Na sexta, embate com tempranillos

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A sexta foi de dois espanhóis potentes, cheios de vida. Um belo embate entre Rioja e Ribera del Duero, um de 2001 e o outro de 2006. Ambos os cortes com predominância da típica espanhola: tempranillo. Importante lembrar que a tempranillo é a mesma casta que em Portugal chama-se Tinta Roriz e também Aragonês.

– Beronia Reserva 2001
– Condado de Haza Crianza 2006

A noite prometia MUITO. Saída do trabalho, belos vinhos, ótimo lugar (o querido Speciali), boa comida, excelentes companhias. Mas como diz a máxima do twitter “a sexta sempre promete… mas nunca cumpre“. Foi o que aconteceu. Eu imaginando curtir ótimos rótulos, e pensando no material pro blog, percebendo todas as nuances do belíssimo embate cujas diferenças, perante as semelhanças, são bem claras: a diferença aromática, persistência, carga tânica, retrogostos, o terroir. Quando de repente a noite… desandou, perdeu todo o sentido, perdeu o embate.

Nao tem jeito. Vinho é isso. É estar confortável. É estar de bem. Parafraseando Ortega y Gasset: “Somos nós e nossas circunstâncias”.

Em respeito aos vinhos da noite fiz questão de não avaliá-los. Eles não mereciam qualquer reticência do meu ~estado de espírito~.

Esta foi a noite de dois grandes vinhos. Sem notas porque não estive à altura deles. Só posso deixar aqui, como forma de me redimir, minha reverência a eles na expectativa de uma nova e melhor oportunidade!

* R$ 100, o Beronia Reserva na www.wine.com.br (safra 2006)
* R$ 116, o Condado de Haza Crianza na www.mistral.com.br (safra 2007)

O Vinho do Ano: 2011

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Que missão mais ingrata! Escolher um vinho, um único vinho, para representar este ano não é tarefa nada fácil. Mas como esse tipo de retrospectiva faz parte do “fechar o ano” faço questão de participar.

2011 foi pra mim um ano especial. Foi o ano em que o vinho ocupou um espaço muito mais intenso na minha vida, onde comecei a estudar e a me emaranhar pelos rótulos e rótulos… Foi o ano em que finalmente “fiz” e organizei minha adega. Foi o ano que mais comprei livros de vinho. Foi o ano que mais fiz cursos de vinho. Foi o ano que mais conheci apaixonados por vinho!

É… pra mim sem dúvidas 2011 foi o ANO do VINHO. Foi o ano que “fechei” dezembro criando o blog. Eu não poderia esperar 2012 para que o blog saísse do “mundo das idéias”…

Foram muitos rótulos bons neste ano. Brancos como o Doña Paula, tintos estupendos como o Barolo, o Brunello, os Bordeaux…. O Amarone, ah o Amarone, motivo de paixão eterna! Os chilenos Coyan e EPU. O Anima Vitis, a jóia brasileira…. Realmente são muitos rótulos que me vem a mente e que me fizeram brindar com paixão neste ano! Mas engraçado que quando pensei no vinho do ano pensei no início de tudo. No rótulo que me fez iniciar no vinho. Rótulo simples, mas motivo de muita nostalgia quando alguns (muitos!) anos atras me foi apresentado por um amigo que, envolvido pela cultura italiana, nos trouxe um vinho siciliano: o Corvo Rosso IGT.

O Corvo não é um grande vinho, não como os grandes clássicos italianos. Mas é o vinho deste ano de 2011. Porque foi o Corvo que me fez perceber o prazer proporcionado por uma singela garrafa de vinho. Porque foi com o Corvo que descobri que comer bebendo vinho é algo singular. Porque foi o Corvo que deu o nome ao blog tantos anos atras. Foi tomando Corvo, eu ainda universitária, que bradávamos “In Vino Veritas”!

Parece que no vinho realmente está a verdade, como diz a máxima italiana. A minha verdade este ano foi iniciada bastante tempo atras com o rótulo simples siciliano, porém carregado de curiosidade. E foi essa curiosidade “plantada” o motivo da sede atual por mais e novos vinhos! É este simples rotulo, que sou incapaz de avaliar pois tem o sabor do saudosismo, o meu vinho de 2011!

IN VINO VERITAS!

Por um 2012 de ótimos vinhos!

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* o Corvo tem no corte a predominancia da cepa siciliana Nero D’avola, custa R$ 35 (www.adegacuritibana.com.br) e tenho 2 garrafas na adega para garantir os momentos saudosistas. 😉