco (R$ 40, www.wine.com.br)

 

  • CREMANT: são os espumantes franceses produzidos FORA da região de Champagne. Sugestão mais do que merecida, realmente me surpreendi com a qualidade deste espumante rosé (produzido pelo método tradicional): Aimery Sieur D’arques Rose (R$ 55, Adega Tio Sam, Salvador/BA).

 

  • CHAMPAGNE: são os espumantes mais famosos do mundo, carregam a tradição, o peso e o terroir da origem dos vinhos espumantes. Produzidos na região de Champagne na França. Aqui vou ser clichê na sugestão: Moet Chandon Brut Imperial (R$ 190, www.wine.com.br). Deve ser a minha escolhida desde réveillon. 🙂

Importante dizer que um dos grandes espumantes que já experimentei foi o nacional Cave Geisse Nature. Não o tenho na adega mas vou tentar providenciar até o ano novo.

Pra começar 2012 bem! Bons brindes! 🙂