Afros 2009: Um verde versátil

Os vinhos verdes ainda tem um espaço bastante restritos nas prateleiras e na mesa dos brasileiros o que não deixa de ser uma contradição dada a imensa facilidades em bebê-los, me refiro aos brancos, no nosso clima.

O vinho: Afros 2009 – Casa do Paco Padreiro

Esse vinho verde, elaborado com a casta portuguesa loureiro, é bastante aromático e em nada se parecendo com os “brancos-padrão”, sendo uma ótima opção para quem quer variar dos sauvignon blanc de sempre com mais complexidade. Lembrou-me a torrontés em carga aromática e retrogosto, acidez boa apesar da certa idade, refrescante, mas não senti as “agulhas” típicas dos verdes. É um vinho verde com alcool acima da média desses vinhos, 12 graus. Aromas mais maduros com um toque de mel também, bastante fácil de beber e acompanharia muito bem comida, na verdade não tenho dúvidas que é um vinho gastronômico: mais uma oportunidade para degustação deste rótulo.

* R$ 59 www.ibizagourmet.com.br

PORTUGAL

Vinho Verde. De uva verde?

Quem inventaria de escrever um post, no blog recém criado, sobre os vinhos verdes? Os tristes vinhos verdes, relegados a fama de vinhos simples e sem grandes atrativos. Verdade. Minha motivação em falar deles parte de um motivo muito parcial. Meu amigo @hugo_serrano, responsável por colocar no ar este blog, me disse um dia: “Gabi, sou muito de vinhos não. Só gosto dos verdes.” No mínimo diferente né? Ótima oportunidade para desmistificar.

Diferentemente do que muitos imaginam, os vinhos verdes nada tem a ver com vinhos feitos com uvas verdes (não amadurecidas).

“Vinho verde” na verdade é uma denominação de origem: são produzidos numa região delimitada no noroeste de Portugal, a maior zona vinícola portuguesa. Não se sabe ao certo a origem do nome. Diz-se que é uma referencia a região, sempre verde. A versão menos poética liga o “verde” ao fato das uvas mesmo maduras produzirem vinhos de baixo teor alcoólico, além disso o Vinho Verde não “amadurece” na garrafa.

A denominação “Vinho Verde” foi reconhecida pelo Office Mondial de la Propriete Intellectualle de Genebra e portanto nenhum outro vinho do mundo pode usar essa denominação. Seria até difícil… São vinificados com uvas típicas da região, de baixo teor de açúcar e por isso produzem vinhos pouco alcoólicos. Importante: me refiro exclusivamente aos vinhos verdes secos, ok?

Tintos ou brancos (os brancos se destacam), devem ser degustados gelados e JOVENS, muito jovens, antes mesmo de completar um ano de engarrafado. Esses vinhos por terem alta acidez, serem um pouco gaseificados (em função da segunda fermentação) e baixa graduação alcoólica são bem adequados ao nosso clima e ao bebericar despretensiosamente. Ele desperta o apetite como nenhum outro!

Quando comparamos Portugal com Franca e Italia em especial, podemos dizer que é ainda um pais pouco desenvolvido enologicamente. Ainda se produz artesanalmente e sem tanto controle de produção pelas “Denominações de Origem”, então para não decepcionar vamos as regras básicas:

  • Comprar somente os datados. Os que não fazem referencia a safra podem ser velhos, de prateleira. Vinho verde não envelhece, apenas piora com o passar do tempo.
  • Prefira sempre o branco. De preferencia com as cepas Alvarinho ou Loureiro. Alguns tintos ainda são vinificados com cascas e engaços, dão a impressão de “amarrar a boca”
  • Seco, sempre seco. Vamos deixar pra degustar doces, somente os vinhos verdadeiramente doces, de origem doce, que falaremos em outras oportunidades.
  • Servir gelado, em torno de 6 a 8 graus.

Que tal darmos mais espaço aos verdes? Os bons não decepcionam. 😉

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