O que mais falta inventar?

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Descobri recentemente o mais novo lançamento de um vinho…com OURO. O primeiro espumante das Américas com “ouro comestível” em sua fórmula.

Eu leio esse tipo de notícia e realmente não entendo como esse tipo de coisa vira produto, e mais ainda, como vira notícia. E não se trata de purismo ou ojeriza à vanguarda, mas de curiosidade pra saber o que passa na cabeça de um produtor ao “inventar” um produto como esse.

O ouro sempre ligado ao poder, à riqueza, vem agora entrar na formula de um espumante. Pra que? Ajudar a piorar ainda mais a sina dos vinhos espumantes? Confesso que não consigo nem ver graça nisto, afinal é energia, e investimento, que poderiam ser empregados em melhores vinhos. No entanto cada empresário põe à venda aquilo que quer.

A meu ver faz parte do progressismo algumas pedras no caminho, e o bom delas é que ao menos nos ajudam a refletir um pouco mais. Já esse lançamento… esse eu “passo”.

A difícil sina dos espumantes

Se alguns bebedores de vinho são considerados esnobes, os “bebedores” de espumante só podem ser a “orkutizacao” deles. Eita! Fui muito polêmica? Explico.

Não tem jeito. Parece que quando se fala em popularizar e promover vinhos, os publicitários sempre tem em mente os cases dos espumantes nas boates ~adolescentes~ com os também ~adolescentes~ estourando as garrafas de espumante como sinal de glamour e poder. Poder adolescente.

O espumante sempre foi sinal de comemoração, sempre. Mas venhamos e convenhamos que a escolha dele ficou meio sem sentido entre a população em geral. Engraçado como a escolha de um vinho tinto e de um espumante tem motivações BEM distintas entre o público em geral…

Os champagnes, sempre inacessíveis, usados pelos ~adolescentes mentais~ nas baladas como sinal de “bom gosto” (imaginem muitas aspas) e dinheiro no banco: arma de conquista. Aí depois os famigerados proseccos que viraram febre por aqui como sinal de coisa-boa-importada. “Champagne é só uma marca” muitos diziam ao defender os proseccos. Na boa, difícil saber o que é pior.

Se o elitismo conferido ao vinho me incomoda deveras, afinal trata-se de uma bebida que pede compartilhamento de verdade, me incomoda ainda mais essa névoa psicótica de “glamour” em cima dos espumantes. Eu nao sei exatamente a origem disso: se a taça diferenciada, se as comemorações da formula 1 com os espumantes sendo sacudidos (destruindo a perlage) e DERRAMADOS… Mas realmente não consigo entender como ainda se confere “status pessoal”, através de uma bebida, em pleno século 21!

Só sei que precisamos voltar (ou iniciar na verdade!) a beber espumantes como vinhos que são. Carregados de essência, da uva, e da região onde foi produzido. E humildemente faço o apelo: neste réveillon vamos apreciar nossos espumantes, e não desperdiçá-los! 😀

Champagne? Prosecco? Cava? Ou Espumante?

O fim do ano vai se aproximando e mesmo aqueles que não são muito fãs de vinho começam a pensar: qual será a “bebida borbulhante” para o brinde da virada?

Vamos dar nome aos bois! Para cada tipo segue uma sugestão minha. Perdoem a qualidade das fotos, mas são itens da minha própria adega. Com exceção do Cava que não tenho, realmente tendencio pelos franceses, italianos e nacionais.

Espumantes são TODOS os vinhos naturalmente gaseificados em uma segunda fermentação. Este termo é usado para os vinhos “gaseificados” produzidos em qualquer lugar do mundo com qualquer uva (vitis vinifera). Podem ser produzidos por dois métodos distintos Charmat e Champenoise (tradicional). PS: Não confundir com os frisantes.

Uma indicação de ótimo espumante “genérico” (não se enquadra nas definições abaixo) é o Premium Casa Valduga Brut, produzido pelo método tradicional (R$ 45, www.vinhosevinhos.com.br).

 

 

  • MOSCATEL: são os espumantes produzidos com uvas moscatéis (Moscato Branco, principalmente). O moscatel mais conhecido no mundo é o Asti Spumante (DOCG Italiana). No Brasil elaboram-se alguns excelentes Moscatéis. Como são espumantes naturalmente mais doces acompanham bem as sobremesas e frutas. Minha sugestão nacional: Terrasul Moscatel (R$ 17, comprado na própria vinícola na Serra Gaucha)

 

  • CAVA: são os vinhos espumantes produzidos na Espanha pelo método tradicional (champenoise) com uvas da região (Macabeo, Xarello e Parellada). Trata-se de uma marca “made in Spain”. Sugestão tradicional: Freixenet Cordón Negro Brut (R$ 50, www.vinhocracia.com)

 

  • PROSECCO: São espumantes originalmente produzidos na Itália com a cepa glera. Por tratar-se de uma uva “de segunda linha” nunca teve muito sucesso na Itália, já o Brasil foi infestado por rótulos de Prosecco. Sugestão com ressalvas (apesar de trata-se de um bom prosecco acredito que a virada do ano merece algo “mais”): Piera Martellozzo Prosecco (R$ 40, www.wine.com.br)

 

  • CREMANT: são os espumantes franceses produzidos FORA da região de Champagne. Sugestão mais do que merecida, realmente me surpreendi com a qualidade deste espumante rosé (produzido pelo método tradicional): Aimery Sieur D’arques Rose (R$ 55, Adega Tio Sam, Salvador/BA).

 

  • CHAMPAGNE: são os espumantes mais famosos do mundo, carregam a tradição, o peso e o terroir da origem dos vinhos espumantes. Produzidos na região de Champagne na França. Aqui vou ser clichê na sugestão: Moet Chandon Brut Imperial (R$ 190, www.wine.com.br). Deve ser a minha escolhida desde réveillon. 🙂

Importante dizer que um dos grandes espumantes que já experimentei foi o nacional Cave Geisse Nature. Não o tenho na adega mas vou tentar providenciar até o ano novo.

Pra começar 2012 bem! Bons brindes! 🙂

Espumantes MUMM e Moda. Oi?

A marca argentina de espumantes, MUMM, convidou para uma ação de marketing e de promoção da sua marca no Brasil, 5 blogueiras de moda. Isso mesmo: blogueiras de moda. A propósito, adoro moda e leio vários blogs, mas é estranho ver os posts do espumante perdidos, literalmente, no meio das pautas de looks do dia

Certamente estão focando no mercado feminino, até aí tudo bem. É até louvável. Mas daí convidar “redatores” de moda para “popularizar” seus rótulos e seus métodos de produção me deixou um tanto quanto confusa…

Das duas uma: ou o marketing desta marca não entende de vinhos ou realmente o objetivo é relegar a marca ao limbo dos vinhos de “mentirinha”.

Pra popularizar os espumantes, e acredito muito nisso por ser uma bebida bem adequada ao clima tropical, não é necessario infantilizar a bebida, ok? Lembrando que as propagandas de cerveja não são exemplos a serem seguidos mas “cases” a serem abandonados.

http://www.celebremosloautentico.com/

(PS: vale a pena ver o video de abertura do site, lembrou-me as propagandas de Campari.)