Herdade do Esporão, Quinta dos Murças e Quinta do Crasto

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Andava saudosista das degustações desde que passei a morar em Angola e foi na minha última viagem que consegui tirar o atraso de tanto tempo sem “eventos vínicos”. A passagem por Mendoza foi intensa, e no dia 28 de fevereiro enquanto estava em Recife, participei de uma degustação muito bacana organizada pela Licínio Dias e Casa dos Frios.

Degustação de vinhos portugueses! Eles que tem dominado completamente minha taça ainda arranjaram mais um “tempinho extra” na minha vida nesta degustação de vinícolas velhas conhecidas, porém com rótulos diferentes e numa proposta bem intimista de degustação.

A degustação, a convite de Jorgeane Meriguette da Licinio Dias, foi conduzida por Luis Patrão, enólogo da Herdade do Esporão, e João Palhinha da Qualimpor que importa os vinhos da Herdade do Esporão, Quinta dos Murças (de propriedade do Esporão) e Quinta do Crasto para o Brasil.

Luis Patrão apresentou seus “vinhos de autor”, num projeto além da Herdade do Esporão, mostrando seu apego à Bairrada e incansável busca pela melhor expressão deste terroir que a meu ver tem perdido um pouco do seu espaço. Inclusive Luis Pato, um ícone da Bairrada, tem deixado de usar a denominação de origem em alguns dos seus rótulos. Sem querer entrar na celeuma política que envolve as regras das DOCs portuguesas, gosto muito dos vinhos produzidos com a baga e gostaria muito de ter maior acesso a eles. Luis Patrão trouxe sua linha VADIO com espumante brut safrado (exigência da DOC Bairrada), o VADIO branco 2010, ambos produzidos com as cepas cercial e bical, e o meu destaque pessoal para o VADIO tinto, safra 2006, produzido com baga, extremamente elegante, ótima acidez e que evoluiu lindamente na taça até o fim da degustação.

Seguimos com os vinhos do Douro. Da Quinta dos Murças, o Assobio (touringa nacional, tinta roriz e touringa franca) em duas safras diferentes, 2009 e 2010, para avaliarmos a evolução. A seguir Quinta dos Murças 2009, um vinhão bastante estruturado. Depois os vinhos da Quinta do Crasto, Roquete e Cazes 2009 e o Xisto 2005, que arrancou o voto da maioria como o vinho da noite.

A degustação foi bastante leve no sentido de desenvolver a prova individual, e entendo ser fundamental aos importadores e exportadores promover esse tipo de ação. Percebe-se a cada dia o interesse do consumidor, muitas vezes eventual, em entender melhor desta bebida e especialmente em entender seu gosto individual, sua preferência de consumo. E é levando o consumidor pra dentro da adega que se desenvolve ativamente o consumo.

Avaliações afora, estive em casa e entre amigos neste evento. Matando a saudade deles, matando a saudade de Recife. Muitas risadas fecharam a noite na certeza de que bons vinhos são sem dúvida a melhor companhia para ótimas companhias.

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Monte Velho 2009

Esse é daqueles vinhos que inundam as prateleiras dos supermercados Brasil a fora. Antes mesmo de embarcar no universo dos vinhos eu tinha uma certa aversão a ele por isso, o rótulo não ajuda e ele sempre teve um preço relativamente baixo. Sempre me pareceu um vinho ruim. Era meu “chute” intuitivo.

Dias desses resolvi dar uma oportunidade a ele. Por um simples motivo. Descobri que aquele vinho que sempre me causou repulsa nas gôndolas é uma linha da Herdade do Esporão, grande grupo português, de grandes vinhos. Descobri que aquele rótulo preto estranho carregava um sobrenome de peso.

OK. O vinho é barato e de “entrada” da Herdade do Esporão, e por isso deveria ser um vinho correto e nada mais. Mas… como é ruim! Álcool que incomoda, quase que sem aromas, dei tempo de taça esperando que abrisse mais, mas o vinho só demonstra álcool. Na boca tem um retrogosto amargo muito desagradável que me fez pensar que o problema seria a comida. Parei de comer, bebi água e o vinho era o mesmo. Deselegante e de certa forma desarmônico. Tanto no nariz como na boca. Um corte clássico português de aragonês, trincadeira e castelão que infelizmente não vale sequer uma nova tentativa.

Às vezes (quando não há riscos envolvidos) é bom pormos nossa intuição à prova, porque muitas vezes ela erra. Fato! Mas pra mim, no caso desse vinho, ela é que estava certa. Desde sempre!

* R$ 32 na www.adegacuritibana.com.br

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