Onde estavam os pinotage?

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Estive recentemente na África do Sul e apesar de a viagem não ter sido uma viagem vínica, confesso que criei uma certa expectativa para degustar alguns dos rótulos que não chegam ao Brasil, e nem à Angola, e talvez degustar o de melhor da “cepa símbolo” do país e minha queridinha: a pinotage.

A pinotage que é um cruzamento da hermitage com a pinot noir sempre me enche os olhos, seja por serem os rótulos mais restritos em termos de opção, seja por agregar um algo a mais com relação à pinot noir.

Em primeiro lugar foi bem fraca a oferta de pinotage nos lugares que freqüentei, desde o aeroporto ao lodge em meio ao parque nacional do Kruger, imaginei que o marketing sobre a casta seria mais abundante. A única opção disponível foi sofrida e muito aquém do famigerado Fairview que aparece sempre no Brasil. Devo confessar que a grande surpresa da viagem foi um blend de Syrah, Cabernet Franc, Merlot e Cabernet Sauvignon, o Alto Rouge.

Ainda insistindo na pinotage trouxe na mala dois exemplares comprados totalmente às cegas no freeshop. Vamos ver se surpreendem, enquando ainda programo a volta pra Africa do Sul, desta vez com os vinhos em primeiro plano.

Fairview Pinotage 2009

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Eu já tava agoniada pra postar esse vinho. Primeiro para estrear os sul-africanos no blog, segundo pra falar da pinotage! 😉

Esse vinho foi uma boa escolha entre as (poucas!) opções da carta de vinhos do Forneria (São Paulo). Em um grupo de cinco pessoas agradou a todos, iniciados e iniciantes, embora todos tenham feito uma cara feia quando me viram escolhendo um vinho da África do Sul. Interessante como o consumidor ocasional tem sempre os mesmos focos: Chile/Argentina e França/Itália/Portugal. Mas enfim… vamos ao vinho!

A pinotage é a queridinha sul-africana, já que foi lá que encontrou seu perfeito terroir, fruto do cruzamento entre a pinot noir e a cinsault (ou hermitage). Eu tenho um certo fascínio pela pinotage, e meus companheiros de mesa não sabem, mas o pinot noir da borgonha degustado depois deste vinho foi proposital. Didaticamente falando. 🙂 A pinot noir é uma uva adorada por todos os cantos do mundo, mereceu até menções apaixonadas no filme Sideways, mas para meu gosto pessoal é uma uva que falta um “quê” a mais. Me sentia até mal por não ter essa quase adoração que tantos no mundo do vinho sentem pela pinot, mas de fato a delicadeza, elegância e maciez da pinot não foram suficientes para arrebatar meu gosto pessoal. Entendam que me refiro a gosto pessoal, que não interfere na avaliação dos rótulos de qualquer que seja a casta, afinal cada uma tem suas peculiaridades. Tudo isto para dizer que a pinotage traz o algo mais que me falta na pinot. Para aqueles que como eu (não me crucifiquem por favor!!) sentem falta de um pouco mais de ataque e estrutura nos pinots, a pinotage pode ser uma grata surpresa.

O vinho: Fairview Pinotage 2009

Beberíamos este vinho a noite inteira. Muitíssimo aromático, aromas de frutas vermelhas e pretas, um tanto maduras. Ele passa por um estágio de menos de um ano em carvalho, que lhe confere uma maior complexidade aromática: fruta e madeira. Na boca é muito macio, mas com taninos bem presentes e agradáveis. Acidez na medida, álcool que não incomoda (14 graus), ótima persistência. Acredito que esta safra está no auge, pra beber este ano. Neste dia praticamente não houve harmonização, beliscamos alguns antipasti mas o foco da noite foi mesmo a conversa. Acompanhada de um ótimo vinho, sem dúvida!

* R$ 72 www.vinhocracia.com.br

ÁFRICA DO SUL