Associações: SIM ou COM CERTEZA?

Outro dia diante de um “arranca-rabo” ocorrido entre instituições do vinho, refletimos no grupo de enófilos os verdadeiros motivos para tamanha vaidade das instituições em se
auto-denominarem as “melhores” ou “mais conceituadas”. Instituições, que também
disseminam o ensino de vinhos, brigando por quem tem mais ou menos legitimidade,
sem discutir essência, nem propostas aos associados. Não acredito que esse seja
o caminho, na verdade este tipo de disputa, seja em qualquer temática, só desfavorece a adesão de novos interessados.

Acredito muito no poder das associações, nos mais diversos ramos da sociedade civil. No entanto só acredito em associações legítimas: aquelas que defendem os associados enquanto grupo, e não o “corporativismo” em favor da instituição em si. Afinal isso é a essência de uma associação: existe associação sem os associados?

Quando a retórica migra desta forma percebemos o quão personificado (normalmente na figura da presidência) vira o discurso. É aí que a associação deixa de existir. Lembra-me as disputas dos partidos no movimento estudantil: se engalfinham tanto uns ao outros que no fundo só repelem os que deviam conquistar.

Enfim: por mais associações de idéias e menos imposições individuais! 

É Sommelier? E agora?

Vou me permitir um post absolutamente pessoal.

Muitas pessoas perguntam sobre fazer ou não os cursos de Sommelier. Há varias “escolas” hoje no Brasil, seja a própria ASB (Associação Brasileira de Sommeliers), ou organismos internacionais em parcerias com instituições locais. Mas o que todo mundo se pergunta é: quanto e qual o verdadeiro aprendizado?

Sou Sommeliere Internacional pela FISAR (Federação Italiana Sommelier) e não posso deixar de ressaltar o quão importante este curso foi pra mim. Foi lá que tive a oportunidade de conhecer as pessoas que mais de perto partilham as questões não só relativas a sommelierie, mas a paixão pelos vinhos. A eles, hoje meus amigos, meu muito obrigado! Mas voltemos ao foco. Foi neste curso que nosso professor, o italiano Roberto Rabaccino, nos disse em uma das primeiras aulas: “Um sommelier se faz por suas experiências diárias“.

A sommelierie é sem duvidas uma oficio (ou um prazer) PRÁTICO, mas não deixa de exigir embasamento teórico. Esse embasamento pode vir de maneira menos sistêmica, através do convívio e da absorção da experiência alheia, do trabalho: conhecimento advindo do próprio ato de trabalhar! É como aquele carpinteiro de anos de profissão versus o jovem carpinteiro que fez curso no SENAI e tem toda uma experiência pela frente, mas com a técnica afiada. São profissionais com níveis de maturidade distintos,
porém são ambos carpinteiros. Poderíamos citar também como exemplo, sem polemizar muito, o oficio de jornalista. É necessário ser diplomado?

Enfim, tudo isto posto para defender meu ponto máximo: aprender e estudar nunca é demais, e nem suficiente! Nunca! Um amigo que se formou comigo no curso da FISAR e que já era sommelier por profissão, foi quem mais me indicou bibliografia sobre o assunto e já estava se planejando para os próximos cursos…

Não se enganem, em todos os casos o mercado se encarrega de separar o joio do trigo. Enquanto isso, prefiro continuar sendo a “eterna aprendiz”! 🙂

Foto da formatura da 22ª Turma: Sommelier Internacional – FISAR