Um ótimo Zinfandel em Vegas

20130102-232651.jpgLas Vegas carece de lojas de vinhos!

Um destino de luxo, onde tudo tem proporções fora de qualquer realidade, falta… vinho. As cartas de bons restaurantes são bastante “comedidas” com algumas exceções, claro. Nos centros de compras, onde não falta imponência, sobram bons charutos, Prada, Chanel, Cartier, Rolex mas faltam wine stores. Devo confessar que a viagem não tinha este tipo de propósito, e nem pesquisei a respeito, mas imaginava que seria natural ter contato com boas lojas vendendo os clássicos norte americanos, assim como os grande chilenos, argentinos e os do velho mundo. Tinha a pretensão de quem sabe degustar um Opus One, mas não vi nem de longe…

Ainda assim alguns rótulos foram degustados: um riesling de mosel com comida japonesa, um péssimo rosé de zinfandel com açúcar residual em excesso e até um sparkling da Chandon norte americana. No entanto a melhor escolha da viagem foi o ótimo zinfandel de Napa Valley, na verdade um assemblage com cabernet, syrah e outras cepas em minoria, onde a zinfandel entra com 51% do corte, que foi degustado no restaurante de tapas Julian Serrano do Hotel Aria. Ambiente bastante agradável, comida muito bem apresentada numa reinvenção mais “classuda” das tapas. A carta de vinhos é bastante vasta sem perder o foco nos vinhos espanhóis, porém como estava nos EUA seria adequado escolher um exemplar de lá. A rebatizada zinfandel, cepa italiana conhecida como primitivo, achou realmente seu lugar no terroir norte americano. Eu particularmente gosto muito da expressão da cepa em tal terroir, realmente não se comparando, no geral, aos exemplares italianos.

O vinho: The Prisoner 2009 – Orin Swift

Aromas de especiarias e de frutas negras em calda, em especial amoras e framboesas, um pouco de álcool sobra no nariz, afinal trata-se de um vinho de 15.2 de gradação alcoólica. Gradação elevada é típico dos vinhos de zinfandel, pelo alto teor de açúcar da casta, e portanto baixar um pouco a temperatura de serviço ajudaria a minimizar essa “sobra”. Bastante leve na boca, um pouco de álcool sobrando também, porém bastante frutado, pouca presença do marcante carvalho americano por vezes exagerado dos vinhos produzidos nos EUA. Taninos quase macios e acidez bastante presente. Um vinho bem vivo, uma complexidade entre aromas, retrogosto (um leve amargor que não consegui desvendar a origem ou se seria algum defeito), taninos e acidez que muito me agrada.

Foi sem duvida uma boa surpresa de rótulo. Agora a expectativa é de na próxima ida a Las Vegas (será?) conseguir descobrir onde se escondem as wine stores e as melhores cartas pra desfrutar também dos vinhos no nível de desfrute que uma cidade como Vegas exige! 🙂

* U$ 72, no restaurante Julian Serrano, Aria Resort e Casino

EUA