A eterna busca por rieslings

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Estou no Brasil e por mais que esteja fazendo um bom friozinho, priorizando os tintos em todas as escolhas, ainda sim há bons espaços para os brancos.

Minha grande dificuldade com os brancos e espumantes é muito mais no convencer os convivas pela escolha desses rótulos. A grande maioria dos bebedores eventuais sempre prefere um tinto a um branco, mesmo que a harmonização seja sofrível. Em jantares, muitos amigos não entendem porque quase nunca peço aquele “grande tinto”, acabo sempre escolhendo um tinto mais versátil e até sugerindo bons brancos, que casariam mais fácil com a variância dos pratos. Muitos não entendem que grande tintos pedem refeições a altura pois são harmonizações mais complexas, ou então um degustar sem comida, minha preferência.

Fui a um ótimo restaurante japonês na minha passagem pelo Rio de Janeiro, o Yume, e finalmente consegui tirar a cerveja e a caipiroska da mesa, pedida certa com esse tipo de comida. Escolhemos um riesling de mosel pra tentar harmonizar com os sushis e sashimis, servidos muito frescos, e com a saudade acolhedora de quem está longe…

O vinho: Selbach-Oster Riesling Trocken 2009

Vinho bastante fechado aromaticamente, frutas cítricas, maça verde e pêra. Na boca um vinho ligeiro com boa acidez, muito leve e refrescante. Álcool equilibrado porém faltou um pouco mais de personalidade, por vezes pensava estar degustando um sauvignon blanc, meu karma.

Por fim o vinho acompanhou bem o salmão fresco, assim como os outros acepipes, e serviu de aperitivo perfeito para a conversa noite a dentro. E assim eu vou me familiarizando cada vez mais com o Rio de Janeiro. 😉

* R$ 150 na carta de vinhos do Yume

ALEMANHA

Agora sim um riesling de verdade!

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Minha casta branca do momento é sem dúvida a riesling. Talvez até motivada pela imensa dificuldade em encontrar exemplares dela nas lojas (normais) de vinhos.

Gosto muito do caráter extremamente marcante e aromático, as notas minerais e o frescor de frutas cítricas típicas do riesling. Minha grande frustração é experimentar muito pouco desta casta pois, não tem jeito, somos bombardeados de vinhos de chardonnay (normalmente embarricados) e sauvignon blanc nos permitindo menos provas de vinhos diferentes com riesling, gewustraminer, malvasia, torrontés, viognier, etc…

Mas, naquela velha questão de experimentação, ando em busca de evitar as castas “arroz-de-festa” e me permitir o desfrute de diferentes sensações. E eu que pessoalmente gosto de raríssimos sauvignon blanc preciso mesmo buscar alternativas brancas à chardonnay.

O vinho: Domaine Paul Blanck Riesling 2007

Um riesling da Alsácia, região que juntamente com a Alemanha, divide a soberania da melhor expressão da casta. Vinho elegante, frutado com maça verde e pêras (um tanto em caldas) e floral, aromático sem ser enjoativo e sem aromas de petróleo. Acidez na medida, bom corpo e persistência, com certa untuosidade e deixando a sensação: “Não estou bebendo mais do mesmo!”

Só sei que quero mais desse riesling! 😉

* R$ 100, www.boccati.com.br

FRANÇA

E o riesling que deveria estar aqui?

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A grande questão nesse vinho foi se ele merecia duas ou apenas uma taça na avaliação. Tudo bem que ele veio na seqüência do Amarone, mas num outro contexto.

O vinho: Dönnhoff Riesling Trocken 2009

Seria um vinho pra acompanhar uma comida leve, e eu estava na pilha por um riesling. No restaurante Rascal esse era o único riesling da carta de vinhos, um riesling alemão. Nao tinha como duvidar. Mas… que fracasso. Como riesling ele era um razoável sauvignon blanc. Eu ainda insistia: “calma, vamos dar um tempo em taça para ele abrir”. Que nada! Apesar de aromático, e sem o aroma de querosene característico de muitos rieslings e que me desagrada (tem aquela questão de ser ou não um defeito), faltava a potência aromática tão típica e famosa dessa casta. Na boca era ligeiro, sem grandes atrativos. Ainda faltava um tanto de acidez, nem frescor suficiente ele trazia.

Pra mim esse vinho tem quase defeito na vinificação. Nao mostrou a característica do varietal. Mas como pode ser um blend com outras castas, nao tinha isso no rótulo, achei por bem lhe conceder 2 taças. E tenho certeza que fui boazinha, complacente, coisa que normalmente não sou. Talvez tenha sido a influência do Amarone anterior. 😉

* R$ 114 no Rascal (São Paulo)

ALEMANHA