Um Chateauneuf-Du-Pape pra chamar de seu

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Esse Chateauneuf-Du-Pape foi um presente, daqueles de responsabilidade, onde quem presenteia diz: “Esse é o meu vinho!”. Nestas ocasiões lembro de uma das minhas aulas de sommelier onde aprendi que o “estilo” de cada um, aquilo que mais vai lhe aguardar num rótulo, é mostrado muito pela personalidade. E vice-versa. Bons e observadores sommeliers sabem usar disso com primor.

Desta vez mais uma tentativa de harmonização com pizza. Na Speciali que é pra não perder o costume da boa pizza e do bom serviço em Salvador.

O vinho: Chateauneuf-Du-Pape La Bernardine 2007

A famosa apelação do sul do Rhône traz o clássico corte de grenache, syrah e mourvedre com estágio de 12 a 15 meses em carvalho francês.

No nariz frutas negras maduras, tosta, fumo e especiarias. Álcool marcante, que nos fez baixar um pouco a temperatura de serviço. Em prova um vinho completamente diferente do padrão “novo mundo” e que os bordeaux tem reproduzido também. Muita complexidade, final persistente, elegante, taninos macios, boa acidez. No retrogosto além das frutas, um tanto de madeira e algo terroso.

Não é a toa que a melhor harmonização dele foi com a entrada, muito bem escolhida para este rótulo: brusqueta de funghi, shimeji e shitake. A pizza foi muito pouco para o vinho, que após a brusqueta reinou soberano e em grande estilo.

* R$ 230 www.mistral.com.br

FRANÇA

Shiraz autraliano e comida peruana

Esse foi mais um rótulo degustado em minha estada no Peru. Harmonizado com muitas conversas, risadas e a ótima comida do restaurante Central,de Lima.

O vinho: The Stump Jump 2008

Nosso TOP cicerone local reservou-nos uma mesa fantástica, praticamente dentro da cozinha, de onde acompanhávamos o desenrolar frenético de um grande restaurante peruano. Comida contemporânea mas com FORTE presença da tradição local. Fiz questão de pedir uma pastinha de aji pra acompanhar. Bela e completa carta de vinhos e até uma carta de piscos eles tem. Pães, manteigas, chocolates, etc, tudo produzido no restaurante onde à mesa nos apresentam uma “degustação de sais”, 4 tipos. Uma maravilha! Serviço impecável, apresentação dos pratos primorosa e uma “saideira” com pisco sour, chicha morada e piña colada em forma de sobremesa.

O vinho é bastante aromático em especiarias, como manda a syrah, e fácil, macio. A grenache entra com força no corte (50%), como os típicos do Rhone, que tem também mourvédre. Sem grande complexidade. Harmonizou também fácil com o prato de carneiro, mas verdade seja dita, o carneiro preparado em cocção lenta quase desmanchando na boca sobressaiu, e muito, ao vinho. Mas quem se importa? 😀

Falei pouco do vinho né? É porque naquele dia ele foi mesmo figurante. Diante de uma despedida de Lima, num restaurante como o Central, não havia mesmo como ele ser o protagonista!

* 120 soles (aprox. R$ 78) no Central, Lima

AUSTRÁLIA